A vida eh uma coisa chata. "hoje eu acordei, olhei no espelho, dei um cagao e escovei os dentes". Coisa mais enfadonha. Nao, isso eh bobagem. O que acontece de interessante nao faz parte da vida, nao eh aquilo que se olha, eh o subtendido.
Eh olhar a lua e ouvir uma pequena risada que te leve a uma praia, um momento e uma pessoa. Eh quando vc escuta uma escala desconcertada em um violao de um mendigo que nunca tocou violao na vida. Eh o procurar uma bica no deserto. A vida, ou o que se escreve dela, estah no invisivel.
E por que eu falei isso? O que ter a ver a minha estada em Londres com isso?
Nao sei... Mas deu vontade de falar.
Vai ver eh a saudade que bate de vez em quando. Explico: jah disso que nao sinto falta de ninguem, e isso eh verdade. Nao por que eu sou um filho ingrato, um irmao insensivel ou um amigo cusao. Ao contrario, nunca deixo de levar aqueles que preso no peito.
Mas toda vez que eu escuto ac/dc, por exemplo, me remete a tal pessoa. Ou ouco uma piada estupida do tipo: "vc pegou o onibus? entao pega aqui", ou quando eu vejo um jogo de futebol, uma balada mal fadada, um cara nervosinho, uma pessoa antisocial, uma garota meiga, uma garota de riso largo, um gordinho brincalhao, uma mae superprotetora e carinhosa, amigos bebendo no bar, amigos falando de mulheres, uns topetudos com casaco de couro, um show de rock. Quando a minha casa lota de gente eu sinto uma pontada no peito me implorando pra pedir pro meu pai ir comprar esfira no habbibs.
Eh o invisivel
Rodrigo Boro
Ps: nao me encontro num estado lastimavel de autolamentacao. Ao contrario, acho que estou muito bem. Mas um pouco de melancolia nunca fez mal a ninguem. E se um dia vc pensar isso de mim, lembre-se dos mortos: a dor eh de quem fica.
Friday, September 30, 2005
Wednesday, September 07, 2005
Meu inepito cabelo azul
Pois bem, quem eh vivo sempre aparece. Nessa semana que se foi ha algumas novidades, um acontecimento e uma noticia patetica, engracada e humilhante.
Vamos por partes.
Eu finalmente enviei o meu application e o meu portfolio pra faculdade. Agora espero o dia para marcar a entrevista e ser aceito. Se eu passei na PUC, eu consigo pegar uma pos aqui (eh loooogico).
Outra coisa eh que eu recebi um aumento salarial. Ao que parece, na dificil tarefa de sanduiche natural eu sou o melhor. O estranho eh que eu soh atraso e nunca faco a barba. Eles devem pensar que era corpo mole, mas eh preguica mesmo...
Bom, estou pra comprar um celular, assim a mulherada que tah morta de saudade pode ligar para esse cara foda que sou... Tah, pros meus pais me ligarem..
O acontecimento: Fui prum festival de musica que tocaram as bandas Iron Maiden, Pixies, Dropkick Murphies, Foo Fighters, Kings of Leon, Razorligh, the Killers e o anticristo Marylin Mason. Foi muito bom.
Pra terminar, o acontecimento patetico. Logico, imagino que todos pularam a baboseira de cima pra dar boas risadas com as trapalhadas de Rodrigo Boro "como nos velhos tempos..."
Quer saber? Foda-se, num vou contar... tchau
Vamos por partes.
Eu finalmente enviei o meu application e o meu portfolio pra faculdade. Agora espero o dia para marcar a entrevista e ser aceito. Se eu passei na PUC, eu consigo pegar uma pos aqui (eh loooogico).
Outra coisa eh que eu recebi um aumento salarial. Ao que parece, na dificil tarefa de sanduiche natural eu sou o melhor. O estranho eh que eu soh atraso e nunca faco a barba. Eles devem pensar que era corpo mole, mas eh preguica mesmo...
Bom, estou pra comprar um celular, assim a mulherada que tah morta de saudade pode ligar para esse cara foda que sou... Tah, pros meus pais me ligarem..
O acontecimento: Fui prum festival de musica que tocaram as bandas Iron Maiden, Pixies, Dropkick Murphies, Foo Fighters, Kings of Leon, Razorligh, the Killers e o anticristo Marylin Mason. Foi muito bom.
Pra terminar, o acontecimento patetico. Logico, imagino que todos pularam a baboseira de cima pra dar boas risadas com as trapalhadas de Rodrigo Boro "como nos velhos tempos..."
Quer saber? Foda-se, num vou contar... tchau
Thursday, August 25, 2005
Bom, eu aqui de novo, mas de resto nada.
Semana passada eu fui pra Paris e Bruxels. Mas o que eu quero falar eh do gordinho na Inglaterra. Meu pai, essa simpatica criatura rotunda, veio com sua esposa, mamae, e seu primogenito, Dudu, conhecer os sitios da rainha, e aproveitar para olhar o prodigo, este que vos escreve.
Nunca mais, para mim, vou olhar para um Pub com os mesmo olhos. A partir de agora ele virou um butequinho, programa predileto de Gordinho na Inglaterra. Quando em outro lugar, por exemplo em Buckinham, ou como papai diz, "A casa da Vagabunda", ele reclama. Nao quer aquilo, muito simplorio, ineficiente - mente de engenheiro. A cerveja o chama, Sheakspeare Head o berra ao chamado ao alcool. Butequinho. Nem arisca um ingles, pede em portugues mesmo: "me ve uma cerveja ae".
Nos museus, passamos rapido - meia hora no National Gallery. O Monet? "Eh falso", como todos os outros quadros, segundo gordinho. E enquanto outros vao para lojas de eletrodomesticos e roupas, meu patriarca gosta de um bom supermercado, e enche seu frigobar de adivenhe o que? cerveja! E comida, jah que o gordinho nao eh de ferro. Concentra toda a sua sabedoria em sua barriga. Meu buda!
Hoje eu entrei num Pub. Nao pude resistir, pedi uma cerveja em bom portugues, eh claro. Um brinde a vagabunda em seu castelo de cartas!
E tchau.
Semana passada eu fui pra Paris e Bruxels. Mas o que eu quero falar eh do gordinho na Inglaterra. Meu pai, essa simpatica criatura rotunda, veio com sua esposa, mamae, e seu primogenito, Dudu, conhecer os sitios da rainha, e aproveitar para olhar o prodigo, este que vos escreve.
Nunca mais, para mim, vou olhar para um Pub com os mesmo olhos. A partir de agora ele virou um butequinho, programa predileto de Gordinho na Inglaterra. Quando em outro lugar, por exemplo em Buckinham, ou como papai diz, "A casa da Vagabunda", ele reclama. Nao quer aquilo, muito simplorio, ineficiente - mente de engenheiro. A cerveja o chama, Sheakspeare Head o berra ao chamado ao alcool. Butequinho. Nem arisca um ingles, pede em portugues mesmo: "me ve uma cerveja ae".
Nos museus, passamos rapido - meia hora no National Gallery. O Monet? "Eh falso", como todos os outros quadros, segundo gordinho. E enquanto outros vao para lojas de eletrodomesticos e roupas, meu patriarca gosta de um bom supermercado, e enche seu frigobar de adivenhe o que? cerveja! E comida, jah que o gordinho nao eh de ferro. Concentra toda a sua sabedoria em sua barriga. Meu buda!
Hoje eu entrei num Pub. Nao pude resistir, pedi uma cerveja em bom portugues, eh claro. Um brinde a vagabunda em seu castelo de cartas!
E tchau.
Friday, July 22, 2005
Maior evento do seculo
Tah confirmado. Londres vai parar, segundo os jornais. Bono Vox, o organizador, diz que o AC/DC jah confirmou presenca. "Angus nao perderia isso por nada", comentou. O show vai ser no Astoria, somente para poucos, mas tera um telao no Hyde Park pro resto da massa. Algumas participacoes: Rolling Stones, Bob Dylan, Strokes e REM, entre outros. Ringo Starr vai estar lah tambem, a pedido especial do homenageado.
Isso tudo acontecera amanha, sabado. Havera uma bencao especial da Rainha, que nomeara o dia 23 o dia especial do Rodrigo.
:/ Salamaleico!!!
Isso tudo acontecera amanha, sabado. Havera uma bencao especial da Rainha, que nomeara o dia 23 o dia especial do Rodrigo.
:/ Salamaleico!!!
Sunday, July 10, 2005
Atentado em Londres
Nao fui eu, eu tenho alibis. Maiores perguntas falem com o meu irmao, ele eh o meu advogado.
Thursday, July 07, 2005
Quando estava saindo do trabalho, as dez horas, um carinha que trabalha comigo me falou "Voce nao vai conseguir voltar pra casa. Os trens estao fechados". Beleza, eu pego o onibus. E toquei o meu caminho. Na rua, andando em sentido ao banco, pra confirmar se o meu pagamento tava beleza, tinha um grupo aglomerado numa vitrine. Curioso, fui ver: estava dando que em dois lugares diferentes tinha havido uma explosao. Russel Square, a tv dizia. Perguntei pra uma mulher do lado onde era. "Down there", ele disse, me apontando o sul.
Fui checar, a poucos quarteiroes do trabalho, um onibus todo arrebentado, a capota e a parte de tras destruidas. A tv ateh agora nao deu o numero de mortos nesse incidente, em particular. Mas se tinha alguem na parte de cima, e devia ter muita gente, pelo horario e pelo local, essas pessoas estao mortas.
Numa das estacoes que explodiu eu passo diariamente, na hora que volto do meu trabalho. Se os atentados tivessem acontecidos uma hora mais tarde, eu seria mais do que um mero espectador. Mas isso nao aconteceu.
A policia aqui eh muito eficiente,poucos minutos depois dos atentados ela jah estava por toda a City, o centro daqui. Numa hora, estava parado na rua, imaginando o que fazer, jah que os onibus e o metro estavam fechados, e estava chuvendo. Um policial se aproximou, e educadamente me pediu para circular. Ficar parado virou uma atividade suspeita.
Na Charing Cross Road, cinco quadras do trabalho, dez do incidente em Aldgate, havia uns policiais e um jipe do exercito e eles cercaram um perimetro em volta de um onibus parado. Eu perguntei a um policial qual era o problema: "This bus got a suspect package in the bus. What are you thinking? That we are kidding in here? That this is fun for us?"
Londres eh cheio de gente que veio do Oriente Medio. A primeira vez que eu cheguei aqui, eu fiquei espandado que as mulheres de burcas. Varias lojas tem seu anuncio em ingles e arabe. Meu antigo vizinho era um iraquiano que fugio da guerra. Hoje esta diferente. Nao vi um arabe na rua. Estao escondidos: jah sabem quem irao culpar por tudo isso.
Tirando o incidente do onibus, que nao divulgaram o numero de feridos e mortos, nas outras explosoes ocorridas, 33 pessoas morreram. Porem, se falarem que a situacao em Londres eh de panico, isso eh mentira. Nao tem panico. Hoje, quando eu estava passando num dos atentados, na Edgware Road, um turista me pediu pra tirar a foto dele com a mulher, mas que pegasse o atentado ao fundo.
Fui checar, a poucos quarteiroes do trabalho, um onibus todo arrebentado, a capota e a parte de tras destruidas. A tv ateh agora nao deu o numero de mortos nesse incidente, em particular. Mas se tinha alguem na parte de cima, e devia ter muita gente, pelo horario e pelo local, essas pessoas estao mortas.
Numa das estacoes que explodiu eu passo diariamente, na hora que volto do meu trabalho. Se os atentados tivessem acontecidos uma hora mais tarde, eu seria mais do que um mero espectador. Mas isso nao aconteceu.
A policia aqui eh muito eficiente,poucos minutos depois dos atentados ela jah estava por toda a City, o centro daqui. Numa hora, estava parado na rua, imaginando o que fazer, jah que os onibus e o metro estavam fechados, e estava chuvendo. Um policial se aproximou, e educadamente me pediu para circular. Ficar parado virou uma atividade suspeita.
Na Charing Cross Road, cinco quadras do trabalho, dez do incidente em Aldgate, havia uns policiais e um jipe do exercito e eles cercaram um perimetro em volta de um onibus parado. Eu perguntei a um policial qual era o problema: "This bus got a suspect package in the bus. What are you thinking? That we are kidding in here? That this is fun for us?"
Londres eh cheio de gente que veio do Oriente Medio. A primeira vez que eu cheguei aqui, eu fiquei espandado que as mulheres de burcas. Varias lojas tem seu anuncio em ingles e arabe. Meu antigo vizinho era um iraquiano que fugio da guerra. Hoje esta diferente. Nao vi um arabe na rua. Estao escondidos: jah sabem quem irao culpar por tudo isso.
Tirando o incidente do onibus, que nao divulgaram o numero de feridos e mortos, nas outras explosoes ocorridas, 33 pessoas morreram. Porem, se falarem que a situacao em Londres eh de panico, isso eh mentira. Nao tem panico. Hoje, quando eu estava passando num dos atentados, na Edgware Road, um turista me pediu pra tirar a foto dele com a mulher, mas que pegasse o atentado ao fundo.
Tuesday, July 05, 2005
O meu celular tah com o meu cheirinho
Pois bem, me mudei. Eh a terceira vez em dois meses, e espero que essa dure. Fui pra uma casa boa, com tres quartos, dois banheiros e sala, um luxo se comparada ao cortico na qual estava. A mudanca foi ontem, na parte da noite. Duas viagens e a impressao de ter acumulado uma tonelada de tranqueiras nesses primeiros meses me deixaram exaurido, e cansado fui dormir sem conhecer a fundo toda a casa. Amanha, pensei, amanha.
Pus meu celular pra despertar, tirei o meu saco de dormir (que eu uso como cobertor) e fui pra cama. Lah pelas duas da manha eu sinto uma puta vontade de mijar. Levanto, tudo normal, caminho, beleza, bato a perna num comodo, doeu mas vamo enfrente. O banheiro tava um breu total, procurei a porra do interruptor, nao achei, e como nao estava acostumado a ele, nao quis mijar na escuridao, com medo de errar a mira.
Eu, que sou muito inteligente, resolvi pegar o celular pra iluminar o meu caminho. O meu telefone tem uma luzinha em cima, que eh feita pra servir de lanterna mesmo. Legal, a luzinha ilumina bem. Nao bato na comoda, mas a perna ainda tah doendo. Apresso o passo, que a vontade ta foda.
Agora sim, vejo a privada claramente. Miro meu instrumento como se fosse um rifle de um sniper, e a lanterna eh a mira laser. Atiro. O alivio e o barulho da agua me relembram o sono, fecho os olhos. Tibum! Minha mao direita fica mais leve. Corto o fluxo na hora. A privada se ilumina de dentro. Merda.
Ainda observo desacretitado meu celular dentro da privada ateh a sua luz finalmente se apagar, e a escuridao se fazer. Vou tateando nas paredes ateh a cozinha e procuro um saco plastico. Tenho a frieza de espirito de encher o saco com agua, e confirmo que ele nao tem nenhum buraco. Acendo a luz do corredor e volto pro banheiro. Acho o interruptor e vejo meu telfone. Ensaco a mao.
Agora vem a melhor parte! Eu pego meu celular no fundo da privada, o levo ateh a pia e lavo ele. Apos isso, volto pra privada e termino de mijar.
Apos essa pequena peripecia, vou pra cama e durmo.
Hoje eu acordei atrasado pro trabalho porque o meu celular nao despertou. Infelizmente, pensei, nao foi um sonho.
Pus meu celular pra despertar, tirei o meu saco de dormir (que eu uso como cobertor) e fui pra cama. Lah pelas duas da manha eu sinto uma puta vontade de mijar. Levanto, tudo normal, caminho, beleza, bato a perna num comodo, doeu mas vamo enfrente. O banheiro tava um breu total, procurei a porra do interruptor, nao achei, e como nao estava acostumado a ele, nao quis mijar na escuridao, com medo de errar a mira.
Eu, que sou muito inteligente, resolvi pegar o celular pra iluminar o meu caminho. O meu telefone tem uma luzinha em cima, que eh feita pra servir de lanterna mesmo. Legal, a luzinha ilumina bem. Nao bato na comoda, mas a perna ainda tah doendo. Apresso o passo, que a vontade ta foda.
Agora sim, vejo a privada claramente. Miro meu instrumento como se fosse um rifle de um sniper, e a lanterna eh a mira laser. Atiro. O alivio e o barulho da agua me relembram o sono, fecho os olhos. Tibum! Minha mao direita fica mais leve. Corto o fluxo na hora. A privada se ilumina de dentro. Merda.
Ainda observo desacretitado meu celular dentro da privada ateh a sua luz finalmente se apagar, e a escuridao se fazer. Vou tateando nas paredes ateh a cozinha e procuro um saco plastico. Tenho a frieza de espirito de encher o saco com agua, e confirmo que ele nao tem nenhum buraco. Acendo a luz do corredor e volto pro banheiro. Acho o interruptor e vejo meu telfone. Ensaco a mao.
Agora vem a melhor parte! Eu pego meu celular no fundo da privada, o levo ateh a pia e lavo ele. Apos isso, volto pra privada e termino de mijar.
Apos essa pequena peripecia, vou pra cama e durmo.
Hoje eu acordei atrasado pro trabalho porque o meu celular nao despertou. Infelizmente, pensei, nao foi um sonho.
Wednesday, June 29, 2005
Live Aid
E ae galera do terceiro mundo, como andam as coisas? Bom, por aqui vai tudo beleza. E o que vcs, pessoas subdesenvolvidas, irao fazer no sabado? Eu vou no Live 8. Vcs, povo ignorante, sabem o que eh isso? Pois eh o maior show de todos os tempos, pra arrecadar fundos contra a pobreza e a fome. Pois eh, ganhei um ingresso. Fiquei cinco horas na fila, mas blz. Vai ter U2, REM, AC/DC (esse eu acho), Pink Floyd e muitas outras bandas. Miseria pouca eh bobagem...
Monday, June 27, 2005
Claksdlak
Eu sou uma pessoa contemplativa. O que no passado as pessoas chamavam de vagabundagem, era um exercicio profunto de concentracao mental sob um mesmo objeto. Quando crianca eu acostumava ficar encarando o nada, olhando pra um ponto qualquer ateh que a minha visao ficasse embacada e o mundo comecava a perder forma, e eu perdia qualquer apoio ao chao e por um segundo eu voava. Mas eu caia em mim. Nao chegava a decolar.
Voce cresce e parece que esquece um monte de coisa que realmente importa. Como brincar na chuva e brincar de pique-esconde. Eu cresci antes de aprender a voar.
Nao vou dizer que em Londres eu to voltando a essa grande capacidade mental de viajar pra lugares que eu nem imagino, soh com a minha mente. Bobagem, isso nao volta. Mas aqui eh uma linda cidade louca de malucos. Na Soho Square duas meninas lindas, em roupas de trapos, tocam em seus violinos melodias de Bach, Chopan e algumas musicas tradicionais do leste europeu que simplesmente matam de emocao. Tem um mendigo perto da Piccadilly Circus que veste um sobretudo e uma meia calca, e soh. Tem dois caras, em frente ao Picture Gallery, que fumam maconha o dia inteiro e ficam discutindo o quanto esse mundo eh sacana, e o quanto a guerra prejudicou a vida deles. Nao que eles tenham ido a nenhuma guerra, eh claro.
Eu tentei por em pratica a minha abilidade de chutar bitucas de cigarro, aqui em londres. Mas nao eh a mesma coisa que chutar tampinhas de garrafa, igual no Brasil. Nao tem a mesma emocao, o barulho, a alegria de ver o tanto que rola. Na maioria das vezes, soh amaca a bituca. Mas aqui num tem tampinha, soh bituca. Entao eu contemplo.
Ps: Hoje eu mandei o meu chefe se fuder, e eu acho que eu posso ter perdido o emprego. Mas essa historia eu conto outro dia.
Voce cresce e parece que esquece um monte de coisa que realmente importa. Como brincar na chuva e brincar de pique-esconde. Eu cresci antes de aprender a voar.
Nao vou dizer que em Londres eu to voltando a essa grande capacidade mental de viajar pra lugares que eu nem imagino, soh com a minha mente. Bobagem, isso nao volta. Mas aqui eh uma linda cidade louca de malucos. Na Soho Square duas meninas lindas, em roupas de trapos, tocam em seus violinos melodias de Bach, Chopan e algumas musicas tradicionais do leste europeu que simplesmente matam de emocao. Tem um mendigo perto da Piccadilly Circus que veste um sobretudo e uma meia calca, e soh. Tem dois caras, em frente ao Picture Gallery, que fumam maconha o dia inteiro e ficam discutindo o quanto esse mundo eh sacana, e o quanto a guerra prejudicou a vida deles. Nao que eles tenham ido a nenhuma guerra, eh claro.
Eu tentei por em pratica a minha abilidade de chutar bitucas de cigarro, aqui em londres. Mas nao eh a mesma coisa que chutar tampinhas de garrafa, igual no Brasil. Nao tem a mesma emocao, o barulho, a alegria de ver o tanto que rola. Na maioria das vezes, soh amaca a bituca. Mas aqui num tem tampinha, soh bituca. Entao eu contemplo.
Ps: Hoje eu mandei o meu chefe se fuder, e eu acho que eu posso ter perdido o emprego. Mas essa historia eu conto outro dia.
Sunday, June 26, 2005
Anywhere I Lay My Head
"My head is spinning round, my heart is in my shoes, yeah
I went and set the Thames on fire, oh, now I must come back down
She's laughing in her sleeve boys, I can feel it in my bones
Oh, but anywhere I'm gonna lay my head, I'm gonna call my home
Well I see that the world is upside-down
Seems that my pockets were filled up with gold
And now the clouds, well they've covered over
And the wind is blowing cold
Well I don't need anybody, because I learned, I learned to be alone
Well I said anywhere, anywhere, anywhere I lay my head, boys
Well I gonna call my home"
Tom Wissimo
I went and set the Thames on fire, oh, now I must come back down
She's laughing in her sleeve boys, I can feel it in my bones
Oh, but anywhere I'm gonna lay my head, I'm gonna call my home
Well I see that the world is upside-down
Seems that my pockets were filled up with gold
And now the clouds, well they've covered over
And the wind is blowing cold
Well I don't need anybody, because I learned, I learned to be alone
Well I said anywhere, anywhere, anywhere I lay my head, boys
Well I gonna call my home"
Tom Wissimo
Wednesday, June 22, 2005
As ninjas
No Hyde Park, num domingo de muito sol, o dia mais quente em 36 anos segundo o Standard News, estava a passear e ver umas pequenas. Porem, sentia sempre em minha nuca um arrepio frio, como que sendo perseguido. Nao cheguei a perceber, mas depois, no conforto do meu lar de 1 metro quadrado e 11 neguinhos, vi que um grupo de ninjas estava atras de mim.
Elas se esconde nas sombras, as ninjas, se camuflam aos olhares mais atentos. Sao silensiosas tambem. Certa vez, andando na Edgware Road, vi uma como uma mordaca dourada na boca. Elas sempre passam. Nunca ficam, sempre de um lado pro outro, e sempre de preto. Mesmo estando sol, e mesmo sendo o verao mais quente em 36 anos.
Sao disciplinadas, as ninjas.
Elas nao andam com muita graca. Sao meio desengoncadas, como que se nao tivessem o costume de caminhar. Nao gingam, sao duras na desenvoltura. Falta balanco. Quando sozinhas consigo mesmas, se despem da mascara. Mas na presenca de desconhecidos, ou de uma camera indiscreta, se escondem quase que de imediato, e em algumas frestas se prestam a docura do olhar.
Elas se esconde nas sombras, as ninjas, se camuflam aos olhares mais atentos. Sao silensiosas tambem. Certa vez, andando na Edgware Road, vi uma como uma mordaca dourada na boca. Elas sempre passam. Nunca ficam, sempre de um lado pro outro, e sempre de preto. Mesmo estando sol, e mesmo sendo o verao mais quente em 36 anos.
Sao disciplinadas, as ninjas.
Elas nao andam com muita graca. Sao meio desengoncadas, como que se nao tivessem o costume de caminhar. Nao gingam, sao duras na desenvoltura. Falta balanco. Quando sozinhas consigo mesmas, se despem da mascara. Mas na presenca de desconhecidos, ou de uma camera indiscreta, se escondem quase que de imediato, e em algumas frestas se prestam a docura do olhar.
Saturday, June 11, 2005
Requiem pelo Kadetao
Ele surgiu na familia quando eu tinha 10 anos. Na epoca eu e meu irmao tinhamos que esperar a minha mae no portao lateral do colegio, pq ela nao nos deixava voltar a pe. Enquanto esperavamos, conhecemos um menino bobo de nome Ivo, que tambem tinha que esperar a mae chegar num Veraneio. De vez em quando pegavamos carona no Veraneio dele. De vez em quando, ele ia com a gente, no nosso famoso Kadetao.
O colegio foi passando, e ao meu irmao e ao Ivo eu agreguei mais amigos: Garavelli, Guilherme, Luciano, Mauricio, Glauco, Marcus, Fabrizio. Viramos a Mafia. E, claro, o Kadetao. Acho que por essa epoca a minha mae desistiu do carro, ganhou um mais novo, e passou o possante para o meu pai. Meu pai o usava para tocar os servicos de "peao": viajar pra ver obra, entrar em terreno e sujar sujar sujar. Ele jah tava comecando a mostrar uma certa fadiga. Comecava a falhar.
Nessa epoca o Kadet foi pro Gara, dar umas bandas em outra familia. Foi bem tratado lah, o Gara sempre gostou bastante dele.
Pois bem, completei 18 anos, tava no cursinho. Quando a minha carta de motorista veio, o Kadet passou pra mim. No primeiro dia que eu o peguei pra dirigir, o Glauco tava do meu lado, iamos pro Ivo, aquele mesmo moleque bobo do Batista. O carro estranhamente nao parava de morrer. Achei que era pq eu era motorista novo, nao controlava bem a embrenhagem. Cheguei no Ivo, e o cheiro de queimado me fez olhar pra baixo: tinha esquecido o freio de mao puxado.
Outras merdas vieram, mas o Kadet me ensinava bem: aprendi muito com ele. Lembro que quando entrei na faculdade, conheci esses dois caras, o Arturo e o Leandro. Era algum feriado, e resolvemos fazer um bate volta pra praia. Era a primeira vez que eu pegaria uma estrada, e eu resolvi falar pros meus pais que eu tava na casa de uns amigos. Tinha medo que eles proibissem. Pois bem, fomos a praia. E devo dizer que me sai muito bem. Dirigi perfeitamente. Estava cool, na estrada, de oculos escuro. Fomos pro Guaruja, o dia foi maravilhoso, muito sol.
Na volta, jah nas brumas do entardecer, pegamos o Kadetao, que haviamos deixado num estacionamento, quando eu descobri que havia esquecido meu oculos em casa. Soh estava com o escuro, entao quem voltou dirigindo foi o Arturo.
Foram bons momentos com aquele carro, vou sempre me lembrar dele com carinho. Mas ele estava velho, andava falhando muito.
A poucos dias atras, meu pai me avisou que vendeu o Kadet.
Fiquei triste, me senti sozinho e altamente melancolico. Nao pude evitar. Fui dormir mais cedo naquele dia e nos sonhos me veio a imagem: o kadet sozinho na garagem, triste desde que eu fui embora. Como um cachorro que olha pelo portao, e espera todo dia o retorno de seu dono, para poder mais uma vez brincar pela rua. Mas esse dono foi embora, foi viajar por um tempo, correr mundo, mas dessa vez sem o Kadet. E nos ultimos dias ele sentia muita dor, coitado. Estava velho, o Kadet, e o meu pai teve de abate-lo. Imagino ele no ceu dos carros que foram bons, ao lado do velho Dodginho do meu avo, paquerando uma Ferrari. O Kadet sempre foi um travesso.
Leva consigo um pouco de todo o mundo que jah rodou com ele: minha mae, meu pai, o Ivo, o tio Ari, os Garas, meu Irmao, toda a mafia, todos os FMs e todas as pessoas que foram, e sao, importantes na minha vida. E leva um pouco de mim tb.
Adeus, velho amigo.
O colegio foi passando, e ao meu irmao e ao Ivo eu agreguei mais amigos: Garavelli, Guilherme, Luciano, Mauricio, Glauco, Marcus, Fabrizio. Viramos a Mafia. E, claro, o Kadetao. Acho que por essa epoca a minha mae desistiu do carro, ganhou um mais novo, e passou o possante para o meu pai. Meu pai o usava para tocar os servicos de "peao": viajar pra ver obra, entrar em terreno e sujar sujar sujar. Ele jah tava comecando a mostrar uma certa fadiga. Comecava a falhar.
Nessa epoca o Kadet foi pro Gara, dar umas bandas em outra familia. Foi bem tratado lah, o Gara sempre gostou bastante dele.
Pois bem, completei 18 anos, tava no cursinho. Quando a minha carta de motorista veio, o Kadet passou pra mim. No primeiro dia que eu o peguei pra dirigir, o Glauco tava do meu lado, iamos pro Ivo, aquele mesmo moleque bobo do Batista. O carro estranhamente nao parava de morrer. Achei que era pq eu era motorista novo, nao controlava bem a embrenhagem. Cheguei no Ivo, e o cheiro de queimado me fez olhar pra baixo: tinha esquecido o freio de mao puxado.
Outras merdas vieram, mas o Kadet me ensinava bem: aprendi muito com ele. Lembro que quando entrei na faculdade, conheci esses dois caras, o Arturo e o Leandro. Era algum feriado, e resolvemos fazer um bate volta pra praia. Era a primeira vez que eu pegaria uma estrada, e eu resolvi falar pros meus pais que eu tava na casa de uns amigos. Tinha medo que eles proibissem. Pois bem, fomos a praia. E devo dizer que me sai muito bem. Dirigi perfeitamente. Estava cool, na estrada, de oculos escuro. Fomos pro Guaruja, o dia foi maravilhoso, muito sol.
Na volta, jah nas brumas do entardecer, pegamos o Kadetao, que haviamos deixado num estacionamento, quando eu descobri que havia esquecido meu oculos em casa. Soh estava com o escuro, entao quem voltou dirigindo foi o Arturo.
Foram bons momentos com aquele carro, vou sempre me lembrar dele com carinho. Mas ele estava velho, andava falhando muito.
A poucos dias atras, meu pai me avisou que vendeu o Kadet.
Fiquei triste, me senti sozinho e altamente melancolico. Nao pude evitar. Fui dormir mais cedo naquele dia e nos sonhos me veio a imagem: o kadet sozinho na garagem, triste desde que eu fui embora. Como um cachorro que olha pelo portao, e espera todo dia o retorno de seu dono, para poder mais uma vez brincar pela rua. Mas esse dono foi embora, foi viajar por um tempo, correr mundo, mas dessa vez sem o Kadet. E nos ultimos dias ele sentia muita dor, coitado. Estava velho, o Kadet, e o meu pai teve de abate-lo. Imagino ele no ceu dos carros que foram bons, ao lado do velho Dodginho do meu avo, paquerando uma Ferrari. O Kadet sempre foi um travesso.
Leva consigo um pouco de todo o mundo que jah rodou com ele: minha mae, meu pai, o Ivo, o tio Ari, os Garas, meu Irmao, toda a mafia, todos os FMs e todas as pessoas que foram, e sao, importantes na minha vida. E leva um pouco de mim tb.
Adeus, velho amigo.
Thursday, June 02, 2005
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