Agora o mundo gira. Nisso nao ha duvida, mas eh claro que muita gente duvida. Mas eu repito, nao importa o que aconteca, com ou sem Joao, com ou sem ninguem, o mundo gira, e nao a nada que se possa fazer sobre isso.
Mas a pergunta fica: se nao ha ninguem para ver que o mundo girou, o mundo realmente girou? Se nao ha ninguem para presenciar a existencia, sera que ela realmente existe? Um som eh som sem ninguem para ouvi-lo? Ora, o som se faz na presenca de um receptor, e o mundo soh passou a ser mundo a partir de quando alguem passou a reconhecer o mundo como o mundo. E o mundo, assim, girou.
Pois Joao via o mundo girar, e o mundo girava. Entre dia e noite, verao e inverno, Joao reconhecia sua propria existencia meramente pelo falo que ele reconhecia que o mundo girava. Vejam, isso eh um fato importante: tinha dias que ateh mesmo Joao duvidava que estava vivo. De vez em quando pensava: "Sera que nao estou mesmo morto como todo o mundo pensa que estou e soh eu estou errado?". Mas entao Joao via o mundo girar, e isso o tranquilizava. Pois veja voce: o mundo nao gira para os mortos, ele para no exato momento de seu ultimo suspiro.
Monday, February 25, 2008
A historia de Joao parte 4
Joao calejou. Um paria, um fantasma. Esquecido, nem gente nem bixo. Invisivel. Teve dias que preferia ter morrido, pois aos mortos sempre lembravam. O que era pior, quando alguem passava a sua frente, fingia nao ve-lo. Aos poucos Joao se tornava um recluso e soh saia debaixo da sombra de sua arvore para comer. Do alto de seu morro via a cidade se movimentar como uma peca de relogio aberta, seus habitantes comprindo funcao exata e sistematica para o funcionamento da maquina, e o tempo passava. Joao contemplava o ceu e o universo. Sua mente viajava entre as estrelas e o infinnito. Comecou a ter uma nocao melhor das coisas, do significado da vida.
Em um belo dia, quando olhava uma formiga que carregava um pedaco de folha para sua rainha, um estalo lhe veio: finalmente compreendera. O que? Ora, tudo. Entendera tudo. Comecou como ideia, depois virou verdade e por fim certeza. Joao riu. Melhor: gargalhou. Nao que achava aquilo engracado, nem tampouco gozava da verdade universal. Joao riu nao porque a verdade era bananal, mas sim porque era obvia.
Em um belo dia, quando olhava uma formiga que carregava um pedaco de folha para sua rainha, um estalo lhe veio: finalmente compreendera. O que? Ora, tudo. Entendera tudo. Comecou como ideia, depois virou verdade e por fim certeza. Joao riu. Melhor: gargalhou. Nao que achava aquilo engracado, nem tampouco gozava da verdade universal. Joao riu nao porque a verdade era bananal, mas sim porque era obvia.
Wednesday, November 07, 2007
A historia de Joao parte 3
Ela jurou um dia casar com Joao, mas isso foi antes de joao morrer. Claro que jah sabemos que Joao nao morreu, mas para ela sim: se vestiu de preto, fez luto. Quando avistava Joao andando pela praca, desmaiava: "vi um espirito" dizia. Dineide morava com sua irma mais velha, Joana, numa casa de dois comodos. Vivia as custas de costuras que fazia com a irma para as damas mais ricas da cidade; fazia bordados, vestidos, lantejoulas e tinha a fama de perfeccionista. Era relativamente jovem, estava no comeco de seus vinte anos, e poderia se casar de novo. Pretentende nao lhe faltara, era bonita: loira de olhos claros, corpo esbelto, olhar sereno. Os homens sempre a lhe cortejavam nas poucas vezes em que deixava a casa: ia a igreja todos os dias, e quando era nescessario ia ao armarinho. Joana insistia a irma a aceitar um dos convites: "o tempo passa e vc vai ficar sozinha". Dineide respondia: "sempre terei a ti, irma".
Claro que no fundo do amago queria sentir o calor de alguem, um toque mais intimo. Mas nao se entregava. Dineide soh amou a um homem, e a um homem soh amaria. Amou Joao, e Joao morrera. A ela soh restava a igreja, e a esperanca de um dia reencontrar seu amado em um lugar melhor.
Dineide continuou por mais 40 anos indo todos os dias a igreja, vestida de preto, ateh o dia em que morreu. Sua irma morrera cinco anos antes dela, e a Dineide nao se restou ninguem. Solitaria, o povo da cidade, nos anos antes de morrer, a apelidou de Viuva Negra. No final, ela jah nao costurara, quase nao comia, tinha dificuldades para andar e perdera a nocao das coisas e do tempo. Confundia as pessoas, as vezes chorava no meio da rua, pensando ser aquele o dia em que Joao morrera. Nao lhe restou um centavo, e nunca suspeitou da pessoa que lhe deixava na porta algum dinheiro e um pouco de comida. No dia de sua morte, estava voltando devagar da igreja quando sentiu seu coracao doer. Caiu de joelhos no meio da praca, mas ninguem a percebeu. Se pos de peh com dificuldade, mas a dor que sentia lhe tirava aos poucos a forca que lhe restara. Um homem entao lhe acudiu, a segurou na cintura e a acompanhou ateh a casa empoeirada de Dineide. Ele a pos na cama, a cobriu e beijou-lhe a boca.
Dineide, entre a dor e o canssaco entre o tempo e as coisas, entre a vida e a morte, consegui enxergar nas rugas e barbas daquele velho senhor o homem que um dia amava. Entao a dor o cassaco o tempo as coisas a vida jah nao existiam mais. Dineide morrera. Em seu enterro, ninguem chorou por ela, somente um morto que nao a teve em vida e nem em morte.
Claro que no fundo do amago queria sentir o calor de alguem, um toque mais intimo. Mas nao se entregava. Dineide soh amou a um homem, e a um homem soh amaria. Amou Joao, e Joao morrera. A ela soh restava a igreja, e a esperanca de um dia reencontrar seu amado em um lugar melhor.
Dineide continuou por mais 40 anos indo todos os dias a igreja, vestida de preto, ateh o dia em que morreu. Sua irma morrera cinco anos antes dela, e a Dineide nao se restou ninguem. Solitaria, o povo da cidade, nos anos antes de morrer, a apelidou de Viuva Negra. No final, ela jah nao costurara, quase nao comia, tinha dificuldades para andar e perdera a nocao das coisas e do tempo. Confundia as pessoas, as vezes chorava no meio da rua, pensando ser aquele o dia em que Joao morrera. Nao lhe restou um centavo, e nunca suspeitou da pessoa que lhe deixava na porta algum dinheiro e um pouco de comida. No dia de sua morte, estava voltando devagar da igreja quando sentiu seu coracao doer. Caiu de joelhos no meio da praca, mas ninguem a percebeu. Se pos de peh com dificuldade, mas a dor que sentia lhe tirava aos poucos a forca que lhe restara. Um homem entao lhe acudiu, a segurou na cintura e a acompanhou ateh a casa empoeirada de Dineide. Ele a pos na cama, a cobriu e beijou-lhe a boca.
Dineide, entre a dor e o canssaco entre o tempo e as coisas, entre a vida e a morte, consegui enxergar nas rugas e barbas daquele velho senhor o homem que um dia amava. Entao a dor o cassaco o tempo as coisas a vida jah nao existiam mais. Dineide morrera. Em seu enterro, ninguem chorou por ela, somente um morto que nao a teve em vida e nem em morte.
Tuesday, November 06, 2007
Friday, November 02, 2007
A historia de Joao parte 2
Agora um professor meu diria: "Cade a apresentaçåo do personagem? De onde ele vem? como ele eh? O leitor tem que se indentificar com ele". Ora, caro professor, que mais belo jeito de apresentar Joao do que comentar sua escolha pela arvore a plantar, uma existencia ligada a outra, tao importante para o desenvolvimento do personagem.
Nao eh coisa facil, imagine voce. Existem tantos tipos de arvore a ser. Saber o tipo de madeira que enfim o carregaria desta vida era tarefa ardua. Joao pensou em mogona, madeira fina, cor imponente. Pensou em carvalho, o carvalho eh mais facil de cuidar e carregar. Mas cresce muito rapido, pensou. Entao o figo, a macieira, o peh de laranja-limea, talvez alguma coisa que lhe traga sombra e comida. Alguma coisa doce. Ou o peh de canela, mas esse nao cresce muito. Pensou tanto, qual madeira se aplicava mais a sua ideologia, decidiu por uma coisa mais regional: monjoleiro, juqueri-guaçu, maricá, paricarana-de-espinho, casca-d'anta, castanheiro, eucalipito,magnolia e assim vai. Sao muitas, as arvores.
Joao decidiu por uma de cor especial, um vermelho profundo que mancha. Muito usada por ex nativos para colorir roupas, Joao achou essa arvore especial. Cresce no tempo certo, fica na altura ideal, da sombra e conforto que Joao vai precisar nos anos que ele ira viver. Pegou sua semente, escolheu um pedaco de terra boa e macia, abriu um pequeno buraco e plantou aquele pedaco de vida.
Nao eh coisa facil, imagine voce. Existem tantos tipos de arvore a ser. Saber o tipo de madeira que enfim o carregaria desta vida era tarefa ardua. Joao pensou em mogona, madeira fina, cor imponente. Pensou em carvalho, o carvalho eh mais facil de cuidar e carregar. Mas cresce muito rapido, pensou. Entao o figo, a macieira, o peh de laranja-limea, talvez alguma coisa que lhe traga sombra e comida. Alguma coisa doce. Ou o peh de canela, mas esse nao cresce muito. Pensou tanto, qual madeira se aplicava mais a sua ideologia, decidiu por uma coisa mais regional: monjoleiro, juqueri-guaçu, maricá, paricarana-de-espinho, casca-d'anta, castanheiro, eucalipito,magnolia e assim vai. Sao muitas, as arvores.
Joao decidiu por uma de cor especial, um vermelho profundo que mancha. Muito usada por ex nativos para colorir roupas, Joao achou essa arvore especial. Cresce no tempo certo, fica na altura ideal, da sombra e conforto que Joao vai precisar nos anos que ele ira viver. Pegou sua semente, escolheu um pedaco de terra boa e macia, abriu um pequeno buraco e plantou aquele pedaco de vida.
Wednesday, October 31, 2007
A historia de Joao parte 1
Decidi contar uma historia aqui nesse blog. Vou tentar ser o mais prolifico o possivel, mas se nao conseguir me desculpem, afinal sou um homem ocupado. Enfim, essa sera a historia de Joao. Voces vejam, Joao mora em um lugar ficticio, uma cidade levantada e construida no fundo da minha caxola, com personagens ficticios, nunca antes ateh entao imaginados. Se por um acaso vc conheca um Joao muito parecido com este aqui que eu vou escrever, e que mora numa cidade como essa que vc lera, entao sera uma grande coincidencia. Nossa odisseia comeca em uma momento decisivo na vida de Joao, quando por determinacao da Justica ele teria de ser cruxificado. Boa leitura:
A HISTORIA DE JOAO
Aconteceu naquele ano de a madeira acabar. Foi como se tivesse sumido: foram tantos cruxificados que a fonte secou. Tiveram de pedir a Joao para descer da cruz, pois a iam usar para construir uma casa, uma cadeira e uma pequena carroca. Vai ter de esperar, disseram a Joao, ateh que cresca mais. Por causa da secura mudaram o jeito de matar gente, e condenado agora era degolado. Joao seria o ultimo a ser cruxificado, mas a madeira era nescessaria. Quiseram degolar Joao, mas isso nunca havia sido feito: contrariar uma sentenca do Page seria contrariar o proprio Deus. A solucao encontrada foi oferecida por Joao mesmo: ele plantaria um arvore especialmente para sua cruxificacao, e ele mesmo se encaregaria de cuidar da planta, de regar e adubar, e se algo acontecesse com a arvore, entao isso poderia ser visto como um crime passivel da nova punicao.
...
A HISTORIA DE JOAO
Aconteceu naquele ano de a madeira acabar. Foi como se tivesse sumido: foram tantos cruxificados que a fonte secou. Tiveram de pedir a Joao para descer da cruz, pois a iam usar para construir uma casa, uma cadeira e uma pequena carroca. Vai ter de esperar, disseram a Joao, ateh que cresca mais. Por causa da secura mudaram o jeito de matar gente, e condenado agora era degolado. Joao seria o ultimo a ser cruxificado, mas a madeira era nescessaria. Quiseram degolar Joao, mas isso nunca havia sido feito: contrariar uma sentenca do Page seria contrariar o proprio Deus. A solucao encontrada foi oferecida por Joao mesmo: ele plantaria um arvore especialmente para sua cruxificacao, e ele mesmo se encaregaria de cuidar da planta, de regar e adubar, e se algo acontecesse com a arvore, entao isso poderia ser visto como um crime passivel da nova punicao.
...
7
Dia das Bruxas. Engracado, esse feriado veio de uma comemoracao paga, uma antiga religiao Irlandesa que acretiva em Leprecham, pequenos duendes e na Deusa naturesa. Claro, veio a religiao Catolica, os romanos, e proibirao tudo. Aquilo era pecado, e praticar aquilo era bruxaria. Especialmente hoje, homenageiam-se os mortos. Por isso a fantasia, os doces, a comunhao.
Vou sair a noite, feito um menino bobo, e pedir guloseimas por ai. Nao consigo decidir a fantasia, nao sei o que quero ser. Tem uma loja de fantasias aqui perto de casa, e eles tem de tudo. O mais impressionante era a roupa de Thor, eu tive de experimentar. Mas nao tinha nada que eu quis...
Pensei em ser um abacate. E por que nao: abacates sao garbosos, tem um formato diferente, sao dificeis de indentificar: ou fruta ou legume. Mas tambem pensei em ser uma cenoura, alem de serem laranjas, cor dificil de se ver por ai, cenouras vivem debaixo da terra, sao raizes. Acabei decidindo por nao ser um vegetal, nao sou uma pessoa vegetal, simplesmente nao eh quem eu sou...
O que ser entao? Talvez Thor, filho de Odim, Deus do trovao e das tempestades. Nao, nao sou loiro nem nordico. Talvez outro Deus entao; poderia ser Deus, pq nao? Deuses sao divertidos, tem poderes e poucas inibicoes, mandam enchentes por diversao, pedem para matar o filho de alguem para provar o amor por eles. Sim, poderia ser Baco, Deus do vinho! Bacanais a noite inteira, multiplicaria peixes e transformaria agua em vinho.
Bah, sem graca. Deus nao eh pra mim, acho que funciona como quem quer ser um politico: sempre as pessoas que querem sao as menos indicadas a serem. Alias, essa frase foi bem filosofica: quem sabe nao sou hoje um filosofo. Seria simples, nao teria de me fantasiar, ficaria em casa pensando sobre a vida e o sentido de tudo mais, escreveria minhas teorias e no fim me mataria por ter compreendido demais... Hurgh, nao. Muita sujeira.
Acho que terei de me contentar por ser o que eu sou, assim que descobrir exatamente o que sou. Soh espero que com a minha fantasia de Rodrigo eu ainda possa sair pela rua a pedir docinhos.
Vou sair a noite, feito um menino bobo, e pedir guloseimas por ai. Nao consigo decidir a fantasia, nao sei o que quero ser. Tem uma loja de fantasias aqui perto de casa, e eles tem de tudo. O mais impressionante era a roupa de Thor, eu tive de experimentar. Mas nao tinha nada que eu quis...
Pensei em ser um abacate. E por que nao: abacates sao garbosos, tem um formato diferente, sao dificeis de indentificar: ou fruta ou legume. Mas tambem pensei em ser uma cenoura, alem de serem laranjas, cor dificil de se ver por ai, cenouras vivem debaixo da terra, sao raizes. Acabei decidindo por nao ser um vegetal, nao sou uma pessoa vegetal, simplesmente nao eh quem eu sou...
O que ser entao? Talvez Thor, filho de Odim, Deus do trovao e das tempestades. Nao, nao sou loiro nem nordico. Talvez outro Deus entao; poderia ser Deus, pq nao? Deuses sao divertidos, tem poderes e poucas inibicoes, mandam enchentes por diversao, pedem para matar o filho de alguem para provar o amor por eles. Sim, poderia ser Baco, Deus do vinho! Bacanais a noite inteira, multiplicaria peixes e transformaria agua em vinho.
Bah, sem graca. Deus nao eh pra mim, acho que funciona como quem quer ser um politico: sempre as pessoas que querem sao as menos indicadas a serem. Alias, essa frase foi bem filosofica: quem sabe nao sou hoje um filosofo. Seria simples, nao teria de me fantasiar, ficaria em casa pensando sobre a vida e o sentido de tudo mais, escreveria minhas teorias e no fim me mataria por ter compreendido demais... Hurgh, nao. Muita sujeira.
Acho que terei de me contentar por ser o que eu sou, assim que descobrir exatamente o que sou. Soh espero que com a minha fantasia de Rodrigo eu ainda possa sair pela rua a pedir docinhos.
Saturday, October 27, 2007
6
Quando o meu irmao saiu do armario, meu pai nao se conformava. Primeiro, tentou convenser o meu irmao de que era anormal aquilo "vc tem certeza? pode ser soh fase...". Mas o meu irmao batia o pe: "Eh isso o que eu sou agora. Vc pode nao gostar, nao concordar, nao me importa". Papai o xingava de ovelha-negra, ameacava-o de lhe cortar a heranca. Apontava pra mim e dizia pro Dudu: "Pq vc nao pode ser igual ao seu irmao". Dudu, aos prantos, clamava que nao tinha nada de errado ser o que ele era. A situacao chegou ao ponto de minha mae ter de interferir: "Durval, vc nao pode tratar o seu filho assim. Nao importa o que ele seja". Mas nao adiantava. Mamae ateh vestia a camisa de meu irmao, mas nao era a mesma coisa.
Meu Pai acusou um amigo de Dudu: "eh por causa daquele moleque. Eu vi vcs dois juntos..." "ele nao tem nada a ver" meu irmao gritava. "Eu eh que quis". Meu pai baixa a cabeca: "O que eu fiz de errado?".
Isso foi ha alguns anos atras. A situacao, de lah pra ca melhorou. Meu pai convive bem com o meu irmao, aceita melhor o que ele eh. Enquanto a mim, eu jah vi homem trocar de namorada, esposa, religiao, emprego, cidade. Mas eu nunca vi ninguem trocar de time de futebol, e por mais que meu pai tentasse, meu irmao era o que era: Palmeirense.
Meu Pai acusou um amigo de Dudu: "eh por causa daquele moleque. Eu vi vcs dois juntos..." "ele nao tem nada a ver" meu irmao gritava. "Eu eh que quis". Meu pai baixa a cabeca: "O que eu fiz de errado?".
Isso foi ha alguns anos atras. A situacao, de lah pra ca melhorou. Meu pai convive bem com o meu irmao, aceita melhor o que ele eh. Enquanto a mim, eu jah vi homem trocar de namorada, esposa, religiao, emprego, cidade. Mas eu nunca vi ninguem trocar de time de futebol, e por mais que meu pai tentasse, meu irmao era o que era: Palmeirense.
Wednesday, October 24, 2007
Thursday, October 11, 2007
5
O que se estuda e discute aqui eh completamente diferente do que no Brasil. O engracado eh que as referencias sao quase as mesmas, Baudeliare, Barthes, Socretes e ai vai. Mas o enfoque eh outro. Os Europeus nao tem que se preocupar, por exemplo, se vai levar um tiro na cabeca toda vez que vai sair de casa, ou fechar os vidros do carro quando num semaforo vermelho. Isso falando numa perspectiva de classe media.
Um fato curioso, tb, eh que eu tenho mais medo do Brasil estando na Inglaterra. Quando em Sao Paulo, a violencia nao parecia tanta, ou melhor: talvez fosse normal. Minha indignacao nao era tanta, um ladrao matar ou um policial torturar era o cotidiano, nao chocava. Mas alem tambem, ha uma cultura do medo maior aqui fora. Toda vez que falo que venho do Brasil, as pessoas arregalam os olhos, prendem a respiracao. Acham curioso eu ser vivo, perguntam se eu sofro muito, ou pior: nao perguntam nada. Mas eu sei. De uma maneira, Cidade de Deus eh a realidade. Um preto revoltado com a vida e policial corrupto. Causa e consequencia, uma realidade branco-e-preto propagada por nos mesmos. Bunda e samba.
Eu digo que o pior do Brasil eh o Brasileiro. Jah fui pra Africa, e nao vi violencia. Jah fui pra Europa Ocidental, e nao se cometem crimes a tordo e a direito. O Brasil eh um paiz lindo com pessoas boas, eu vim de lah e eu posso dizer que eu amo tudo aquilo. Mas de um jeito ou de outro, sempre me traz maneiras de me deixar extremamente depressivo e triste.
Um fato curioso, tb, eh que eu tenho mais medo do Brasil estando na Inglaterra. Quando em Sao Paulo, a violencia nao parecia tanta, ou melhor: talvez fosse normal. Minha indignacao nao era tanta, um ladrao matar ou um policial torturar era o cotidiano, nao chocava. Mas alem tambem, ha uma cultura do medo maior aqui fora. Toda vez que falo que venho do Brasil, as pessoas arregalam os olhos, prendem a respiracao. Acham curioso eu ser vivo, perguntam se eu sofro muito, ou pior: nao perguntam nada. Mas eu sei. De uma maneira, Cidade de Deus eh a realidade. Um preto revoltado com a vida e policial corrupto. Causa e consequencia, uma realidade branco-e-preto propagada por nos mesmos. Bunda e samba.
Eu digo que o pior do Brasil eh o Brasileiro. Jah fui pra Africa, e nao vi violencia. Jah fui pra Europa Ocidental, e nao se cometem crimes a tordo e a direito. O Brasil eh um paiz lindo com pessoas boas, eu vim de lah e eu posso dizer que eu amo tudo aquilo. Mas de um jeito ou de outro, sempre me traz maneiras de me deixar extremamente depressivo e triste.
Thursday, October 04, 2007
4
De alguma maneira eu sou o membro da minha familia que jah foi mais longe nesse mundo. Bem, ao menos em se tratando de lugar. Jah visitei a Africa, Europa, America do Norte. Jah fui na cidade mais ao sul do mundo, e pretendo ir para a mais norte em breve, se bem que jah fui para a escocia tb. No Brasil jah fui de norte a sul. Conheco meu estado, Sao paulo, de ponta a ponta, literalmente jah fui ateh o pontal do paranapanema. Meu litoral jah fiz todinho, fui de sao paulo ao nordeste de onibus, acampei numa ilha de pescadores. Pra baixo jah fui de onibus ateh o Rio Grande tb. Conheco mais cidades inglesas que muito ingles, mais paizes Europeus que muitos nesse continente. Jah vi o mediterraneo, Pacifico e Atlantico.
Sei que parece auto-promocao ou coisa assim, e de certa maneira eh. Vejo meu passaporte como uma conquista: nao soh dos lugares que eu jah visitei, mas principalmente do lugar de onde eu vim.
Sei que parece auto-promocao ou coisa assim, e de certa maneira eh. Vejo meu passaporte como uma conquista: nao soh dos lugares que eu jah visitei, mas principalmente do lugar de onde eu vim.
Monday, October 01, 2007
O ataque dos maldinavios sabatinos
Se fosse um lugar, seria como outro lugar qualquer: abaixo do ceu, acima da terra. Mas nao era, e por nao se saber o que era classificou-se por Ephemero. Os sabatinos, sabidos como passageiros reinantes daquele nao-lugar, quando em quando em orgiaticas refeicoes dominicais, se atracavam num combate fulgas e melodramatico.
Maldinavios, diziam sem falar.
Maldinavios, diziam sem falar.
"Except for the pink nose, he was white as a white squirrel can be. He was apparently playing with other grey blackish squirrels with pink noses. They were on a green grass of a hillside park, near a not-so-high-not-that-small tree full of brown nuts. The sun was shining bright on the blue sky illuminating those high spirited animals jumping from one place to another, their white and grey blackish tails floating on the air, squishing to one another and rubbing their heads. It was, indeed, a very beautiful scene, a ballet of very precise moves, but I disturbed everything with my look and curiosity when I came close and all the squirrels started to run away leaving me forever alone."
Thursday, September 06, 2007
3
Eu vi em um noticiario aqui da Inglaterra que recentemente foram descobertos documentos que comprovavam que la pelos anos 20 o MI5, a CIA do Reino Unido, costumava a vigiar George Orwell. Pra quem nao sabe, George Orwell cunhou o termo Big Brother (grande irmao) no livro 1984, e pros que pensam que isso eh soh um nome de um programa esdruxulo de TV, na verdade eh uma metafora de uma sociedade de controle, extremamente vigiada.
O engracado disso tudo eh que, fora o 1984, os livros de George eram sempre carregados por uma extrema paranoia. Os personagens dos romences desse escritor sempre achavam que alguem os olhava, e sempre com medo do estado. Isso era um reflexo do proprio escritor e oitenta anos depois descrobrimos que ele tinha razao. Na sociedade que imaginou e na paranoia que tinha.
O engracado disso tudo eh que, fora o 1984, os livros de George eram sempre carregados por uma extrema paranoia. Os personagens dos romences desse escritor sempre achavam que alguem os olhava, e sempre com medo do estado. Isso era um reflexo do proprio escritor e oitenta anos depois descrobrimos que ele tinha razao. Na sociedade que imaginou e na paranoia que tinha.
Monday, August 27, 2007
1
Voltei... Porque se a gente continua indo, sempre dá a volta.
Eu tive a infeliz idéia, na minha despedida do Brasil, de jogar futebol com os amigos. Torci meu tornozelo três dias antes de partir. Aparentemente, nao se viaja engessado, entao comprei uma tala removivel, bem moderninha. Cheguei no aeroporto, com meus pais, meu irmao e a tia Fatima. Por causa da tala, eu furei a fila das bagagens, e me arranjaram uma cadeira de rodas. No aviao, nao dormi. Por onze horas. Cheguei a França, me arranjaram uma cadeira de rodas pro translado. Porem, aqueles malditos franceses. Ai que raiva.
Uma mulher veio me buscar, na porta do aviao, com a cadeira e me levou ateh uma parte do terminal. Ai apareceu um novo cara, num carro, pra me levar pra outro terminal. Chegando nesse outro terminal, fui deixado numa sala, e me pediram para esperar que outra pessoa iria me buscar. Meu voo era as 12:20. Eu esperei quarenta minutos por esse filho da puta, que nao apareceu. 12:50, me desesperei e fui, andando, para o portao. Porem, vc mesmo no translado, na porra da França, eh revistado. Entao uma mulher, outra grandessissima filha de uma puta, me fez tirar tudo da minha mala de mao, e tambem me fez tirar a tala, e nao bastasse isso, me fez andar no detector de metais. Passado isso, eh logico, meu aviao decolou sem mim. Indignido, eu fui informado, educadamente pela mulher da Air France, que a culpa era minha, que nao esperei.
Bom, remarquei outro aviao pra duas horas depois. Cheguei em Londres, cadeira de rodas me esperava, imigraçao e essa coisa toda. Na hora de coletar a bagagem, eis que descubro outra peripecia dessa merda de compania aerea: eles haviam esquecido a minha bagagem. Fui ao balcao proprio para isso, preenchi o formulario, e me avisaram que eu nao precisava me preocupar, a minha bagagem estaria em casa no mesmo dia. Caso ao contrario, a Air France teria de dar um dinheiro, ou um kit, pra escova de dente, desodorante, shampoo, sabonete e uma troca de roupa. Mas como era no mesmo dia que eu teria a minha bagagem, nao precisavam.
Eu soh fui ver a minha bagagem dois dias depois. DOIS DIAS DEPOIS.
E em um cartaz escrito: "Welcome back Rodrigo. We missed you"
Eu tive a infeliz idéia, na minha despedida do Brasil, de jogar futebol com os amigos. Torci meu tornozelo três dias antes de partir. Aparentemente, nao se viaja engessado, entao comprei uma tala removivel, bem moderninha. Cheguei no aeroporto, com meus pais, meu irmao e a tia Fatima. Por causa da tala, eu furei a fila das bagagens, e me arranjaram uma cadeira de rodas. No aviao, nao dormi. Por onze horas. Cheguei a França, me arranjaram uma cadeira de rodas pro translado. Porem, aqueles malditos franceses. Ai que raiva.
Uma mulher veio me buscar, na porta do aviao, com a cadeira e me levou ateh uma parte do terminal. Ai apareceu um novo cara, num carro, pra me levar pra outro terminal. Chegando nesse outro terminal, fui deixado numa sala, e me pediram para esperar que outra pessoa iria me buscar. Meu voo era as 12:20. Eu esperei quarenta minutos por esse filho da puta, que nao apareceu. 12:50, me desesperei e fui, andando, para o portao. Porem, vc mesmo no translado, na porra da França, eh revistado. Entao uma mulher, outra grandessissima filha de uma puta, me fez tirar tudo da minha mala de mao, e tambem me fez tirar a tala, e nao bastasse isso, me fez andar no detector de metais. Passado isso, eh logico, meu aviao decolou sem mim. Indignido, eu fui informado, educadamente pela mulher da Air France, que a culpa era minha, que nao esperei.
Bom, remarquei outro aviao pra duas horas depois. Cheguei em Londres, cadeira de rodas me esperava, imigraçao e essa coisa toda. Na hora de coletar a bagagem, eis que descubro outra peripecia dessa merda de compania aerea: eles haviam esquecido a minha bagagem. Fui ao balcao proprio para isso, preenchi o formulario, e me avisaram que eu nao precisava me preocupar, a minha bagagem estaria em casa no mesmo dia. Caso ao contrario, a Air France teria de dar um dinheiro, ou um kit, pra escova de dente, desodorante, shampoo, sabonete e uma troca de roupa. Mas como era no mesmo dia que eu teria a minha bagagem, nao precisavam.
Eu soh fui ver a minha bagagem dois dias depois. DOIS DIAS DEPOIS.
E em um cartaz escrito: "Welcome back Rodrigo. We missed you"
Monday, March 19, 2007
Hoje eu vou pro aeroporto, dormirei lah, jah que o meu voo sai de manha, e amanha estarei no Brasil. Por sorte achei uma conexao de internet, entao posso me despedir desse blog apropriadamente. Gostaria de ir embora e mandar um aceno quando olhar pra traz, eh mais facil e indolor, mas nao eh proprio. Afinal foram dois anos de contos e nao se vai assim, com um aceno. Queira primeiro, meu blog, pedir-lhe desculpas pelas mentiras verdadeiras e verdades duvidosas, vc sabe que foram todas sinceras. E mais ainda pelos omissos, nunca se sabe quem vai ler, e sempre eh bom guardar um misterio. Pelos tempos em que o esqueci, estava ocupado, ou mesmo com preguica. Obrigado pela compania.
E com um abraco (e um sussurro no ouvido) nos vamos.
Te vejo em breve.
Adeus.
E com um abraco (e um sussurro no ouvido) nos vamos.
Te vejo em breve.
Adeus.
Thursday, February 22, 2007
Elenor Rigby
Um amigo um dia me falou que nesse vida eh preciso ter prasos. Nao importa o quanto, ao menos que vc cumpra aquilo que vc quer no tempo que se deu. Determine o que vc quer, ele me disse, e quanto tempo vc se dah pra chegar naquilo. E se esse tempo passou e vc nao conseguiu, azar.
Sete meses e eu me dei mais um ano. Vim com algumas coisas em mente. Queria uma pos, mas isso eu joguei pra cima. Era muito caro, mais do que eu esperava. Mas tentei. Queria ir ao maximo de shows que pudesse: fui nos do U2 (argh), kings of Leon (duas vezes), Iron Maiden, Foo Fighters, Pixies, Iggy Pop, Mark Knofner, Paul Maccarteney, White Stripes, Audioslave, Strokes, Frans Ferdinand, The Killers, Kaiser Chiefs, Buzzcocks e varios outros que nao me lembro mais. Eu comprei um skate e andei com ele por uns bons tres meses, ia pra todo lugar, atropelava pedestres e era atropelado por carros (duas vezes) e caia muito, muito.
Comprei uma bicicleta tambem, mas essa eu soh usei por um mes. Me lembro uma vez de quase ter morrido com ela: estava andando de calca jeans numa via expressa quando a barra enganchou no pedal. A bicicleta trepidou, eu nao conseguia pedalar e meu equilibrio foi dificultado jah que o meu corpo teve de se inclinar um pouco mais pra direita. Nao cai por desespero, quando vi um enorme onibus de dois andares, um juggernaut vermelho atras de mim, forcei a calca ateh rasgala completamente. Recuperado o equilibrio parei na calcada e calmamente andei de volta pra casa.
Queria viajar: conheci Paris, Bruxelas, Liverpoll (piscina de figado), Dublin, Berlin (ah!), Auschwits, Krakovia, Amsterdan, Edingburgh, Oxford, Cardiff, Hannover e estou indo pra Marrakesh. Ainda queria ver mais, fiquei devendo a sicilia, Praga e Turquia, mas fica pro proximo ano (novo praso).
Aprendi ingles, desaprendi portugues. Conheci amigos novos e pessoas que dificilmente reverei nessa minha vida. Mas nunca se sabe. Conversei com gente de paises dos quais nunca ouvi falar: do leste europeu, alguns africanos, um monte de arabes e alguns asiaticos. Um de uma ilha no sul da Africa dominada pela Franca. Eu esqueci o nome da ilha, mas o ser parecia saido de algum elo perdido. Meus amigos da Costa do Marfin, nos quais prometi visitar-los.
Tive de me virar e agora eu sei cosinhar, lavar e passar, o que de fato nao eh tao dificil. Queria poder dizer que estou mais organisado, mas chegeui a conclusao que isso estah no meu gene, eh incuravel. Nao me incomodo porem: me acho na minha bagunca. Alem do mais, uma gaveta em ordem eh uma gaveta vazia.
Me dei esse praso, e eh com satisfacao que estou indo embora. Sinto que conquistei o que queria. Agora me dou novos prasos, coisa minha. Alias, passei num exame e comeco em setembro minha pos-graduacao, mestrado na area de fotografia pela Kent University of Arts. E quero passar o ano novo desse ano na Polonia, nas montanhas e no meio de muita neve. E o natal em Praga!!! No ano que vem quero jogar bola na Costa do Marfin, e nadar pelado nas ilhas Gregas e conhecer as piramides no Egito. Uma amiga me convidou pra visita-la no japao, e eu quero subir o monte Fuji. E definitivamente eu quero voltar a fazer alpinismo, comprar uma camera digital nova, arranjar um emprego num estudio, ler crime e castigo, dancar no casamento do meu irmao, comer uma bela feijoada, abracar minha querida mae, rever os meus amigos e familia e comer um petit gateau com o meu pai no Frans cafeh.
Eu faria uma lista completa com tudo que eu quero, com datas e praso e custo e coisa e tal. Mas eu nao sou disso. Ademais, me acho na minha bagunca.
Sete meses e eu me dei mais um ano. Vim com algumas coisas em mente. Queria uma pos, mas isso eu joguei pra cima. Era muito caro, mais do que eu esperava. Mas tentei. Queria ir ao maximo de shows que pudesse: fui nos do U2 (argh), kings of Leon (duas vezes), Iron Maiden, Foo Fighters, Pixies, Iggy Pop, Mark Knofner, Paul Maccarteney, White Stripes, Audioslave, Strokes, Frans Ferdinand, The Killers, Kaiser Chiefs, Buzzcocks e varios outros que nao me lembro mais. Eu comprei um skate e andei com ele por uns bons tres meses, ia pra todo lugar, atropelava pedestres e era atropelado por carros (duas vezes) e caia muito, muito.
Comprei uma bicicleta tambem, mas essa eu soh usei por um mes. Me lembro uma vez de quase ter morrido com ela: estava andando de calca jeans numa via expressa quando a barra enganchou no pedal. A bicicleta trepidou, eu nao conseguia pedalar e meu equilibrio foi dificultado jah que o meu corpo teve de se inclinar um pouco mais pra direita. Nao cai por desespero, quando vi um enorme onibus de dois andares, um juggernaut vermelho atras de mim, forcei a calca ateh rasgala completamente. Recuperado o equilibrio parei na calcada e calmamente andei de volta pra casa.
Queria viajar: conheci Paris, Bruxelas, Liverpoll (piscina de figado), Dublin, Berlin (ah!), Auschwits, Krakovia, Amsterdan, Edingburgh, Oxford, Cardiff, Hannover e estou indo pra Marrakesh. Ainda queria ver mais, fiquei devendo a sicilia, Praga e Turquia, mas fica pro proximo ano (novo praso).
Aprendi ingles, desaprendi portugues. Conheci amigos novos e pessoas que dificilmente reverei nessa minha vida. Mas nunca se sabe. Conversei com gente de paises dos quais nunca ouvi falar: do leste europeu, alguns africanos, um monte de arabes e alguns asiaticos. Um de uma ilha no sul da Africa dominada pela Franca. Eu esqueci o nome da ilha, mas o ser parecia saido de algum elo perdido. Meus amigos da Costa do Marfin, nos quais prometi visitar-los.
Tive de me virar e agora eu sei cosinhar, lavar e passar, o que de fato nao eh tao dificil. Queria poder dizer que estou mais organisado, mas chegeui a conclusao que isso estah no meu gene, eh incuravel. Nao me incomodo porem: me acho na minha bagunca. Alem do mais, uma gaveta em ordem eh uma gaveta vazia.
Me dei esse praso, e eh com satisfacao que estou indo embora. Sinto que conquistei o que queria. Agora me dou novos prasos, coisa minha. Alias, passei num exame e comeco em setembro minha pos-graduacao, mestrado na area de fotografia pela Kent University of Arts. E quero passar o ano novo desse ano na Polonia, nas montanhas e no meio de muita neve. E o natal em Praga!!! No ano que vem quero jogar bola na Costa do Marfin, e nadar pelado nas ilhas Gregas e conhecer as piramides no Egito. Uma amiga me convidou pra visita-la no japao, e eu quero subir o monte Fuji. E definitivamente eu quero voltar a fazer alpinismo, comprar uma camera digital nova, arranjar um emprego num estudio, ler crime e castigo, dancar no casamento do meu irmao, comer uma bela feijoada, abracar minha querida mae, rever os meus amigos e familia e comer um petit gateau com o meu pai no Frans cafeh.
Eu faria uma lista completa com tudo que eu quero, com datas e praso e custo e coisa e tal. Mas eu nao sou disso. Ademais, me acho na minha bagunca.
Tuesday, February 06, 2007
and if I have to go will you remember me
or will you find someone else while i'm away?
there's nothing for me in this world full of strangers
it's all somebody else's idea, i don't belong here
and you can't go with me, you'll only slow me down
until i send for you, don't wear your hair that way
and if you cannot be true i will understand
tell all the others you hold in your arms
that i said i would come back for you
i'll leave my jacket to keep you warm
that's all that i can do
anf if i have to go will you remember me
or will you find someone else while i'm away...
Tom Waits (denovo e sempre)
or will you find someone else while i'm away?
there's nothing for me in this world full of strangers
it's all somebody else's idea, i don't belong here
and you can't go with me, you'll only slow me down
until i send for you, don't wear your hair that way
and if you cannot be true i will understand
tell all the others you hold in your arms
that i said i would come back for you
i'll leave my jacket to keep you warm
that's all that i can do
anf if i have to go will you remember me
or will you find someone else while i'm away...
Tom Waits (denovo e sempre)
The Long Way Home
Well I stumbled in the darkness
I'm lost and alone
Thought I said I'd go before us
to show the way back home
Is there a light up ahead
I can't hold on very long
Forgive me pretty baby
I always take the long way home
Money's just something you throw
off the a back of a train
I got a head full of lightning
And a hat full of rain
And I know that I said
That I'd never do it again
I love you pretty baby
But I always take the long way home
I put food on the table
And a roof over our head
But I'd trade all tomorow
For the higway instead
Watch your back
Keep your eyes shut tight
Your love is the only thing I've ever know
But one thing's for sure pretty baby
I'll always take the long way home
I love you baby
More than the whole wide world
you are my woman you know
You are my pearl
Let's go out
Past the party lights
Where we can finally be alone
Come with me and together we
Can take the long way home
Tom Waits
I'm lost and alone
Thought I said I'd go before us
to show the way back home
Is there a light up ahead
I can't hold on very long
Forgive me pretty baby
I always take the long way home
Money's just something you throw
off the a back of a train
I got a head full of lightning
And a hat full of rain
And I know that I said
That I'd never do it again
I love you pretty baby
But I always take the long way home
I put food on the table
And a roof over our head
But I'd trade all tomorow
For the higway instead
Watch your back
Keep your eyes shut tight
Your love is the only thing I've ever know
But one thing's for sure pretty baby
I'll always take the long way home
I love you baby
More than the whole wide world
you are my woman you know
You are my pearl
Let's go out
Past the party lights
Where we can finally be alone
Come with me and together we
Can take the long way home
Tom Waits
Monday, January 08, 2007
Andre vai ser pai, Dudu vai casar, adriana tah de 3 meses, Glauco tah de namorada nova e Guga tambem vai casar. Talvez Noel case, nao sei, e Arturo ainda tah com a Priscila, eu acho, com a qual comecou a namorar um mes depois que sai do Brasil, e ele ainda tenta mudar o mundo, se possivel, pra melhor. O Garavelli ainda tenta Barro Branco, o Teta tah pra voltar da Australia, a Julia tah na Globo, e o Barca tb... Joana estava em Cuba, depois de pasar por Mexico, e diz que sente a minha falta. O Pedro trampa com o Ioshi, acabou de comprar uma camera nova, e faz um dinheirinho rasoavel com videos, que o Ioshi gasta com entorpecentes, tenho certeza. Guilherme continua nervoso, e com a mesma namorada, acho que quer casar tb. Delissimo trampa bastante, nao fala mais com os amigos. Dudu tambem, tem muitas responsabilidades, quer casar. Assim como Guga, que nao ve Dudu tao frequente como gostaria. Em breve os dois serao pais, como Andre, e terao motivo pra se reunir. Poderiam assistir futebol juntos, mas Guga eh corintians e Dudu palmeiras, mesmo time que Teta, Guilherme e Glauco. Eles costumavam assistir o Palmeiras juntos, mas Teta tah na Australia e Glauco foi promovido, ganha melhor, mas nao tanto quanto Barca, que mudou a pouco tempo de emisora, agora estah na mesma que a Julia, mas ele quase nunca a ve, pois tem muito trabalho. Julia se econtrou com a sua melhor amiga Adriana semana passada pra falar de gravidez, emprego, casamento e como quase todo mundo quase nunca se encontra porque estao muito ocupados entre casamento, trabalho e filhos.
Ah, e o Leandro casou.
Ah, e o Leandro casou.
Tuesday, November 28, 2006
Todo mundo pastou
No chao que um pasta, dois pastaram, dez pastaram e eu tambem pastei.
"Ninguem, eu penso, estah na minha arvore
Eu acho que deve ser alta ou baixa
Isto eh voce sabe que nao se pode medir isto
Mas estah tudo bem
Isto eh eu acho que nao eh tao mal..."
Um pasta e dois pastam e todo mundo pasta no chao que eu pastei.
Um pombo perneta voa e agradece nao ser maneta. Mas tem medo de aterrisar, o coitado. Um dia desses uma manifestante jogou sangue na vitrine de uma loja de vestidos de pele. Eu me pergunto onde ela arranjou esse sangue. Um ex-espiao russo morreu envenenado, aparentemente, por outro ex-espiao russo. Isso ocoreu num restaurante ao lado do meu, num dia normal de trabalho, na hora do almoco. Radiacao, disseram. Um spray radiotivo jogado na comida do cara. Todos que almocaram naquele restaurante naquele dia tiveram de ir ao hospital para ver se nao estavam contaminados por radiacao. O motivo eh que esse cara era contra o atual regime ex-cominista ex-ditatorial. Mas se perguntarem, nao fui eu quem contou.
It's very nice pra xuxu!
Eu posso ter esbarrado nesse cara. No dia eu andava, esbarrei em algumas pessoas como sempre. Nao me recordo dos rostos porem. Posso ter me encontrado com esse cara, o ex-espiao que morreu. Ou ateh mesmo com o ex-espiao que matou. Se ao menos eu me recordasse. Talves eu vah pro hospital verificar se nao estou radioativo.
Alias, quem descobriu a radiacao foi uma polonesa. Ela foi a primeira mulher a entrar na faculdade de Soborne (eh assim que escreve?) em Fisica e Quimica. Casou com um frances, co-descobridor. O casal morreu contaminado por radiacao, um tempo depois de descobrirem que o que descobriram era perigoso.
Agora botaram isso numa latinha de spray. Aqui na inglaterra tem um dito sobre as lebres de marco. Aparentemente esse bixo fica doido nesse mes. As lebres de marco. E tem a vaca louca tambem. O primeiro caso de vaca louca na Europa aconteceu em um Macdonald's. Um Crasy Mac. hehehe. Mas nao eh marco, nao eh? E quem nao eh louco nesse mundo? Quem acho que tudo estah certo, que a vida encontrou um equilibrio, levanta a cabeca em um dia de trabalho, quer aproveitar o fim de semana merecido.
Nossas noites de ilusao.
"Sempre sei as vezes penso que sou eu
mas voce sabe eu sei quando eh um sonho
Eu acho que um "Nao" vai significar um "Sim"
Mas estah tudo errado
Isto eh eu acho que discordo"
E continuamos pastando no mesmo chao que eu pastei amanha. Talvez. Ou nao.
"Ninguem, eu penso, estah na minha arvore
Eu acho que deve ser alta ou baixa
Isto eh voce sabe que nao se pode medir isto
Mas estah tudo bem
Isto eh eu acho que nao eh tao mal..."
Um pasta e dois pastam e todo mundo pasta no chao que eu pastei.
Um pombo perneta voa e agradece nao ser maneta. Mas tem medo de aterrisar, o coitado. Um dia desses uma manifestante jogou sangue na vitrine de uma loja de vestidos de pele. Eu me pergunto onde ela arranjou esse sangue. Um ex-espiao russo morreu envenenado, aparentemente, por outro ex-espiao russo. Isso ocoreu num restaurante ao lado do meu, num dia normal de trabalho, na hora do almoco. Radiacao, disseram. Um spray radiotivo jogado na comida do cara. Todos que almocaram naquele restaurante naquele dia tiveram de ir ao hospital para ver se nao estavam contaminados por radiacao. O motivo eh que esse cara era contra o atual regime ex-cominista ex-ditatorial. Mas se perguntarem, nao fui eu quem contou.
It's very nice pra xuxu!
Eu posso ter esbarrado nesse cara. No dia eu andava, esbarrei em algumas pessoas como sempre. Nao me recordo dos rostos porem. Posso ter me encontrado com esse cara, o ex-espiao que morreu. Ou ateh mesmo com o ex-espiao que matou. Se ao menos eu me recordasse. Talves eu vah pro hospital verificar se nao estou radioativo.
Alias, quem descobriu a radiacao foi uma polonesa. Ela foi a primeira mulher a entrar na faculdade de Soborne (eh assim que escreve?) em Fisica e Quimica. Casou com um frances, co-descobridor. O casal morreu contaminado por radiacao, um tempo depois de descobrirem que o que descobriram era perigoso.
Agora botaram isso numa latinha de spray. Aqui na inglaterra tem um dito sobre as lebres de marco. Aparentemente esse bixo fica doido nesse mes. As lebres de marco. E tem a vaca louca tambem. O primeiro caso de vaca louca na Europa aconteceu em um Macdonald's. Um Crasy Mac. hehehe. Mas nao eh marco, nao eh? E quem nao eh louco nesse mundo? Quem acho que tudo estah certo, que a vida encontrou um equilibrio, levanta a cabeca em um dia de trabalho, quer aproveitar o fim de semana merecido.
Nossas noites de ilusao.
"Sempre sei as vezes penso que sou eu
mas voce sabe eu sei quando eh um sonho
Eu acho que um "Nao" vai significar um "Sim"
Mas estah tudo errado
Isto eh eu acho que discordo"
E continuamos pastando no mesmo chao que eu pastei amanha. Talvez. Ou nao.
Monday, October 02, 2006
Sunday, September 10, 2006
Celito foi embora
Chegou por aqui passional. Encontrou no carnaval um rabo-de-saia daqueles de largar a familia, e fez: largou. Deixou tudo pra traz, todos os planos, nao fez a prova da OAB, deixou o emprego no dia seguinte. Era esse tipo de rabo-de-saia. Veio as pressas, nao quis saber de esperar visto, estava apaixonado. Chegou ilegal, teve que suportar a amargura dos piores empregos, de advogado virou limpador de pratos. E a mulher a que veio, o que eh pior, o largou logo no primeiro mes. Triste, e foi assim que o encontrei, triste. Moramos juntos numa casa, e a principel nao fui com a cara dele, devo confessar. Se lamentava muito: pelo emprego, a mulher e a mae que o pario. Mas o tempo foi passando, as amarguras foram se acabando, se esgotaram.
Celito eh um bom rapas. Religioso, de vez em quando ia a missa aqui perto, e sempre contava com a Mother Mary pra levar seus problemas embora. O doctor Robert da casa, eu costumava dizer, pois fornecia aos outros a palavra. Trocou o rabo-de-saia pelo objetivo de viajar o mundo. E hoje a noite ele partiu, destino a Paris, e depois quem sabe.
Engracado, a partida. Eh emocional, o inicio e o fim, a dualidade que todas as vidas se encernam. Eu e celito tinhamos feitos planos pra essa viagem, iriamos juntos. Apostamos quantas mulheres de paises diferentes seriamos capazes de pegar. Planejamos rota, vimos precos. Mas nao foi assim. Ele partiu soh... Celito entende, um rabo-de-saia deixa o homem bobo, faz ele mudar os planos.
Cada um tem sua estrada. Cada pessoa constroe sua trilha. Um dia o pai do meu pai se despedio dele quando seu filho veio pra Sao Paulo, tentar a vida. Eu me despedi de meus pais no Aeroporto e vim pra Londres. E por mais que a gente queira estar com todos os que amam o tempo todo, nao dah. O que fica eh a lembranca de as estradas terem se encontrado, mesmo que por breve. E quem sabe o que tem depois, o que vai surgir na curva? Um dia os caminhos pode se encontrar de novo, o mundo eh pequeno. E nao importa que caminho se tome, o destino e o mesmo pra todos. E eu vou estar lah, no fim do caminho: eh soh me procurar. Eu vestirei uma camisa do AC/DC, carequinha carequinha, cantarolando Elis Regina, encostado num poste. Vc tem todo o tempo do mundo pra me achar, e eu vou estar sem pressa, prometo.
Celito eh um bom rapas. Religioso, de vez em quando ia a missa aqui perto, e sempre contava com a Mother Mary pra levar seus problemas embora. O doctor Robert da casa, eu costumava dizer, pois fornecia aos outros a palavra. Trocou o rabo-de-saia pelo objetivo de viajar o mundo. E hoje a noite ele partiu, destino a Paris, e depois quem sabe.
Engracado, a partida. Eh emocional, o inicio e o fim, a dualidade que todas as vidas se encernam. Eu e celito tinhamos feitos planos pra essa viagem, iriamos juntos. Apostamos quantas mulheres de paises diferentes seriamos capazes de pegar. Planejamos rota, vimos precos. Mas nao foi assim. Ele partiu soh... Celito entende, um rabo-de-saia deixa o homem bobo, faz ele mudar os planos.
Cada um tem sua estrada. Cada pessoa constroe sua trilha. Um dia o pai do meu pai se despedio dele quando seu filho veio pra Sao Paulo, tentar a vida. Eu me despedi de meus pais no Aeroporto e vim pra Londres. E por mais que a gente queira estar com todos os que amam o tempo todo, nao dah. O que fica eh a lembranca de as estradas terem se encontrado, mesmo que por breve. E quem sabe o que tem depois, o que vai surgir na curva? Um dia os caminhos pode se encontrar de novo, o mundo eh pequeno. E nao importa que caminho se tome, o destino e o mesmo pra todos. E eu vou estar lah, no fim do caminho: eh soh me procurar. Eu vestirei uma camisa do AC/DC, carequinha carequinha, cantarolando Elis Regina, encostado num poste. Vc tem todo o tempo do mundo pra me achar, e eu vou estar sem pressa, prometo.
Wednesday, September 06, 2006
Tuesday, August 22, 2006
Comprei um computador. Isso deveria me deixar mais prolixo, eu deveria escrever mais. E se deixou foi para mim soh, e nao houve espaco para internet, mais ainda para um diario virtual. Escrevo sim, confesso, mas nao publico. Nao que tenho algum misterio, faco grandes coisas, penso alto: um romance ou o inferno que seja. Nao publico pq nao acho que valha a pena publicar. Mas escrevo pq me viciei na coisa, eh uma terapia, me relaxa. Saio do mundo e deixo fluir as horas.
O mundo estah cheio de merda. Coisas estranhas. As ruas de Sao Paulo, um exemplo, eh um campo minado. Se tem de olhar pra baixo o tempo todo naquela cidade. Se pensa que no velho continente eh mais civilizado, que as pessoas limpam a merda feita pelos devidos animais, mas nao. A diferenca eh que aqui se tem mais dinheiro, entao se manda limpar. Se tem um carrinho que anda todo o dia aqui em Londres, e que aspira essas coisas. O dia inteiro um carinha dirige esse carro. Eu nao me importaria de fazer isso da vida. Vc poem uns oculos escuros e um fone de ouvido e manda o mundo pro inferno. Vc pode pensar que nao eh dignificante, ser motorista de carros anti-merda. Que ser um advogado ou um escritor seja melhor. Mas eu digo: Olha Sao Paulo. Se tem advogado e escritores lah, talvez ateh mais do que aqui, mas nao se pode andar em paz naquela cidade sem que se pise numa merda. Se me perguntarem eu prefiro um carrinho anti-merda.
O mundo estah cheio de merda. Coisas estranhas. As ruas de Sao Paulo, um exemplo, eh um campo minado. Se tem de olhar pra baixo o tempo todo naquela cidade. Se pensa que no velho continente eh mais civilizado, que as pessoas limpam a merda feita pelos devidos animais, mas nao. A diferenca eh que aqui se tem mais dinheiro, entao se manda limpar. Se tem um carrinho que anda todo o dia aqui em Londres, e que aspira essas coisas. O dia inteiro um carinha dirige esse carro. Eu nao me importaria de fazer isso da vida. Vc poem uns oculos escuros e um fone de ouvido e manda o mundo pro inferno. Vc pode pensar que nao eh dignificante, ser motorista de carros anti-merda. Que ser um advogado ou um escritor seja melhor. Mas eu digo: Olha Sao Paulo. Se tem advogado e escritores lah, talvez ateh mais do que aqui, mas nao se pode andar em paz naquela cidade sem que se pise numa merda. Se me perguntarem eu prefiro um carrinho anti-merda.
Friday, August 04, 2006
Dudududududududududududududududududududududududududududududududududududududududududu
dudududududududududududududududududududududududududududududududududududududududududu
dudududududududududududududududududududududududududududududududududududududududududu
dudududududududududududududududududududududududududududududududududududududududududu
dudududududududududududududududududududududududududududududududududududududududududu
dudududududududududududududududududududududududududududududududududududududududududu
dudududududududududududududududududududududududududududududududududududududududududu
dudududududududududududududududududududududududududududududududududududududududududu
dudududududududududududududududududududududududududududududududududududududududududu
dudududududududududududududududududududududududududududududududududududududududududu
dudududududududududududududududududududududududududududududududududududududududududu
dudududududududududududududududududududududududududududududududududududududududududu
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dudududududududududududududududududududududududududududududududududududududududududu
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dudududududududududududududududududududududududududududududududududududududududududu
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dudududududududududududududududududududududududududududududududududududududududududu
dudududududududududududududududududududududududududududududududududududududududududu
dududududududududududududu. Espero que tenha sido o suficiente...
dudududududududududududududududududududududududududududududududududududududududududu
dudududududududududududududududududududududududududududududududududududududududududu
dudududududududududududududududududududududududududududududududududududududududududu
dudududududududududududududududududududududududududududududududududududududududududu
dudududududududududududududududududududududududududududududududududududududududududu
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dudududududududududududududududududududududududududududududududududududududududududu
dudududududududududududududududududududududududududududududududududududududududududu
dudududududududududududududududududududududududududududududududududududududududududu
dudududududududududududududududududududududududududududududududududududududududududu
dudududududududududududududududududududududududududududududududududududududududududu
dudududududududududududududududududududududududududududududududududududududududududu
dudududududududududududududududududududududududududududududududududududududududududu
dudududududududududududududududududududududududududududududududududududududududududu
dudududududududududududududududududududududududududududududududududududududududududu
dudududududududududududududududududududududududududududududududududududududududududu
dudududududududududududududududududududududududududududududududududududududududududu
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dududududududududududududu. Espero que tenha sido o suficiente...
Tuesday, July 25, 2006
Rotterdam e Amsterdam
Eu estou aqui na internet cafe, e acabei de reservar voo pra Holanda, pro mes que vem. Vai ter um feriado aqui, do dia 25 ao dia 28 de agosto, e eh nessa data que eu vou. Visitar os museus que tem lah, e nada mais. Prometo
Thursday, June 29, 2006
Berlim
Fui pra copa. Sim, fui pra copa. Eu jah disse que fui pra copa? Pois eh, fui pra copa. Acabei de voltar da Alemanha, passei bem. Depois de duas semanas na Polonia, eu fui pra inimiga mortal deles. Mas me surpreendi, ao menos em Berlin, jah que a cidade eh uma das melhores que jah conheci, e pra quem pensa que eu nao vi grandes cidades o suficiente, ae vai a lista de algumas:
Liverpool;
Londres;
Edinburough;
Krakovia;
Paris;
Bruxelas;
Buenos Aires;
Sao Paulo...
Mas Berlin, sei lah, tem muito charme. Tem um predio no lado comunista da cidade que a parede de fora foi toda destruida pela guerra. Esse predio foi habitado, lah pelos anos setenta, pela comunidade artistica da cidade, e ateh hoje a galera que curte arte mora lah. Porra, que selissimo! E as mulheres, meu deus, sao muito fodas. Todas sao loiras de dois metros e bem fartas de peito e bunda. Todas! E a cerveja eh boa e barata... O unico defeito eh soh se falaa alemao lah (daaaaahhhhh) entao desistimula todo um projeto de me mudar praquela cidade...
Mas continuando, Berlim: pra quem nao sabe na guerra fria a cidade foi dividida por um muro. De um lado o socialista Russo e do outro o capitalismo americano. Adivinhem qual lado eu gostei mais? Quase nao fiquei no lado Ocidental, nao que nao seja bonito, ao contrario, era o mais bonito na concepcao exata de beleza: limpo e organizado. Mas era tb parecido com outra cidade qualquer, e como todo o produto capitalista, sem alma. Jah no lodo comuna, sei lah, os predios ainda tinham buracos de balas. Tem sangue ali, acreditem em mim. Mas soh tando lah pra sentir isso.
Liverpool;
Londres;
Edinburough;
Krakovia;
Paris;
Bruxelas;
Buenos Aires;
Sao Paulo...
Mas Berlin, sei lah, tem muito charme. Tem um predio no lado comunista da cidade que a parede de fora foi toda destruida pela guerra. Esse predio foi habitado, lah pelos anos setenta, pela comunidade artistica da cidade, e ateh hoje a galera que curte arte mora lah. Porra, que selissimo! E as mulheres, meu deus, sao muito fodas. Todas sao loiras de dois metros e bem fartas de peito e bunda. Todas! E a cerveja eh boa e barata... O unico defeito eh soh se falaa alemao lah (daaaaahhhhh) entao desistimula todo um projeto de me mudar praquela cidade...
Mas continuando, Berlim: pra quem nao sabe na guerra fria a cidade foi dividida por um muro. De um lado o socialista Russo e do outro o capitalismo americano. Adivinhem qual lado eu gostei mais? Quase nao fiquei no lado Ocidental, nao que nao seja bonito, ao contrario, era o mais bonito na concepcao exata de beleza: limpo e organizado. Mas era tb parecido com outra cidade qualquer, e como todo o produto capitalista, sem alma. Jah no lodo comuna, sei lah, os predios ainda tinham buracos de balas. Tem sangue ali, acreditem em mim. Mas soh tando lah pra sentir isso.
Alo alo marciano
London Calling do Brazil: Tem alguem ai? Faz tempo, nesse interim esqueci e fui esquecido. Naum que eu reclame jah que eu estou bem aqui, e espero a felicidade de todos dai. Fiquei sabendo que a Julia apareceu no Jo Soares, minha mae contou, numa especie de estagio com o Caco Barcelos. Acreditem ou naum mais eu fico muito feliz com noticias como estas... Eu soh queria estar ai para abracar a Julinha pessoalmente, e quem conhece a Julia sabe que o prazer seria todo meu. Abraco tb quero dar pro Guga, que estah noivo. Noivo! Eu estava lah no primeiro beijo na Ju, e o casal havia me prometido ser padrinho (se a irma do Guga ainda estivesse solteira). E se eu conheco o Guga, a festa vai ser com tudo do bom e do melhor. Meu irmao foi promovido no emprego, tah ganhando mais aquele capitalista. O meu playbissimo predileto agora tah fazendo cu doce pra ver se vem pra Europa ou nao... Vem logo moleque, aproveita que agora tah passando bem e visita esse pobre coitado que tah feliz, eh verdade, mas que no dia de finados morre nao consegue evitar que uma lagrima escorra do olho esquerdo. "Corre menino, lavo o rosto, engole a seco a dor nos teus olhos e pinta um sorriso na cara, nao deixa o mundo ter o prazer de ver o que faz com o teu tempo..."
Tuesday, June 06, 2006
Moja Kochana
Mais longe que um Boro jamais ousou a ir. E pra onde, meu deus: Polonia! E fazer o que? Fui num casamento. Pois eh, uma guria aqui, doida soh pode ser, me convidou pra ir com ela. Me obrigou! E que festa, comida e bebida, Wodika, a noite inteira. E danca! Eu que nao danco, dancei. Me obrigou, senao dancava com outro, disse. Entao dancei. E me diverti como nunca, devo confessar. Vcs que imaginem, eu que nao dancava, dancei! A noite inteira. Eh claro que a Wodika ajuda e a falta de talento dos Polacos tb. Mas as musicas eram muito divertidas. Todos formavam um circulo e pulavam o tempo inteiro, e cada casal ia pro meio e dancava um pouco. Eu tb fui, senao ela ia com outro, e estava bebado. Pulei feito doido. De meia em meia hora havia intervalo da banda, e todos voltavam a mesa pra comer e beber mais. Dasdrovia! Sete diferentes pratos quentes e tradicionais polacos, chucrute, croquete, strognofre, porco, e uns nomes que eu nao me lembro. Como comi! E sempre regados com Wodika, Dasdrovia! Fui a Auchwitz tambem. Triste, muito triste. Ha um salao cheio de cabelos coletados de mulheres e criancas para servirem de tecido. Uma sala cheia! Uma sala cheia de roupa de criancas que os Nazistas coletavam quando elas iam pra fornalha. Num painel estava escrito: "Em Auchwitz, de 232 mil criancas que entraram soh 625 sairam vivas". Eu vi as fornalhas tb. Era um banker grande, com uma porta de ferro que levava a uma sala escura com um unico cano. Desse cano saia um gas que paralizava todos os musculos das pessoas, que morriam sufocadas. entao os Nazis entravam e recoliam aneis e dentes de ouro. o que sobrava ia pras fornalhas, que ficavam numa sala adjacente. O corpo entao cozinhava durante 40 minutos, e das cinzas eram feitos materias de construcao. Tiveram outras historias, mas eu nao quero falar sobre isso, nao agora, pelo menos...
Sunday, March 26, 2006
Ridi pagliaccio
Pobre Pierro, tropecou no proprio coracao. Danado, metido a malandro, arrancou-le do peito e pregou na porta da Columbina. Nao sabe dos novos tempos, coracão pregado nao eh armadilha, virou cilada. Deixou-se fluir no tempo da pressa. Não sabe que o verdadeiro significado do amor nao vale o beijo de menina namorada. Rejeitado, o coracão, largado no chão, pisado e mijado. Columbina hoje não sonha, aprendeu a voar, usa chapeu e gosta de uma fanfarra. Virou independente, ve se pode!
A arlequinada toda invade a cidade e inunda cada fresta de rua podre e transforma cada hora monotona em uma rotina de alegria e orgia. Vieram do leste, ciganos do ocaso, trouxeram na bagagem maravilhas sem igual: um tapete persa que no comando “haslam” eh capaz de voar (se vc pesar menos de 80 kilos); trouxeram uma pedra mais brilhante que o cristal e que em um toque lhe rouba o calor, e de rara beleza, mas nao por ser rara, mas por se desfazer rapido. Trouxeram um roxinal roxo que canta em mil linguas (menos o portugues); vieram em sua mala Caliope, musa de mil feitos e habilidades, capas de inspirar o mais inepito dos homens.
Trouxeram a luz e a alegria, guitarras de dez cordas, trompetes de vinte metros, tambores de aimores; trouxeram a musica numa escala hiata decrescente, mostraram a oitava nota musical e levaram o barulho nesta cidade quieta e silenciosa. Rodaram saias, aprontaram com meninas virgens, roubaram o sono dos homens, provocaram brigas e suicidio dos apaixonados; molestaram padres e freiras, roubaram risos e lagrimas. Mas Pierro bobeou. Pregou seu coracão em porta errada. Andou por muito tempo no pais dos sonhos e se esqueceu da realidade.
A arlequinada vai embora e leva as suas guitarras, musas e tapetes. Vai num sopro gelado, cabisbaixa e humilhada. Toca uma fanfarra, uma marcha funebre de enterro Polaco, e seu som se vai cada vez mais distante, mais distante, mais
D
is
ta
nt
e...
A arlequinada toda invade a cidade e inunda cada fresta de rua podre e transforma cada hora monotona em uma rotina de alegria e orgia. Vieram do leste, ciganos do ocaso, trouxeram na bagagem maravilhas sem igual: um tapete persa que no comando “haslam” eh capaz de voar (se vc pesar menos de 80 kilos); trouxeram uma pedra mais brilhante que o cristal e que em um toque lhe rouba o calor, e de rara beleza, mas nao por ser rara, mas por se desfazer rapido. Trouxeram um roxinal roxo que canta em mil linguas (menos o portugues); vieram em sua mala Caliope, musa de mil feitos e habilidades, capas de inspirar o mais inepito dos homens.
Trouxeram a luz e a alegria, guitarras de dez cordas, trompetes de vinte metros, tambores de aimores; trouxeram a musica numa escala hiata decrescente, mostraram a oitava nota musical e levaram o barulho nesta cidade quieta e silenciosa. Rodaram saias, aprontaram com meninas virgens, roubaram o sono dos homens, provocaram brigas e suicidio dos apaixonados; molestaram padres e freiras, roubaram risos e lagrimas. Mas Pierro bobeou. Pregou seu coracão em porta errada. Andou por muito tempo no pais dos sonhos e se esqueceu da realidade.
A arlequinada vai embora e leva as suas guitarras, musas e tapetes. Vai num sopro gelado, cabisbaixa e humilhada. Toca uma fanfarra, uma marcha funebre de enterro Polaco, e seu som se vai cada vez mais distante, mais distante, mais
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e...
Thursday, March 23, 2006
Seu Ze do IML
-Alo?
-Alo seu Ze.
-Dona Rita! Quanto tempo, como vai a senhora?
-Com o coração que não se aguenta...
-Seu fiho?
-Meu filho...
-O mais novo?
-O mais novo...
-Esses filhos não sabem tratar bem os pais, deixam a gente apavorados com tanta violencia por ai... Eu que sei!
-O senhor que sabe...
-Hoje mesmo, chegou um aqui muito parecido com a foto que a senhora me deu. Acidente de moto. Mas eu imaginei que a senhora não fosse deixar o seu menino andar de moto.
- De jeito nenhum! Nem bicicleta, q não eh nem com ele que eu me preocupo, mas com os outros. Tanta imprudencia nessas ruas, o senhor que sabe!
- Eu que sei. Mas faz tempo que eu não recebia sua ligação, costumava ser semanal... As noites passam frias aqui, e de vez em quando faz bem falar com uma alma viva. Alconteceu alguma coisa grave? Seu filho desapareceu denovo?
-Sim. E não da noticias...
-Olha, eu vou dar uma checada pra ver se a gente não recebeu mais nenhum pacote...
- Não precisa se incomodar não. Ele não ta ai.
-Sem querer parecer insensivel, mas aqui eh o destino de todos.
-Não tem como ele estar ai, ele nao esta nesse pais. Acho que eu ter te ligado foi soh um reflexo. Acordei assustada, pensando no mundo, tão violento...
-Realmente...
-Pois bem, acostumada como era, peguei o telefone e disquei esse numero.
-Então tah.
-Desculpa incomodar.
- Não foi incomodo não.
- Boa noite pro senhor.
- Durma com os anjos, dona Rita.
.
.
.
- Seu Zeh, ainda tah na linha?
- To sim...
- Me faz um favor? Me dah soh uma olhadinha pra ver se ele não ta ai; ja que liguei, não custa nada averiguar... O senhor eh que sabe.
- Eu que sei. Pode deixar dona Rita, eu vejo sim.
-Alo seu Ze.
-Dona Rita! Quanto tempo, como vai a senhora?
-Com o coração que não se aguenta...
-Seu fiho?
-Meu filho...
-O mais novo?
-O mais novo...
-Esses filhos não sabem tratar bem os pais, deixam a gente apavorados com tanta violencia por ai... Eu que sei!
-O senhor que sabe...
-Hoje mesmo, chegou um aqui muito parecido com a foto que a senhora me deu. Acidente de moto. Mas eu imaginei que a senhora não fosse deixar o seu menino andar de moto.
- De jeito nenhum! Nem bicicleta, q não eh nem com ele que eu me preocupo, mas com os outros. Tanta imprudencia nessas ruas, o senhor que sabe!
- Eu que sei. Mas faz tempo que eu não recebia sua ligação, costumava ser semanal... As noites passam frias aqui, e de vez em quando faz bem falar com uma alma viva. Alconteceu alguma coisa grave? Seu filho desapareceu denovo?
-Sim. E não da noticias...
-Olha, eu vou dar uma checada pra ver se a gente não recebeu mais nenhum pacote...
- Não precisa se incomodar não. Ele não ta ai.
-Sem querer parecer insensivel, mas aqui eh o destino de todos.
-Não tem como ele estar ai, ele nao esta nesse pais. Acho que eu ter te ligado foi soh um reflexo. Acordei assustada, pensando no mundo, tão violento...
-Realmente...
-Pois bem, acostumada como era, peguei o telefone e disquei esse numero.
-Então tah.
-Desculpa incomodar.
- Não foi incomodo não.
- Boa noite pro senhor.
- Durma com os anjos, dona Rita.
.
.
.
- Seu Zeh, ainda tah na linha?
- To sim...
- Me faz um favor? Me dah soh uma olhadinha pra ver se ele não ta ai; ja que liguei, não custa nada averiguar... O senhor eh que sabe.
- Eu que sei. Pode deixar dona Rita, eu vejo sim.
Sunday, March 12, 2006
Ai de mim Perdizes
Sao meio dia aqui, e jah comeca a primavera. Todos estao dormindo nesse domingo, e a ressaca me moi o cranio. Na radio Beatles, e soh Beatles, como se no mundo nao se precisasse escutar outra coisa. Nao sei porque, mas durante a manha inteira (estou acordado desde as oito) pensei em casa, Sao Paulo, como se tudo aqui me parecesse lah, ou se lah fosse como aqui. Nao que haja qualquer similariedade, mas fecho os olhos e me vejo caminhando em casa, na minha cama, no meu quarto baguncado com roupas e livros por toda parte, e no corredor eu trombo na escrivania e acordo minha mae, que pede para meu pai ver o que aconteceu, que desse do andar de cima e aproveita para fazer um lanchinho e me beija carinhosamente na bochecha. E a porta da sala abre de subito e dela Garavelli, fruto de uma amisade de mais de dez anos que nao precisa ser anunciada. Meu pai o abraca e convida para partilhar do lanche. Saio da minha casa, e na minha mente esta clara, o mesmo hall do elevador, com pisos marrons, as paredes brancas. As duas portas do elevador enfileiradas na direita, e eu aperto a botao do elevador social, e agora me vejo no espelho a espera e a angustia. Vejo as ruas no meu caminho, o meu caminho, que conheco cada rachadura, cada bosta diaria no chao, cada buraco. O meu caminho, que sempre faco para ir pra faculdade, ou cursinho, batista, Gara, Ivo, Pedro ou pra sair livre pelo meu caminho. Londres eh plana, diferente de perdizes onde em cada morro se esconde a surpresa do horizonte. Cada onibus duplo se encole e se pinta de branco e vermelho. O torcedor do arsenal se transforma em um sao paulino feliz. As ruas se apinham de gente, as mulheres tiram o agasalho e se fazem mais tinhosas, a Oxford street vira a Paulista, a Trafalgar se apinhota de moleques cheirando cola e me vejo na Seh. O Thames passa a feder e da ponte imagino me jogando no Tiete.
Em toda a parte aqui eu reconheco Sao Paulo, mas em toda a parte eu sei que nao eh, pois em tudo reconheco como meu numa uniformidade a ser construida, uma natureza selvagem a ser domada de acordo com a minha mente, como uma obra de arte abstrata, e a minha mente sempre tenta elaborar a cidade perfeita, o lugar perfeito de se estar, e em tudo eu reconheco em algo essa perfeicao, mas tambem eu vejo que aquilo nao me pertence, pois se ao mesmo tempo me sinto parte de tudo, sinto tambem que nao pertenco a lugar nenhum.
Em toda a parte aqui eu reconheco Sao Paulo, mas em toda a parte eu sei que nao eh, pois em tudo reconheco como meu numa uniformidade a ser construida, uma natureza selvagem a ser domada de acordo com a minha mente, como uma obra de arte abstrata, e a minha mente sempre tenta elaborar a cidade perfeita, o lugar perfeito de se estar, e em tudo eu reconheco em algo essa perfeicao, mas tambem eu vejo que aquilo nao me pertence, pois se ao mesmo tempo me sinto parte de tudo, sinto tambem que nao pertenco a lugar nenhum.
Wednesday, February 08, 2006
Remelento
Mamae veio. Minha velha matrona italiana, chegando ao seu meio seculo de vida em abril, nao aguentou a saudade e atravessou meio mundo para rever o seu mais novo. Loirinha de olhos verdes, quando emperequetada de zilhoes de agazalhos parecia uma refugiada russa, doida para encontrar um filho que precisasse de suas afeicoes. Mas nao, ao contrario, encontrou um varao, daqueles a moda antiga, que cuida de sua progenitora a unhadas, que faz jus a sua honra e da sua liberdade se faz valer.
Me fez jantar, fomos passear e tudo o mais.
Mas pq ela nao veio uma semana mais tarde? Estou aqui na internet, todo remelento, nao consigo falar nem engulir. Nao fui trabalhar, fiquei de cama, e no almoco eu preparei a minha propria sopa. Doido por uma mae...
Ainda bem que, precavida, me deixou pastilhas.
Alias, feliz ano novo a todos... Os vejo em 2007!
Me fez jantar, fomos passear e tudo o mais.
Mas pq ela nao veio uma semana mais tarde? Estou aqui na internet, todo remelento, nao consigo falar nem engulir. Nao fui trabalhar, fiquei de cama, e no almoco eu preparei a minha propria sopa. Doido por uma mae...
Ainda bem que, precavida, me deixou pastilhas.
Alias, feliz ano novo a todos... Os vejo em 2007!
Monday, January 16, 2006
O pombo gordo (carinhosamente apelidado de Durval)
Saindo pela piccadilly circus tube station, se vc se der o trabalho de se perder um pouco, eh provavel que acabe saindo numa praca chamada Berckeley Square. Dentro dela ande ateh o decimo segundo banco da esquerda e descance um pouco. Na sua frente aparecera o pombo mais gordo que vc jah viu na sua vida. Ele sempre fica no mesmo ponto, eu acho que nao consegue mais voar. Mas eh estremamente bem respeitavel dentro da comunidade pombal inglesa; de vez em quando os pombos mais novos vem pedir conselhos, e algumas maes oferecem suas filhas para acasalarem. Os que vem normalmente falam muito, mas o pombo gordo nao solta um "Grooo" sequer, ele fala com o olhar. Raramente sai de sua possicao ereta de esfinge, e ha no seu olhar o semblante de gordo faminto que pode devorar qualquer um que aparecer em sua frente.
Uma vez, mesmo temendo pela minha saude fisica, resolvi chegar perto do pombo gordo. Levantei do banco - ele nao se mexeu. Dei dois passos, ainda sem sinal. Estava dois metros, e a ave parada como se estivesse morta. Tomado pela confianca do sucesso, resolvi chegar mais perto, e de tao perto eu podia toca-lo com o braco, se quissesse.
Mas ele nao me deu essa chance. Me matou com o olhar.E nao precisou nem levantar a cabeca. Soh virou o olhinho gordo. "a praca eh minha, bloody idiot".
Derrotado, voltei para o banco. Antes de sentar, notei em uma placa: "Aqui neste banco Emily Grudden Steven aproveitou esse jardim, e conheceu o amor em Londres". Se vc se der o trabalho de se perder, vc pode acabar caindo nesse jardim.
Uma vez, mesmo temendo pela minha saude fisica, resolvi chegar perto do pombo gordo. Levantei do banco - ele nao se mexeu. Dei dois passos, ainda sem sinal. Estava dois metros, e a ave parada como se estivesse morta. Tomado pela confianca do sucesso, resolvi chegar mais perto, e de tao perto eu podia toca-lo com o braco, se quissesse.
Mas ele nao me deu essa chance. Me matou com o olhar.E nao precisou nem levantar a cabeca. Soh virou o olhinho gordo. "a praca eh minha, bloody idiot".
Derrotado, voltei para o banco. Antes de sentar, notei em uma placa: "Aqui neste banco Emily Grudden Steven aproveitou esse jardim, e conheceu o amor em Londres". Se vc se der o trabalho de se perder, vc pode acabar caindo nesse jardim.
Whistle Down the Wind
(Tom Waits)
I've grown up here now
All of my life
But I dreamed
Someday I'd go
Where blue eyed girls
And red guitars and
Naked rivers flow
I'm not all I thought I'd be
I always stayed around
I've been as far as Mercy and Grand
Frozen to the ground
I can't stay here and I'm scared to leave
(Just kiss me once and then)
I'll go to hell
I might as well
Be whistlin' down the wind
The bus at the corner
The clock's on the wall
Broken windmill
There's no wind at all
I've yelled and I cursed
If i stay here I'll rust
I'm stuck like a shipwreck
Out here in the dust
Sky is red
And there world's on fire
And the corn is taller than me
The dog is tied
To a wagon of rain
And the road is as wet as the sea
And sometimes the music from a dance
Will carry across the plains
And the places that I'm dreaming of
Do they dream only of me?
There are places where they never sleep
And the circus never ends
So I will take the Marley Bone Coach
And whistle down the wind
(Tom Waits)
I've grown up here now
All of my life
But I dreamed
Someday I'd go
Where blue eyed girls
And red guitars and
Naked rivers flow
I'm not all I thought I'd be
I always stayed around
I've been as far as Mercy and Grand
Frozen to the ground
I can't stay here and I'm scared to leave
(Just kiss me once and then)
I'll go to hell
I might as well
Be whistlin' down the wind
The bus at the corner
The clock's on the wall
Broken windmill
There's no wind at all
I've yelled and I cursed
If i stay here I'll rust
I'm stuck like a shipwreck
Out here in the dust
Sky is red
And there world's on fire
And the corn is taller than me
The dog is tied
To a wagon of rain
And the road is as wet as the sea
And sometimes the music from a dance
Will carry across the plains
And the places that I'm dreaming of
Do they dream only of me?
There are places where they never sleep
And the circus never ends
So I will take the Marley Bone Coach
And whistle down the wind
Saturday, December 17, 2005
Tuesday, November 29, 2005
Daqui a pouco eu vou numa cerimonia de abertura, ou sei lah o que, pra inaugurar a iluminacao da arvore de natal na Trafalgar Square. Vai ter musica e discurso, se eu der um pouco de sorte, algum atentado terrorista tb. Em Londres faz frio, mas nao neva. Um dia acordei e presenciei uma geada, os carros e as folhas caidas congeladas, mas nao neve. Eh bonito, parece que a cidade eh feita de vidro. Os jornais daqui preveem neve pra dezembro, lah pelo natal.
Natal... Esse vai ser o primeiro que eu vou passar longe da minha familia. E que exagero! Quilometros e quilometros longe. Bom, eu vou estar em espirito. Na verdade eu nao vou estar em espirito, jah que eu nao estou morto (eu acho).
Enfim, vou ficando por aqui. Ano que vem quem sabe dou o ar da graca. Quem sabe... Outro dia falava com o Yoshi no MSN, e ele me contou sobre o TCC do Pedro, e como ficou bom. Como sempre, feito com a ajuda dos amigos - Noel narrando, Yoshi editando e o Arturo dando apoio moral com seu bom humor. Fico feliz pelo craque finalmente se formar em alguma coisa, mas acho que nao importa o que aconteca ele sempre vai ser esse molecao. Eu estou nos agradecimentos do filme - um tanto curioso, jah que eu passei o ano inteiro fora. O Thiago me explicou que eu "agilisei umas paradas" pra ele no ano passado quando ele filmou alguma coisa. Eu me lembro soh de ter comprado os filmes e, depois, ter assistido as cenas. Pensando bem, essa eh a melhor ajuda que alguem pode dar. O cretino devia eh ter me posto nos creditos!
Minha mae reclamou que eu estou errando muito o portugues, e teorisou que isto eh devido a confusao entre as linguas. A grande realidade eh que eu sinto falta do corretor ortografico do world.
Bom, agora eu vou. Eu quero ver as luzes se acenderem.
Ps: Beijos e beijos a Julinha. Eu nao esqueci do seu aniversario. Tah, eu esqueci, mas eu tambem nao me lembrava dele quando tava ai, nao eh?
Natal... Esse vai ser o primeiro que eu vou passar longe da minha familia. E que exagero! Quilometros e quilometros longe. Bom, eu vou estar em espirito. Na verdade eu nao vou estar em espirito, jah que eu nao estou morto (eu acho).
Enfim, vou ficando por aqui. Ano que vem quem sabe dou o ar da graca. Quem sabe... Outro dia falava com o Yoshi no MSN, e ele me contou sobre o TCC do Pedro, e como ficou bom. Como sempre, feito com a ajuda dos amigos - Noel narrando, Yoshi editando e o Arturo dando apoio moral com seu bom humor. Fico feliz pelo craque finalmente se formar em alguma coisa, mas acho que nao importa o que aconteca ele sempre vai ser esse molecao. Eu estou nos agradecimentos do filme - um tanto curioso, jah que eu passei o ano inteiro fora. O Thiago me explicou que eu "agilisei umas paradas" pra ele no ano passado quando ele filmou alguma coisa. Eu me lembro soh de ter comprado os filmes e, depois, ter assistido as cenas. Pensando bem, essa eh a melhor ajuda que alguem pode dar. O cretino devia eh ter me posto nos creditos!
Minha mae reclamou que eu estou errando muito o portugues, e teorisou que isto eh devido a confusao entre as linguas. A grande realidade eh que eu sinto falta do corretor ortografico do world.
Bom, agora eu vou. Eu quero ver as luzes se acenderem.
Ps: Beijos e beijos a Julinha. Eu nao esqueci do seu aniversario. Tah, eu esqueci, mas eu tambem nao me lembrava dele quando tava ai, nao eh?
Tuesday, November 15, 2005
Show do White Stripes
Eu fui no show do White Stripes. Muito bom. Vou no show do Frans Ferdinand no dia 30. Abraco a todos e espero ter sido sucinto o suficiente
Rodrigo Boro
Rodrigo Boro
We don`t notice any time pass
O frio chegou, acordo pra trabalhar, ainda eh noite, pego o onibus vou pro andar de cima e entro num sonho. No trabalho desco a cozinha e com muita preguica falo bom dia, ainda que seja noite. Ela chega depois, no intervelo, esta amanhecendo e meus olhos vermelhos veem os azuis e eu posso dizer que ainda seremos amigos. Aqui estamos, e mais ninguem, escapando do trabalho, conversando baixinho e tomamos o caminho silencioso de volta. A gente nao nota nada, agente nao nota ninguem. Vou embora, me despeco, ando no parque, escuto o bater de asas dos pombos, brinco entre as folhas amarelas caidas no gramado verde e vou pra escola. Jah eh noite quando eu saio, ela me espera, vamos pro rio andar calados. Nao percebemos o tempo passar, nao percebemos nada sentados num banco vendo o rio. Caminhamos ateh o metro amuntuados e a gente nao nota nada, agente nao nota ninguem. Na minha cama sonhos bobos sobre sanduiches e folhas e past perfect e rio enquanto espero o outro dia, e eu e ela vamos andar juntos de novo
e eu posso dizer que ainda seremos amigos.
e eu posso dizer que ainda seremos amigos.
Home… hard to know what it is if you’ve never had one
Home… I can’t say where it is but I know I'm going home
That's where the hurt is
I know it aches
How your heart it breaks
And you can only take so much
Walk on, walk on
Leave it behind
You've got to leave it behind
All that you fashion
All that you make
All that you build
All that you break
All that you measure
All that you steal
All this you can leave behind
All that you reason
All that you sense
All that you speak
All you dress up
All that you scheme…
Home… I can’t say where it is but I know I'm going home
That's where the hurt is
I know it aches
How your heart it breaks
And you can only take so much
Walk on, walk on
Leave it behind
You've got to leave it behind
All that you fashion
All that you make
All that you build
All that you break
All that you measure
All that you steal
All this you can leave behind
All that you reason
All that you sense
All that you speak
All you dress up
All that you scheme…
Monday, October 31, 2005
London Calling to the underworld
A noite comeca as cinco da tarde aqui, e Londres da a impressao de chover sempre. Caminho sob um ceu que desagua na beira do Thames, sem me preocupar se me molho ou nao. Prefiro assim, tenho a cidade soh para mim, Londres eh soh minha, como uma amante e confidente. Sento num banco e aprecio as luzes da cidade se refletindo no rio, e percebo uma placa pregada no banco: "Everybody needs a place to think". Um barco de lixo passa. Um barco de turistas um pouco depois. Vejo o tempo se esvaindo no contar das gotas, no ondular das onndas que elas criam na agua escura do Thames.
Aproveito a felicidade da solidadao; solidadao nao concentida, mas meticulosamente conquistada. Fecho os olhos e sinto os ultimos pingos da chuva que se vai na minha cara, como se recebesse milhoes de beijinhos molhados. Agora Londres nao eh soh minha, a cidade se inunda de gente novamente, pessoas que haviam procurado abrigo da chuva, e que agora abastavam as labaredas e as avenidas como formigas num formigueiro.
Desco o metro e volto pra casa. Acordo no dia seguinte resfriado.
Rodrigo Boro
Aproveito a felicidade da solidadao; solidadao nao concentida, mas meticulosamente conquistada. Fecho os olhos e sinto os ultimos pingos da chuva que se vai na minha cara, como se recebesse milhoes de beijinhos molhados. Agora Londres nao eh soh minha, a cidade se inunda de gente novamente, pessoas que haviam procurado abrigo da chuva, e que agora abastavam as labaredas e as avenidas como formigas num formigueiro.
Desco o metro e volto pra casa. Acordo no dia seguinte resfriado.
Rodrigo Boro
Tuesday, October 25, 2005
Warning!
Hoje eu recebi um aviso por mah conduta no meu emprego. Eu roubei? Nao. Eu briguei com um colega? Nao. Eu subi numa mesa, tirei meu membro pra fora e mijei em toda a porra de sanduiche daquele lugar? Nao. Se nao a surpresa de saber que o meu erro foi ir nao barbeado. E nao era que eu tava barbudo como eu acostumava a ficar no brasil. Nao. Eu fiquei um dia sem fazer barba. Menos, pois tinha feito na manha do dia anterior (isso dah um dia, idiota). Que seja.
Eu jah havia sido advertido por isso. Mas agora eh por escrito. Bosta de povo ingles, eu quero que eles peguem a preciosa advertencia escrita e enfiem no precioso reto!
Rodrigo Boro
Who need to focus on shave every morning
Fuck off
Ps: Eu pedi uma copia do "warning" pra minha gerente pra que eu pudesse mostrar em casa.
Eu jah havia sido advertido por isso. Mas agora eh por escrito. Bosta de povo ingles, eu quero que eles peguem a preciosa advertencia escrita e enfiem no precioso reto!
Rodrigo Boro
Who need to focus on shave every morning
Fuck off
Ps: Eu pedi uma copia do "warning" pra minha gerente pra que eu pudesse mostrar em casa.
Monday, October 17, 2005
A day in a life
Tiro as minhas conclusoes que estou sendo esquecido. No comeco recebia um monte de mensagens dizendo que eu estava fazendo falta e que todo mundo sempre perguntava de mim, e que nas rodas nos bares, nas quadras de futebol e debates sempre alguem lembrava "cade aquele rapas de oculos, o rodrigo? Grande garoto...
Vejo por esse blog mesmo, nos quais os unicos recados que recebo sao do meu irmao (mas esse tem a obrigacao de ler essa merda aqui) e de alguem querendo vender alguma coisa...
Mas outro dia, ontem pra ser exato, a palavra saudade pintou na luz de fosforo do meu computador e proveio de uma pessoa a qual guardo grande estima, mas que nem por isso me livrou da surpresa... Na duvida perguntei se era verdade, se nao era brincadeira, se o sentimento existia:
"O pior eh que existe"
...........................................
Rodrigo bobinho. Jah estah na Inglaterra ha quatro meses (ou tres?) e tudo o que ele conta eh sobre como ele mijou no proprio celular, ou o Japones dizendo que na borracha estava escrito borracha ou a briga com o chefe. Nao ha, nesse meio tempo, algo de mais interessante? Afinal, vc estah na terra das barbies e outras beldades como as Russas, as Tchecas (ai as Tchecas), meu deus, ateh as Escosesas servem! Ou seja, o que queremos saber: esse Rodrigo nao transa?
Isso nao eh da conta de vcs.
Mas como ninguem le esse blog, a nao ser o meu irmao e o cara que quer me vender alguma coisa, eu vou resistir a tentacao de manter a minha mae alienada em qualquer coisa relacionada a minha vida amorosa e contar uma historinha apropriada para a minha querida vozinha ler, pois ela eh muito bonitinha:
Estava eu tendo o pior tempo da minha vida. A balada chama Sports Caffe, e eh uma bosta. A musica eh uma bosta. O ambiente eh uma bosta. E essa bosta toda ainda tava miada de mulher. E pra piorar, as piores mulheres dentre as piores mulheres do local estavam conversando comigo e com um amigo meu. Como se ainda nao fosse ruim, elas eram brasileiras, entao nem pra praticar o ingles as barangas serviam.
Ao longe, a unica mulher bonita da balada brilhava. Era muito galanteada por ser a unica opcao. Lotado de homem em volta dela, e como toda a mulher nessa posicao de cobicada, a guria esnobava todos.
E eu com as barangas. Num momento, na frente delas, o meu amigo perguntou: "pode ir que essas dai eu nao pego. Vc pega"
O pior tempo da minha vida. "Nao. Eu to de boa". Nao sei se elas repararam esse papo, mas isso nao foi o suficiente pra afugenta-las. As barangas persistiam no abate.
Mas eu sentia na minha nuca um nao sei o que de olhar. Resolvi virar pra ver qual era, e percebi que a menina bonitinha, a unica, a disputada, olhava pra mim. Olhei pra baixo, talvez a minha braguilha estivesse aberta, era a unica explicacao. Nao estava.
Olhei de novo (pra guria, nao pra braguilha) e ela nao so estava me olhando como tambem soltou uma risadinha de lado. Olhei de novo (a minha braguilha, nao a guria), pois era muito bom pra ser verdade. Nao preciso mencionar que nesse interim eu estava ignorando completamente as barangas brasileiras.
Resolvi tomar iniciativa, estufei o peito e fui fundo, como o homem que sou, e aquela mulher seria minha, a sim, ela seria! Mas no meio do caminho dois ingleses chegaram conversando com ela e as amigas, entao eu achei que aquele nao era o melhor momento, e voltei para o convivio das barangas.
O pior tempo da minha vida continuava. Pra piorar o dj soltou uma musica do Michael Jackson e uma gordinha se empolgou na danca e comecou a fazer moonwalking.
Nao aguentando a musica, a gorda e as barangas, resolvi ir pegar uma cerva.
Quando voltei para o inferno que estava, percebi que a guria bonita se arrumava pra ir embora. Colocava o agasalho e pedia a bolsa para a amiga. Na hora pensei "so vai me sobrar esse tribufu que me fala". O pior tempo da minha vida.
Mas para minha surpresa, e para os que leem esse blog (meu irmao e o cara que quer me vender alguma coisa), ela veio na minha direcao, passou entre mim e o Troll que conversava comigo, olhou na minha cara, de frente, e deu uma risada do tipo "sim eu estava olhando pra vc e dando risada pra vc a balada inteira, agora estou indo embora seu idiota. Bem feito e boa sorte com o pequeno Greemilim ae na sua frente".
Eu atordoei. Foi uma risada bem literal, como vcs, meu irmao e o vendedor, podem imaginar. Agora nao tinha jeito. Deixei a cerveja e as barangas com o meu amigo, e fui atras dela, ia tentar pedir o telefone.
Quando eu chegava perto, dois ingleses, aqueles que jah a haviam cortejala, tentavam uma ultima sorte. Mas dessa vez eu nao voltei pras bruxas. Ta certo que tambem nao continuei andando; achei que a melhor opcao no momento era ficar parado e esperar os dois ingleses irem embora. Agora se vc ficou surpreso com a risada literal, essa vai ser de cair o queixo: a guria empurou os ingleses, veio na minha direcao e me deu um beijo. Eu fui catado! Ficamos assim uns dez minutos, depois ela me olhou nos olhos, deu outra risada e foi embora. O melhor foi olhar os ingleses com cara de bunda. Isso foi impagavel.
Mas a historia termina assim? Vc nao foi atras dela, nao pediu o telefone, nao combinou de sair, tomar um vinho na beira do Thames e terminar a noite bem?
Como eu jah disse, isso nao eh da conta de voces.
Rodrigo Boro
Vejo por esse blog mesmo, nos quais os unicos recados que recebo sao do meu irmao (mas esse tem a obrigacao de ler essa merda aqui) e de alguem querendo vender alguma coisa...
Mas outro dia, ontem pra ser exato, a palavra saudade pintou na luz de fosforo do meu computador e proveio de uma pessoa a qual guardo grande estima, mas que nem por isso me livrou da surpresa... Na duvida perguntei se era verdade, se nao era brincadeira, se o sentimento existia:
"O pior eh que existe"
...........................................
Rodrigo bobinho. Jah estah na Inglaterra ha quatro meses (ou tres?) e tudo o que ele conta eh sobre como ele mijou no proprio celular, ou o Japones dizendo que na borracha estava escrito borracha ou a briga com o chefe. Nao ha, nesse meio tempo, algo de mais interessante? Afinal, vc estah na terra das barbies e outras beldades como as Russas, as Tchecas (ai as Tchecas), meu deus, ateh as Escosesas servem! Ou seja, o que queremos saber: esse Rodrigo nao transa?
Isso nao eh da conta de vcs.
Mas como ninguem le esse blog, a nao ser o meu irmao e o cara que quer me vender alguma coisa, eu vou resistir a tentacao de manter a minha mae alienada em qualquer coisa relacionada a minha vida amorosa e contar uma historinha apropriada para a minha querida vozinha ler, pois ela eh muito bonitinha:
Estava eu tendo o pior tempo da minha vida. A balada chama Sports Caffe, e eh uma bosta. A musica eh uma bosta. O ambiente eh uma bosta. E essa bosta toda ainda tava miada de mulher. E pra piorar, as piores mulheres dentre as piores mulheres do local estavam conversando comigo e com um amigo meu. Como se ainda nao fosse ruim, elas eram brasileiras, entao nem pra praticar o ingles as barangas serviam.
Ao longe, a unica mulher bonita da balada brilhava. Era muito galanteada por ser a unica opcao. Lotado de homem em volta dela, e como toda a mulher nessa posicao de cobicada, a guria esnobava todos.
E eu com as barangas. Num momento, na frente delas, o meu amigo perguntou: "pode ir que essas dai eu nao pego. Vc pega"
O pior tempo da minha vida. "Nao. Eu to de boa". Nao sei se elas repararam esse papo, mas isso nao foi o suficiente pra afugenta-las. As barangas persistiam no abate.
Mas eu sentia na minha nuca um nao sei o que de olhar. Resolvi virar pra ver qual era, e percebi que a menina bonitinha, a unica, a disputada, olhava pra mim. Olhei pra baixo, talvez a minha braguilha estivesse aberta, era a unica explicacao. Nao estava.
Olhei de novo (pra guria, nao pra braguilha) e ela nao so estava me olhando como tambem soltou uma risadinha de lado. Olhei de novo (a minha braguilha, nao a guria), pois era muito bom pra ser verdade. Nao preciso mencionar que nesse interim eu estava ignorando completamente as barangas brasileiras.
Resolvi tomar iniciativa, estufei o peito e fui fundo, como o homem que sou, e aquela mulher seria minha, a sim, ela seria! Mas no meio do caminho dois ingleses chegaram conversando com ela e as amigas, entao eu achei que aquele nao era o melhor momento, e voltei para o convivio das barangas.
O pior tempo da minha vida continuava. Pra piorar o dj soltou uma musica do Michael Jackson e uma gordinha se empolgou na danca e comecou a fazer moonwalking.
Nao aguentando a musica, a gorda e as barangas, resolvi ir pegar uma cerva.
Quando voltei para o inferno que estava, percebi que a guria bonita se arrumava pra ir embora. Colocava o agasalho e pedia a bolsa para a amiga. Na hora pensei "so vai me sobrar esse tribufu que me fala". O pior tempo da minha vida.
Mas para minha surpresa, e para os que leem esse blog (meu irmao e o cara que quer me vender alguma coisa), ela veio na minha direcao, passou entre mim e o Troll que conversava comigo, olhou na minha cara, de frente, e deu uma risada do tipo "sim eu estava olhando pra vc e dando risada pra vc a balada inteira, agora estou indo embora seu idiota. Bem feito e boa sorte com o pequeno Greemilim ae na sua frente".
Eu atordoei. Foi uma risada bem literal, como vcs, meu irmao e o vendedor, podem imaginar. Agora nao tinha jeito. Deixei a cerveja e as barangas com o meu amigo, e fui atras dela, ia tentar pedir o telefone.
Quando eu chegava perto, dois ingleses, aqueles que jah a haviam cortejala, tentavam uma ultima sorte. Mas dessa vez eu nao voltei pras bruxas. Ta certo que tambem nao continuei andando; achei que a melhor opcao no momento era ficar parado e esperar os dois ingleses irem embora. Agora se vc ficou surpreso com a risada literal, essa vai ser de cair o queixo: a guria empurou os ingleses, veio na minha direcao e me deu um beijo. Eu fui catado! Ficamos assim uns dez minutos, depois ela me olhou nos olhos, deu outra risada e foi embora. O melhor foi olhar os ingleses com cara de bunda. Isso foi impagavel.
Mas a historia termina assim? Vc nao foi atras dela, nao pediu o telefone, nao combinou de sair, tomar um vinho na beira do Thames e terminar a noite bem?
Como eu jah disse, isso nao eh da conta de voces.
Rodrigo Boro
Sunday, October 09, 2005
A gente muda de mundo mas nao muda com ele. E se muda eh pouca coisa.
Ps1: Ha um estamento que diz que se alguem um dia conseguisse entender o mundo, o universo, a vida e todo o resto, entao a existencia exploderia e se transformaria em algo muito mais inexplicavel.
Um outro estamento diz que isso jah aconteceu.
Em uma loja Nerd de quadrinhos que tem aqui, um dos meus artistas prediletos tava dando autografos. O nome dele eh Bill Sienkwieks, e ele eh conhecido pelo surrealismo de seus desenhos como forma de alteracao e expansao da propria realidade, de modo a interpreta-la muito melhor do que o real de fato. Ou seja: o cara eh foda. E como todo o cara foda que se prese, tem o cabelo mal arrumado. Mas nao o cabelo meticulosamente mal arrumado como se estah na moda, cheio de gelzinho e toda essa merda. Nao, o cabelo dele eh o tipico acordei e nao tomei conhecimento do pente hoje.
Pois bem, estou de cara com o mano artista de cabelo desarrumado e estremamente foda. Ele pergunta se eu quero dedicatoria. Respondo que sim. Ele pergunta o meu nome. Eu escrevo pra ele "Rodrigo Boro", jah que eh mais facil do que soletrar. "You want the whole name?". "Yes". "The first and surname?" "Yes, please". O filho da puta me escreve o meu nome inteiro (como devidamente requerido), em letras garrafais que ocupa meia pagina. E embaixo do nome ainda escreve "All the best". Mas na hora de autografar o proprio nome ele escreve no canto esquerdo inferior da pagina bem pequeniniho, quase que invisivel. Me intrega o livro e diz "thank you and I hope you enjoy the book". Filho da puta.
Ps2: Eu mereci esta.
Ps1: Ha um estamento que diz que se alguem um dia conseguisse entender o mundo, o universo, a vida e todo o resto, entao a existencia exploderia e se transformaria em algo muito mais inexplicavel.
Um outro estamento diz que isso jah aconteceu.
Em uma loja Nerd de quadrinhos que tem aqui, um dos meus artistas prediletos tava dando autografos. O nome dele eh Bill Sienkwieks, e ele eh conhecido pelo surrealismo de seus desenhos como forma de alteracao e expansao da propria realidade, de modo a interpreta-la muito melhor do que o real de fato. Ou seja: o cara eh foda. E como todo o cara foda que se prese, tem o cabelo mal arrumado. Mas nao o cabelo meticulosamente mal arrumado como se estah na moda, cheio de gelzinho e toda essa merda. Nao, o cabelo dele eh o tipico acordei e nao tomei conhecimento do pente hoje.
Pois bem, estou de cara com o mano artista de cabelo desarrumado e estremamente foda. Ele pergunta se eu quero dedicatoria. Respondo que sim. Ele pergunta o meu nome. Eu escrevo pra ele "Rodrigo Boro", jah que eh mais facil do que soletrar. "You want the whole name?". "Yes". "The first and surname?" "Yes, please". O filho da puta me escreve o meu nome inteiro (como devidamente requerido), em letras garrafais que ocupa meia pagina. E embaixo do nome ainda escreve "All the best". Mas na hora de autografar o proprio nome ele escreve no canto esquerdo inferior da pagina bem pequeniniho, quase que invisivel. Me intrega o livro e diz "thank you and I hope you enjoy the book". Filho da puta.
Ps2: Eu mereci esta.
Friday, September 30, 2005
A vida eh uma coisa chata. "hoje eu acordei, olhei no espelho, dei um cagao e escovei os dentes". Coisa mais enfadonha. Nao, isso eh bobagem. O que acontece de interessante nao faz parte da vida, nao eh aquilo que se olha, eh o subtendido.
Eh olhar a lua e ouvir uma pequena risada que te leve a uma praia, um momento e uma pessoa. Eh quando vc escuta uma escala desconcertada em um violao de um mendigo que nunca tocou violao na vida. Eh o procurar uma bica no deserto. A vida, ou o que se escreve dela, estah no invisivel.
E por que eu falei isso? O que ter a ver a minha estada em Londres com isso?
Nao sei... Mas deu vontade de falar.
Vai ver eh a saudade que bate de vez em quando. Explico: jah disso que nao sinto falta de ninguem, e isso eh verdade. Nao por que eu sou um filho ingrato, um irmao insensivel ou um amigo cusao. Ao contrario, nunca deixo de levar aqueles que preso no peito.
Mas toda vez que eu escuto ac/dc, por exemplo, me remete a tal pessoa. Ou ouco uma piada estupida do tipo: "vc pegou o onibus? entao pega aqui", ou quando eu vejo um jogo de futebol, uma balada mal fadada, um cara nervosinho, uma pessoa antisocial, uma garota meiga, uma garota de riso largo, um gordinho brincalhao, uma mae superprotetora e carinhosa, amigos bebendo no bar, amigos falando de mulheres, uns topetudos com casaco de couro, um show de rock. Quando a minha casa lota de gente eu sinto uma pontada no peito me implorando pra pedir pro meu pai ir comprar esfira no habbibs.
Eh o invisivel
Rodrigo Boro
Ps: nao me encontro num estado lastimavel de autolamentacao. Ao contrario, acho que estou muito bem. Mas um pouco de melancolia nunca fez mal a ninguem. E se um dia vc pensar isso de mim, lembre-se dos mortos: a dor eh de quem fica.
Eh olhar a lua e ouvir uma pequena risada que te leve a uma praia, um momento e uma pessoa. Eh quando vc escuta uma escala desconcertada em um violao de um mendigo que nunca tocou violao na vida. Eh o procurar uma bica no deserto. A vida, ou o que se escreve dela, estah no invisivel.
E por que eu falei isso? O que ter a ver a minha estada em Londres com isso?
Nao sei... Mas deu vontade de falar.
Vai ver eh a saudade que bate de vez em quando. Explico: jah disso que nao sinto falta de ninguem, e isso eh verdade. Nao por que eu sou um filho ingrato, um irmao insensivel ou um amigo cusao. Ao contrario, nunca deixo de levar aqueles que preso no peito.
Mas toda vez que eu escuto ac/dc, por exemplo, me remete a tal pessoa. Ou ouco uma piada estupida do tipo: "vc pegou o onibus? entao pega aqui", ou quando eu vejo um jogo de futebol, uma balada mal fadada, um cara nervosinho, uma pessoa antisocial, uma garota meiga, uma garota de riso largo, um gordinho brincalhao, uma mae superprotetora e carinhosa, amigos bebendo no bar, amigos falando de mulheres, uns topetudos com casaco de couro, um show de rock. Quando a minha casa lota de gente eu sinto uma pontada no peito me implorando pra pedir pro meu pai ir comprar esfira no habbibs.
Eh o invisivel
Rodrigo Boro
Ps: nao me encontro num estado lastimavel de autolamentacao. Ao contrario, acho que estou muito bem. Mas um pouco de melancolia nunca fez mal a ninguem. E se um dia vc pensar isso de mim, lembre-se dos mortos: a dor eh de quem fica.
Wednesday, September 07, 2005
Meu inepito cabelo azul
Pois bem, quem eh vivo sempre aparece. Nessa semana que se foi ha algumas novidades, um acontecimento e uma noticia patetica, engracada e humilhante.
Vamos por partes.
Eu finalmente enviei o meu application e o meu portfolio pra faculdade. Agora espero o dia para marcar a entrevista e ser aceito. Se eu passei na PUC, eu consigo pegar uma pos aqui (eh loooogico).
Outra coisa eh que eu recebi um aumento salarial. Ao que parece, na dificil tarefa de sanduiche natural eu sou o melhor. O estranho eh que eu soh atraso e nunca faco a barba. Eles devem pensar que era corpo mole, mas eh preguica mesmo...
Bom, estou pra comprar um celular, assim a mulherada que tah morta de saudade pode ligar para esse cara foda que sou... Tah, pros meus pais me ligarem..
O acontecimento: Fui prum festival de musica que tocaram as bandas Iron Maiden, Pixies, Dropkick Murphies, Foo Fighters, Kings of Leon, Razorligh, the Killers e o anticristo Marylin Mason. Foi muito bom.
Pra terminar, o acontecimento patetico. Logico, imagino que todos pularam a baboseira de cima pra dar boas risadas com as trapalhadas de Rodrigo Boro "como nos velhos tempos..."
Quer saber? Foda-se, num vou contar... tchau
Vamos por partes.
Eu finalmente enviei o meu application e o meu portfolio pra faculdade. Agora espero o dia para marcar a entrevista e ser aceito. Se eu passei na PUC, eu consigo pegar uma pos aqui (eh loooogico).
Outra coisa eh que eu recebi um aumento salarial. Ao que parece, na dificil tarefa de sanduiche natural eu sou o melhor. O estranho eh que eu soh atraso e nunca faco a barba. Eles devem pensar que era corpo mole, mas eh preguica mesmo...
Bom, estou pra comprar um celular, assim a mulherada que tah morta de saudade pode ligar para esse cara foda que sou... Tah, pros meus pais me ligarem..
O acontecimento: Fui prum festival de musica que tocaram as bandas Iron Maiden, Pixies, Dropkick Murphies, Foo Fighters, Kings of Leon, Razorligh, the Killers e o anticristo Marylin Mason. Foi muito bom.
Pra terminar, o acontecimento patetico. Logico, imagino que todos pularam a baboseira de cima pra dar boas risadas com as trapalhadas de Rodrigo Boro "como nos velhos tempos..."
Quer saber? Foda-se, num vou contar... tchau
Thursday, August 25, 2005
Bom, eu aqui de novo, mas de resto nada.
Semana passada eu fui pra Paris e Bruxels. Mas o que eu quero falar eh do gordinho na Inglaterra. Meu pai, essa simpatica criatura rotunda, veio com sua esposa, mamae, e seu primogenito, Dudu, conhecer os sitios da rainha, e aproveitar para olhar o prodigo, este que vos escreve.
Nunca mais, para mim, vou olhar para um Pub com os mesmo olhos. A partir de agora ele virou um butequinho, programa predileto de Gordinho na Inglaterra. Quando em outro lugar, por exemplo em Buckinham, ou como papai diz, "A casa da Vagabunda", ele reclama. Nao quer aquilo, muito simplorio, ineficiente - mente de engenheiro. A cerveja o chama, Sheakspeare Head o berra ao chamado ao alcool. Butequinho. Nem arisca um ingles, pede em portugues mesmo: "me ve uma cerveja ae".
Nos museus, passamos rapido - meia hora no National Gallery. O Monet? "Eh falso", como todos os outros quadros, segundo gordinho. E enquanto outros vao para lojas de eletrodomesticos e roupas, meu patriarca gosta de um bom supermercado, e enche seu frigobar de adivenhe o que? cerveja! E comida, jah que o gordinho nao eh de ferro. Concentra toda a sua sabedoria em sua barriga. Meu buda!
Hoje eu entrei num Pub. Nao pude resistir, pedi uma cerveja em bom portugues, eh claro. Um brinde a vagabunda em seu castelo de cartas!
E tchau.
Semana passada eu fui pra Paris e Bruxels. Mas o que eu quero falar eh do gordinho na Inglaterra. Meu pai, essa simpatica criatura rotunda, veio com sua esposa, mamae, e seu primogenito, Dudu, conhecer os sitios da rainha, e aproveitar para olhar o prodigo, este que vos escreve.
Nunca mais, para mim, vou olhar para um Pub com os mesmo olhos. A partir de agora ele virou um butequinho, programa predileto de Gordinho na Inglaterra. Quando em outro lugar, por exemplo em Buckinham, ou como papai diz, "A casa da Vagabunda", ele reclama. Nao quer aquilo, muito simplorio, ineficiente - mente de engenheiro. A cerveja o chama, Sheakspeare Head o berra ao chamado ao alcool. Butequinho. Nem arisca um ingles, pede em portugues mesmo: "me ve uma cerveja ae".
Nos museus, passamos rapido - meia hora no National Gallery. O Monet? "Eh falso", como todos os outros quadros, segundo gordinho. E enquanto outros vao para lojas de eletrodomesticos e roupas, meu patriarca gosta de um bom supermercado, e enche seu frigobar de adivenhe o que? cerveja! E comida, jah que o gordinho nao eh de ferro. Concentra toda a sua sabedoria em sua barriga. Meu buda!
Hoje eu entrei num Pub. Nao pude resistir, pedi uma cerveja em bom portugues, eh claro. Um brinde a vagabunda em seu castelo de cartas!
E tchau.
Friday, July 22, 2005
Maior evento do seculo
Tah confirmado. Londres vai parar, segundo os jornais. Bono Vox, o organizador, diz que o AC/DC jah confirmou presenca. "Angus nao perderia isso por nada", comentou. O show vai ser no Astoria, somente para poucos, mas tera um telao no Hyde Park pro resto da massa. Algumas participacoes: Rolling Stones, Bob Dylan, Strokes e REM, entre outros. Ringo Starr vai estar lah tambem, a pedido especial do homenageado.
Isso tudo acontecera amanha, sabado. Havera uma bencao especial da Rainha, que nomeara o dia 23 o dia especial do Rodrigo.
:/ Salamaleico!!!
Isso tudo acontecera amanha, sabado. Havera uma bencao especial da Rainha, que nomeara o dia 23 o dia especial do Rodrigo.
:/ Salamaleico!!!
Sunday, July 10, 2005
Atentado em Londres
Nao fui eu, eu tenho alibis. Maiores perguntas falem com o meu irmao, ele eh o meu advogado.
Thursday, July 07, 2005
Quando estava saindo do trabalho, as dez horas, um carinha que trabalha comigo me falou "Voce nao vai conseguir voltar pra casa. Os trens estao fechados". Beleza, eu pego o onibus. E toquei o meu caminho. Na rua, andando em sentido ao banco, pra confirmar se o meu pagamento tava beleza, tinha um grupo aglomerado numa vitrine. Curioso, fui ver: estava dando que em dois lugares diferentes tinha havido uma explosao. Russel Square, a tv dizia. Perguntei pra uma mulher do lado onde era. "Down there", ele disse, me apontando o sul.
Fui checar, a poucos quarteiroes do trabalho, um onibus todo arrebentado, a capota e a parte de tras destruidas. A tv ateh agora nao deu o numero de mortos nesse incidente, em particular. Mas se tinha alguem na parte de cima, e devia ter muita gente, pelo horario e pelo local, essas pessoas estao mortas.
Numa das estacoes que explodiu eu passo diariamente, na hora que volto do meu trabalho. Se os atentados tivessem acontecidos uma hora mais tarde, eu seria mais do que um mero espectador. Mas isso nao aconteceu.
A policia aqui eh muito eficiente,poucos minutos depois dos atentados ela jah estava por toda a City, o centro daqui. Numa hora, estava parado na rua, imaginando o que fazer, jah que os onibus e o metro estavam fechados, e estava chuvendo. Um policial se aproximou, e educadamente me pediu para circular. Ficar parado virou uma atividade suspeita.
Na Charing Cross Road, cinco quadras do trabalho, dez do incidente em Aldgate, havia uns policiais e um jipe do exercito e eles cercaram um perimetro em volta de um onibus parado. Eu perguntei a um policial qual era o problema: "This bus got a suspect package in the bus. What are you thinking? That we are kidding in here? That this is fun for us?"
Londres eh cheio de gente que veio do Oriente Medio. A primeira vez que eu cheguei aqui, eu fiquei espandado que as mulheres de burcas. Varias lojas tem seu anuncio em ingles e arabe. Meu antigo vizinho era um iraquiano que fugio da guerra. Hoje esta diferente. Nao vi um arabe na rua. Estao escondidos: jah sabem quem irao culpar por tudo isso.
Tirando o incidente do onibus, que nao divulgaram o numero de feridos e mortos, nas outras explosoes ocorridas, 33 pessoas morreram. Porem, se falarem que a situacao em Londres eh de panico, isso eh mentira. Nao tem panico. Hoje, quando eu estava passando num dos atentados, na Edgware Road, um turista me pediu pra tirar a foto dele com a mulher, mas que pegasse o atentado ao fundo.
Fui checar, a poucos quarteiroes do trabalho, um onibus todo arrebentado, a capota e a parte de tras destruidas. A tv ateh agora nao deu o numero de mortos nesse incidente, em particular. Mas se tinha alguem na parte de cima, e devia ter muita gente, pelo horario e pelo local, essas pessoas estao mortas.
Numa das estacoes que explodiu eu passo diariamente, na hora que volto do meu trabalho. Se os atentados tivessem acontecidos uma hora mais tarde, eu seria mais do que um mero espectador. Mas isso nao aconteceu.
A policia aqui eh muito eficiente,poucos minutos depois dos atentados ela jah estava por toda a City, o centro daqui. Numa hora, estava parado na rua, imaginando o que fazer, jah que os onibus e o metro estavam fechados, e estava chuvendo. Um policial se aproximou, e educadamente me pediu para circular. Ficar parado virou uma atividade suspeita.
Na Charing Cross Road, cinco quadras do trabalho, dez do incidente em Aldgate, havia uns policiais e um jipe do exercito e eles cercaram um perimetro em volta de um onibus parado. Eu perguntei a um policial qual era o problema: "This bus got a suspect package in the bus. What are you thinking? That we are kidding in here? That this is fun for us?"
Londres eh cheio de gente que veio do Oriente Medio. A primeira vez que eu cheguei aqui, eu fiquei espandado que as mulheres de burcas. Varias lojas tem seu anuncio em ingles e arabe. Meu antigo vizinho era um iraquiano que fugio da guerra. Hoje esta diferente. Nao vi um arabe na rua. Estao escondidos: jah sabem quem irao culpar por tudo isso.
Tirando o incidente do onibus, que nao divulgaram o numero de feridos e mortos, nas outras explosoes ocorridas, 33 pessoas morreram. Porem, se falarem que a situacao em Londres eh de panico, isso eh mentira. Nao tem panico. Hoje, quando eu estava passando num dos atentados, na Edgware Road, um turista me pediu pra tirar a foto dele com a mulher, mas que pegasse o atentado ao fundo.
Tuesday, July 05, 2005
O meu celular tah com o meu cheirinho
Pois bem, me mudei. Eh a terceira vez em dois meses, e espero que essa dure. Fui pra uma casa boa, com tres quartos, dois banheiros e sala, um luxo se comparada ao cortico na qual estava. A mudanca foi ontem, na parte da noite. Duas viagens e a impressao de ter acumulado uma tonelada de tranqueiras nesses primeiros meses me deixaram exaurido, e cansado fui dormir sem conhecer a fundo toda a casa. Amanha, pensei, amanha.
Pus meu celular pra despertar, tirei o meu saco de dormir (que eu uso como cobertor) e fui pra cama. Lah pelas duas da manha eu sinto uma puta vontade de mijar. Levanto, tudo normal, caminho, beleza, bato a perna num comodo, doeu mas vamo enfrente. O banheiro tava um breu total, procurei a porra do interruptor, nao achei, e como nao estava acostumado a ele, nao quis mijar na escuridao, com medo de errar a mira.
Eu, que sou muito inteligente, resolvi pegar o celular pra iluminar o meu caminho. O meu telefone tem uma luzinha em cima, que eh feita pra servir de lanterna mesmo. Legal, a luzinha ilumina bem. Nao bato na comoda, mas a perna ainda tah doendo. Apresso o passo, que a vontade ta foda.
Agora sim, vejo a privada claramente. Miro meu instrumento como se fosse um rifle de um sniper, e a lanterna eh a mira laser. Atiro. O alivio e o barulho da agua me relembram o sono, fecho os olhos. Tibum! Minha mao direita fica mais leve. Corto o fluxo na hora. A privada se ilumina de dentro. Merda.
Ainda observo desacretitado meu celular dentro da privada ateh a sua luz finalmente se apagar, e a escuridao se fazer. Vou tateando nas paredes ateh a cozinha e procuro um saco plastico. Tenho a frieza de espirito de encher o saco com agua, e confirmo que ele nao tem nenhum buraco. Acendo a luz do corredor e volto pro banheiro. Acho o interruptor e vejo meu telfone. Ensaco a mao.
Agora vem a melhor parte! Eu pego meu celular no fundo da privada, o levo ateh a pia e lavo ele. Apos isso, volto pra privada e termino de mijar.
Apos essa pequena peripecia, vou pra cama e durmo.
Hoje eu acordei atrasado pro trabalho porque o meu celular nao despertou. Infelizmente, pensei, nao foi um sonho.
Pus meu celular pra despertar, tirei o meu saco de dormir (que eu uso como cobertor) e fui pra cama. Lah pelas duas da manha eu sinto uma puta vontade de mijar. Levanto, tudo normal, caminho, beleza, bato a perna num comodo, doeu mas vamo enfrente. O banheiro tava um breu total, procurei a porra do interruptor, nao achei, e como nao estava acostumado a ele, nao quis mijar na escuridao, com medo de errar a mira.
Eu, que sou muito inteligente, resolvi pegar o celular pra iluminar o meu caminho. O meu telefone tem uma luzinha em cima, que eh feita pra servir de lanterna mesmo. Legal, a luzinha ilumina bem. Nao bato na comoda, mas a perna ainda tah doendo. Apresso o passo, que a vontade ta foda.
Agora sim, vejo a privada claramente. Miro meu instrumento como se fosse um rifle de um sniper, e a lanterna eh a mira laser. Atiro. O alivio e o barulho da agua me relembram o sono, fecho os olhos. Tibum! Minha mao direita fica mais leve. Corto o fluxo na hora. A privada se ilumina de dentro. Merda.
Ainda observo desacretitado meu celular dentro da privada ateh a sua luz finalmente se apagar, e a escuridao se fazer. Vou tateando nas paredes ateh a cozinha e procuro um saco plastico. Tenho a frieza de espirito de encher o saco com agua, e confirmo que ele nao tem nenhum buraco. Acendo a luz do corredor e volto pro banheiro. Acho o interruptor e vejo meu telfone. Ensaco a mao.
Agora vem a melhor parte! Eu pego meu celular no fundo da privada, o levo ateh a pia e lavo ele. Apos isso, volto pra privada e termino de mijar.
Apos essa pequena peripecia, vou pra cama e durmo.
Hoje eu acordei atrasado pro trabalho porque o meu celular nao despertou. Infelizmente, pensei, nao foi um sonho.
Wednesday, June 29, 2005
Live Aid
E ae galera do terceiro mundo, como andam as coisas? Bom, por aqui vai tudo beleza. E o que vcs, pessoas subdesenvolvidas, irao fazer no sabado? Eu vou no Live 8. Vcs, povo ignorante, sabem o que eh isso? Pois eh o maior show de todos os tempos, pra arrecadar fundos contra a pobreza e a fome. Pois eh, ganhei um ingresso. Fiquei cinco horas na fila, mas blz. Vai ter U2, REM, AC/DC (esse eu acho), Pink Floyd e muitas outras bandas. Miseria pouca eh bobagem...
Monday, June 27, 2005
Claksdlak
Eu sou uma pessoa contemplativa. O que no passado as pessoas chamavam de vagabundagem, era um exercicio profunto de concentracao mental sob um mesmo objeto. Quando crianca eu acostumava ficar encarando o nada, olhando pra um ponto qualquer ateh que a minha visao ficasse embacada e o mundo comecava a perder forma, e eu perdia qualquer apoio ao chao e por um segundo eu voava. Mas eu caia em mim. Nao chegava a decolar.
Voce cresce e parece que esquece um monte de coisa que realmente importa. Como brincar na chuva e brincar de pique-esconde. Eu cresci antes de aprender a voar.
Nao vou dizer que em Londres eu to voltando a essa grande capacidade mental de viajar pra lugares que eu nem imagino, soh com a minha mente. Bobagem, isso nao volta. Mas aqui eh uma linda cidade louca de malucos. Na Soho Square duas meninas lindas, em roupas de trapos, tocam em seus violinos melodias de Bach, Chopan e algumas musicas tradicionais do leste europeu que simplesmente matam de emocao. Tem um mendigo perto da Piccadilly Circus que veste um sobretudo e uma meia calca, e soh. Tem dois caras, em frente ao Picture Gallery, que fumam maconha o dia inteiro e ficam discutindo o quanto esse mundo eh sacana, e o quanto a guerra prejudicou a vida deles. Nao que eles tenham ido a nenhuma guerra, eh claro.
Eu tentei por em pratica a minha abilidade de chutar bitucas de cigarro, aqui em londres. Mas nao eh a mesma coisa que chutar tampinhas de garrafa, igual no Brasil. Nao tem a mesma emocao, o barulho, a alegria de ver o tanto que rola. Na maioria das vezes, soh amaca a bituca. Mas aqui num tem tampinha, soh bituca. Entao eu contemplo.
Ps: Hoje eu mandei o meu chefe se fuder, e eu acho que eu posso ter perdido o emprego. Mas essa historia eu conto outro dia.
Voce cresce e parece que esquece um monte de coisa que realmente importa. Como brincar na chuva e brincar de pique-esconde. Eu cresci antes de aprender a voar.
Nao vou dizer que em Londres eu to voltando a essa grande capacidade mental de viajar pra lugares que eu nem imagino, soh com a minha mente. Bobagem, isso nao volta. Mas aqui eh uma linda cidade louca de malucos. Na Soho Square duas meninas lindas, em roupas de trapos, tocam em seus violinos melodias de Bach, Chopan e algumas musicas tradicionais do leste europeu que simplesmente matam de emocao. Tem um mendigo perto da Piccadilly Circus que veste um sobretudo e uma meia calca, e soh. Tem dois caras, em frente ao Picture Gallery, que fumam maconha o dia inteiro e ficam discutindo o quanto esse mundo eh sacana, e o quanto a guerra prejudicou a vida deles. Nao que eles tenham ido a nenhuma guerra, eh claro.
Eu tentei por em pratica a minha abilidade de chutar bitucas de cigarro, aqui em londres. Mas nao eh a mesma coisa que chutar tampinhas de garrafa, igual no Brasil. Nao tem a mesma emocao, o barulho, a alegria de ver o tanto que rola. Na maioria das vezes, soh amaca a bituca. Mas aqui num tem tampinha, soh bituca. Entao eu contemplo.
Ps: Hoje eu mandei o meu chefe se fuder, e eu acho que eu posso ter perdido o emprego. Mas essa historia eu conto outro dia.
Sunday, June 26, 2005
Anywhere I Lay My Head
"My head is spinning round, my heart is in my shoes, yeah
I went and set the Thames on fire, oh, now I must come back down
She's laughing in her sleeve boys, I can feel it in my bones
Oh, but anywhere I'm gonna lay my head, I'm gonna call my home
Well I see that the world is upside-down
Seems that my pockets were filled up with gold
And now the clouds, well they've covered over
And the wind is blowing cold
Well I don't need anybody, because I learned, I learned to be alone
Well I said anywhere, anywhere, anywhere I lay my head, boys
Well I gonna call my home"
Tom Wissimo
I went and set the Thames on fire, oh, now I must come back down
She's laughing in her sleeve boys, I can feel it in my bones
Oh, but anywhere I'm gonna lay my head, I'm gonna call my home
Well I see that the world is upside-down
Seems that my pockets were filled up with gold
And now the clouds, well they've covered over
And the wind is blowing cold
Well I don't need anybody, because I learned, I learned to be alone
Well I said anywhere, anywhere, anywhere I lay my head, boys
Well I gonna call my home"
Tom Wissimo
Wednesday, June 22, 2005
As ninjas
No Hyde Park, num domingo de muito sol, o dia mais quente em 36 anos segundo o Standard News, estava a passear e ver umas pequenas. Porem, sentia sempre em minha nuca um arrepio frio, como que sendo perseguido. Nao cheguei a perceber, mas depois, no conforto do meu lar de 1 metro quadrado e 11 neguinhos, vi que um grupo de ninjas estava atras de mim.
Elas se esconde nas sombras, as ninjas, se camuflam aos olhares mais atentos. Sao silensiosas tambem. Certa vez, andando na Edgware Road, vi uma como uma mordaca dourada na boca. Elas sempre passam. Nunca ficam, sempre de um lado pro outro, e sempre de preto. Mesmo estando sol, e mesmo sendo o verao mais quente em 36 anos.
Sao disciplinadas, as ninjas.
Elas nao andam com muita graca. Sao meio desengoncadas, como que se nao tivessem o costume de caminhar. Nao gingam, sao duras na desenvoltura. Falta balanco. Quando sozinhas consigo mesmas, se despem da mascara. Mas na presenca de desconhecidos, ou de uma camera indiscreta, se escondem quase que de imediato, e em algumas frestas se prestam a docura do olhar.
Elas se esconde nas sombras, as ninjas, se camuflam aos olhares mais atentos. Sao silensiosas tambem. Certa vez, andando na Edgware Road, vi uma como uma mordaca dourada na boca. Elas sempre passam. Nunca ficam, sempre de um lado pro outro, e sempre de preto. Mesmo estando sol, e mesmo sendo o verao mais quente em 36 anos.
Sao disciplinadas, as ninjas.
Elas nao andam com muita graca. Sao meio desengoncadas, como que se nao tivessem o costume de caminhar. Nao gingam, sao duras na desenvoltura. Falta balanco. Quando sozinhas consigo mesmas, se despem da mascara. Mas na presenca de desconhecidos, ou de uma camera indiscreta, se escondem quase que de imediato, e em algumas frestas se prestam a docura do olhar.
Saturday, June 11, 2005
Requiem pelo Kadetao
Ele surgiu na familia quando eu tinha 10 anos. Na epoca eu e meu irmao tinhamos que esperar a minha mae no portao lateral do colegio, pq ela nao nos deixava voltar a pe. Enquanto esperavamos, conhecemos um menino bobo de nome Ivo, que tambem tinha que esperar a mae chegar num Veraneio. De vez em quando pegavamos carona no Veraneio dele. De vez em quando, ele ia com a gente, no nosso famoso Kadetao.
O colegio foi passando, e ao meu irmao e ao Ivo eu agreguei mais amigos: Garavelli, Guilherme, Luciano, Mauricio, Glauco, Marcus, Fabrizio. Viramos a Mafia. E, claro, o Kadetao. Acho que por essa epoca a minha mae desistiu do carro, ganhou um mais novo, e passou o possante para o meu pai. Meu pai o usava para tocar os servicos de "peao": viajar pra ver obra, entrar em terreno e sujar sujar sujar. Ele jah tava comecando a mostrar uma certa fadiga. Comecava a falhar.
Nessa epoca o Kadet foi pro Gara, dar umas bandas em outra familia. Foi bem tratado lah, o Gara sempre gostou bastante dele.
Pois bem, completei 18 anos, tava no cursinho. Quando a minha carta de motorista veio, o Kadet passou pra mim. No primeiro dia que eu o peguei pra dirigir, o Glauco tava do meu lado, iamos pro Ivo, aquele mesmo moleque bobo do Batista. O carro estranhamente nao parava de morrer. Achei que era pq eu era motorista novo, nao controlava bem a embrenhagem. Cheguei no Ivo, e o cheiro de queimado me fez olhar pra baixo: tinha esquecido o freio de mao puxado.
Outras merdas vieram, mas o Kadet me ensinava bem: aprendi muito com ele. Lembro que quando entrei na faculdade, conheci esses dois caras, o Arturo e o Leandro. Era algum feriado, e resolvemos fazer um bate volta pra praia. Era a primeira vez que eu pegaria uma estrada, e eu resolvi falar pros meus pais que eu tava na casa de uns amigos. Tinha medo que eles proibissem. Pois bem, fomos a praia. E devo dizer que me sai muito bem. Dirigi perfeitamente. Estava cool, na estrada, de oculos escuro. Fomos pro Guaruja, o dia foi maravilhoso, muito sol.
Na volta, jah nas brumas do entardecer, pegamos o Kadetao, que haviamos deixado num estacionamento, quando eu descobri que havia esquecido meu oculos em casa. Soh estava com o escuro, entao quem voltou dirigindo foi o Arturo.
Foram bons momentos com aquele carro, vou sempre me lembrar dele com carinho. Mas ele estava velho, andava falhando muito.
A poucos dias atras, meu pai me avisou que vendeu o Kadet.
Fiquei triste, me senti sozinho e altamente melancolico. Nao pude evitar. Fui dormir mais cedo naquele dia e nos sonhos me veio a imagem: o kadet sozinho na garagem, triste desde que eu fui embora. Como um cachorro que olha pelo portao, e espera todo dia o retorno de seu dono, para poder mais uma vez brincar pela rua. Mas esse dono foi embora, foi viajar por um tempo, correr mundo, mas dessa vez sem o Kadet. E nos ultimos dias ele sentia muita dor, coitado. Estava velho, o Kadet, e o meu pai teve de abate-lo. Imagino ele no ceu dos carros que foram bons, ao lado do velho Dodginho do meu avo, paquerando uma Ferrari. O Kadet sempre foi um travesso.
Leva consigo um pouco de todo o mundo que jah rodou com ele: minha mae, meu pai, o Ivo, o tio Ari, os Garas, meu Irmao, toda a mafia, todos os FMs e todas as pessoas que foram, e sao, importantes na minha vida. E leva um pouco de mim tb.
Adeus, velho amigo.
O colegio foi passando, e ao meu irmao e ao Ivo eu agreguei mais amigos: Garavelli, Guilherme, Luciano, Mauricio, Glauco, Marcus, Fabrizio. Viramos a Mafia. E, claro, o Kadetao. Acho que por essa epoca a minha mae desistiu do carro, ganhou um mais novo, e passou o possante para o meu pai. Meu pai o usava para tocar os servicos de "peao": viajar pra ver obra, entrar em terreno e sujar sujar sujar. Ele jah tava comecando a mostrar uma certa fadiga. Comecava a falhar.
Nessa epoca o Kadet foi pro Gara, dar umas bandas em outra familia. Foi bem tratado lah, o Gara sempre gostou bastante dele.
Pois bem, completei 18 anos, tava no cursinho. Quando a minha carta de motorista veio, o Kadet passou pra mim. No primeiro dia que eu o peguei pra dirigir, o Glauco tava do meu lado, iamos pro Ivo, aquele mesmo moleque bobo do Batista. O carro estranhamente nao parava de morrer. Achei que era pq eu era motorista novo, nao controlava bem a embrenhagem. Cheguei no Ivo, e o cheiro de queimado me fez olhar pra baixo: tinha esquecido o freio de mao puxado.
Outras merdas vieram, mas o Kadet me ensinava bem: aprendi muito com ele. Lembro que quando entrei na faculdade, conheci esses dois caras, o Arturo e o Leandro. Era algum feriado, e resolvemos fazer um bate volta pra praia. Era a primeira vez que eu pegaria uma estrada, e eu resolvi falar pros meus pais que eu tava na casa de uns amigos. Tinha medo que eles proibissem. Pois bem, fomos a praia. E devo dizer que me sai muito bem. Dirigi perfeitamente. Estava cool, na estrada, de oculos escuro. Fomos pro Guaruja, o dia foi maravilhoso, muito sol.
Na volta, jah nas brumas do entardecer, pegamos o Kadetao, que haviamos deixado num estacionamento, quando eu descobri que havia esquecido meu oculos em casa. Soh estava com o escuro, entao quem voltou dirigindo foi o Arturo.
Foram bons momentos com aquele carro, vou sempre me lembrar dele com carinho. Mas ele estava velho, andava falhando muito.
A poucos dias atras, meu pai me avisou que vendeu o Kadet.
Fiquei triste, me senti sozinho e altamente melancolico. Nao pude evitar. Fui dormir mais cedo naquele dia e nos sonhos me veio a imagem: o kadet sozinho na garagem, triste desde que eu fui embora. Como um cachorro que olha pelo portao, e espera todo dia o retorno de seu dono, para poder mais uma vez brincar pela rua. Mas esse dono foi embora, foi viajar por um tempo, correr mundo, mas dessa vez sem o Kadet. E nos ultimos dias ele sentia muita dor, coitado. Estava velho, o Kadet, e o meu pai teve de abate-lo. Imagino ele no ceu dos carros que foram bons, ao lado do velho Dodginho do meu avo, paquerando uma Ferrari. O Kadet sempre foi um travesso.
Leva consigo um pouco de todo o mundo que jah rodou com ele: minha mae, meu pai, o Ivo, o tio Ari, os Garas, meu Irmao, toda a mafia, todos os FMs e todas as pessoas que foram, e sao, importantes na minha vida. E leva um pouco de mim tb.
Adeus, velho amigo.
Wednesday, June 01, 2005
I, me, mine
Mais um dia comeca.
Ontem eu fui numa balada aqui, chamada Sports Caffe. Chegamos, eu e uns amigos aqui da casa, umas nove e meia, pq depois das dez soh pode entrar estudantes ingleses. Vc nao paga pra entrar, e o pint, uma caneca de cerveja, custa soh 1 pound.
Antes de continuar a falar sobre a festa, deixe-me dizer sobre o emprego que arrumei. Pois eh, estou trabalhando, e a vida eh dura. Peguei o turno das seis da manha ateh as dez da manha, numa cadeia de restaurantes franceses chamada Pret a Manger. A grana eh boa, 5,15 a hora, e com perspectiva de aumento e carreira. Eu consigo eliminar o cafe da manha e o almoco, jah que eu como por lah mesmo. Enfim, posso dizer sem medo de exagerar que me dei bem ao conseguir esse trampo.
Agora vem a cagada. Eu fui nessa festa. A cerveja eh barata. Cheia de mulher. A noite, longa.
Engracado que o que tah na moda aqui sao aqueles RAPs, e a mulhereda, pra dancar, fica se esfregando. Mas nao se esfregando pouco. Se esfrega mesmo, roooooooca. Mas eh soh isso, vc chega pra conversar, elas saem e se esfregam em outro. Povo doido.
Mas voltando ao assunto, cheguei tarde em casa. Umas 3 da manha, e tinha que acordar daqui 2 horas. Entao, botei pra despertar o celular. Nao achando suficiente, pus um relogio pra tocar tb. E como eu me conheco, pus o outro. Adivinha: nao bastou.
O fato eh que eu nao acordei. Ou acordei, desliguei toda aquela barulhera, e voltei pra dormir, nao me lembro.
Eu soh me lembro do sonho: eu voo, acompanho o planar dos pombos sob um rio, nao sei qual. E desliso sob o ceu azul, quando perco o voar e caio numa casa, em cima dum sofa com uma tv e um dvd. Mas a tela estah escura.
E como que de sobresalto acordo, tendo a certeza do atraso, eu sabia que tinha me fodido, eu sabia. Do sono profundo eu estava totalmente lucido, consciencia dos culpados. Vi o relogio: 7:30. Puta merda! O que eu faco, o que eu faco? Ligo pro lugar e aviso que o moleque que tah trabalhando a apenas 3 dias lah tah doente. "I`m sick" digo com voz anasalada. Ela fala alguma coisa que eu nao entendo, soh escuto a ultima frase: "See you later". Serah que ela vem aqui? Eu nao to doente, e ela vai saber disso. Eu comeco a esfregar o meu nariz, pra ver se fica vermelho. Espalho um monte de papel higienico na cama, pra dar a impressao de que eu to gripado. Nao vou convencer. Entao eu resolvo ficar doente mesmo. Pego a minha garrafinha de agua e me molho. Vou pra rua e fico um tempo parado, tomando frio. Nada. Goso de saude. Saio da rua, ela pode chegar, penso. See you later.
Agora sao 3:10 da tarde. Eu teria que estar na escola, mas vai que ela aparece. Todo mundo da casa fala que eu to com neura, mas eu prefiro nao arriscar, eu entendi perfeitamente o See you later. Ela vem aqui. Eu sei. Arrisco ateh a dizer que ela estah de tocaia, em frente da casa, soh esperando eu sair. Nao eh exagero, os ingleses sao assim. O pais que inventou o capitalismo.
Ah, hoje eu tenho o show do Teenage Fan Club pra ir. Tomara que eu fique gripado lah, bem mal mesmo, pra quando no emprego alguem comentar que eu to ruim, eu poder dizer: "eh que vc nao me viu ontem".
Ontem eu fui numa balada aqui, chamada Sports Caffe. Chegamos, eu e uns amigos aqui da casa, umas nove e meia, pq depois das dez soh pode entrar estudantes ingleses. Vc nao paga pra entrar, e o pint, uma caneca de cerveja, custa soh 1 pound.
Antes de continuar a falar sobre a festa, deixe-me dizer sobre o emprego que arrumei. Pois eh, estou trabalhando, e a vida eh dura. Peguei o turno das seis da manha ateh as dez da manha, numa cadeia de restaurantes franceses chamada Pret a Manger. A grana eh boa, 5,15 a hora, e com perspectiva de aumento e carreira. Eu consigo eliminar o cafe da manha e o almoco, jah que eu como por lah mesmo. Enfim, posso dizer sem medo de exagerar que me dei bem ao conseguir esse trampo.
Agora vem a cagada. Eu fui nessa festa. A cerveja eh barata. Cheia de mulher. A noite, longa.
Engracado que o que tah na moda aqui sao aqueles RAPs, e a mulhereda, pra dancar, fica se esfregando. Mas nao se esfregando pouco. Se esfrega mesmo, roooooooca. Mas eh soh isso, vc chega pra conversar, elas saem e se esfregam em outro. Povo doido.
Mas voltando ao assunto, cheguei tarde em casa. Umas 3 da manha, e tinha que acordar daqui 2 horas. Entao, botei pra despertar o celular. Nao achando suficiente, pus um relogio pra tocar tb. E como eu me conheco, pus o outro. Adivinha: nao bastou.
O fato eh que eu nao acordei. Ou acordei, desliguei toda aquela barulhera, e voltei pra dormir, nao me lembro.
Eu soh me lembro do sonho: eu voo, acompanho o planar dos pombos sob um rio, nao sei qual. E desliso sob o ceu azul, quando perco o voar e caio numa casa, em cima dum sofa com uma tv e um dvd. Mas a tela estah escura.
E como que de sobresalto acordo, tendo a certeza do atraso, eu sabia que tinha me fodido, eu sabia. Do sono profundo eu estava totalmente lucido, consciencia dos culpados. Vi o relogio: 7:30. Puta merda! O que eu faco, o que eu faco? Ligo pro lugar e aviso que o moleque que tah trabalhando a apenas 3 dias lah tah doente. "I`m sick" digo com voz anasalada. Ela fala alguma coisa que eu nao entendo, soh escuto a ultima frase: "See you later". Serah que ela vem aqui? Eu nao to doente, e ela vai saber disso. Eu comeco a esfregar o meu nariz, pra ver se fica vermelho. Espalho um monte de papel higienico na cama, pra dar a impressao de que eu to gripado. Nao vou convencer. Entao eu resolvo ficar doente mesmo. Pego a minha garrafinha de agua e me molho. Vou pra rua e fico um tempo parado, tomando frio. Nada. Goso de saude. Saio da rua, ela pode chegar, penso. See you later.
Agora sao 3:10 da tarde. Eu teria que estar na escola, mas vai que ela aparece. Todo mundo da casa fala que eu to com neura, mas eu prefiro nao arriscar, eu entendi perfeitamente o See you later. Ela vem aqui. Eu sei. Arrisco ateh a dizer que ela estah de tocaia, em frente da casa, soh esperando eu sair. Nao eh exagero, os ingleses sao assim. O pais que inventou o capitalismo.
Ah, hoje eu tenho o show do Teenage Fan Club pra ir. Tomara que eu fique gripado lah, bem mal mesmo, pra quando no emprego alguem comentar que eu to ruim, eu poder dizer: "eh que vc nao me viu ontem".
Tuesday, May 24, 2005
Aqueles que acharam que eu nao conseguiria viver sozinho...
Voces estavam certos.
Ontem eu fui fazer um macarrao de saquinho. Ele era com molho branco, entao eu tinha que por leite pra fever tb. Ate ai blz, tudo parece ser muito facil. Pra completar a minha refeicao, eu comprei um enlatado de legumes.
Peguei a panela, pus agua, leite e coloquei no fogao. Os fogoes daqui sao eletricos, e liga-los eh facil: basta girar um botao. Girei, e o troco todo comecou a ferver. Enquanto tudo isso acontecia, decidi abrir o enlatado. Fui ai que o bixo pegou. Eu nao conseguia abrir a lata: furei meu dedo, me molhei inteiro. Fiz a alegria da casa. Nao bastasse isso, a minha panela parecia que ia explodir: o leite quando ferve sobe! Eu jah tinha ouvido falar disso, mas eu pensei que fosse lenda. Ele sobe mesmo. E eu nao sabia o que fazer, entao eu peguei um pano, e limpava o chao, o fogao, ateh ter a epifania de tirar a panela do fogao. Assim, depois dessa brilhante ideia, o leite parou de vazar.
Enfim, eu nao consigo viver sozinho (talvez nao ainda). Mas eu nao estou soh, e pedi ajuda pro povo daqui, que abriu a minha lata e disse pra por pra ferver em fogo baixo. E uma mulher que ta morando aqui tb me ajudou na hora de eu passar a roupa. E assim vai.
Ontem eu fui fazer um macarrao de saquinho. Ele era com molho branco, entao eu tinha que por leite pra fever tb. Ate ai blz, tudo parece ser muito facil. Pra completar a minha refeicao, eu comprei um enlatado de legumes.
Peguei a panela, pus agua, leite e coloquei no fogao. Os fogoes daqui sao eletricos, e liga-los eh facil: basta girar um botao. Girei, e o troco todo comecou a ferver. Enquanto tudo isso acontecia, decidi abrir o enlatado. Fui ai que o bixo pegou. Eu nao conseguia abrir a lata: furei meu dedo, me molhei inteiro. Fiz a alegria da casa. Nao bastasse isso, a minha panela parecia que ia explodir: o leite quando ferve sobe! Eu jah tinha ouvido falar disso, mas eu pensei que fosse lenda. Ele sobe mesmo. E eu nao sabia o que fazer, entao eu peguei um pano, e limpava o chao, o fogao, ateh ter a epifania de tirar a panela do fogao. Assim, depois dessa brilhante ideia, o leite parou de vazar.
Enfim, eu nao consigo viver sozinho (talvez nao ainda). Mas eu nao estou soh, e pedi ajuda pro povo daqui, que abriu a minha lata e disse pra por pra ferver em fogo baixo. E uma mulher que ta morando aqui tb me ajudou na hora de eu passar a roupa. E assim vai.
Friday, May 20, 2005
Cerveja e sorvetes
Ontem, no almoco, troquei uma refeicao sadia por uma cerveja... Depois de me encontrar com o Mali, meu amigo do Brasil que ta aqui tb, resolvemos passar num Pub e entornar uma caneca cada. Entao saimos da Oxford Street e decemos a Charing Cross Road ate o WalkAbout, um bar australiano.
Lah pelas duas, saimos do Pub. O Mali foi trabalhar, e eu tomei meu rumo para a escola. Segui pela Leicester Square, quando como magica ouso alguem berrar "free ice cream". Pois eh, uma loja tava fazendo aniversario e tava dando sorvete de graca. Digo, sem eufemismo, que esse foi um dos momentos mais felizes da minha vida. Pra vc ter uma nocao, eu entrei na fila pra pegar sorvete sete vezes. Tomei de Chocolate com Brownie, Strawberrie cake, Morango, chocolate com marshmellow, lemon e morango... Uma delicia...
Eh claro que hoje estou roco, jah que eu tomei sete sorvetes seguidos num tempo frio e chuvoso... E a noite a privada tb cobrou a divida do exageiro. Mas blz, eu tomei sorvete de graca e isso eh o que importa.
Lah pelas duas, saimos do Pub. O Mali foi trabalhar, e eu tomei meu rumo para a escola. Segui pela Leicester Square, quando como magica ouso alguem berrar "free ice cream". Pois eh, uma loja tava fazendo aniversario e tava dando sorvete de graca. Digo, sem eufemismo, que esse foi um dos momentos mais felizes da minha vida. Pra vc ter uma nocao, eu entrei na fila pra pegar sorvete sete vezes. Tomei de Chocolate com Brownie, Strawberrie cake, Morango, chocolate com marshmellow, lemon e morango... Uma delicia...
Eh claro que hoje estou roco, jah que eu tomei sete sorvetes seguidos num tempo frio e chuvoso... E a noite a privada tb cobrou a divida do exageiro. Mas blz, eu tomei sorvete de graca e isso eh o que importa.
Sunday, May 15, 2005
Rodirigo Sam
Eu tenho aula de ingles numa escola chamada Malvern House. Fica na Shaftesbury Ave., perto do Picadily Circus. Pros que nunca vieram em londres, o Picadily Circus eh uma das esquinas mais famosas e movimentadas daqui. Estou no nivel Intermediate 6, e a minha classe possui, no maximo, umas 10 pessoas. Entre elas, indianos, colombianos, venesuelanos, chineses, coreanos, brasileiros e japoneses. Outro dia, ao meu lado, sentou um japones. Serio, com a cara e o olho fechados, do tipo samurai. Sei la, quis puxar papo, fazer amizade - tenho curiosidade sobre os japoneses, e sua sabedoria milenar, suas tradicoes e etc. Notei que em sua carteira tinha uma borracha, e algo escrito em japones. Perguntei:
- Hei, man, what's written down here, on the eraser?
No que ele respondeu, sucinto, serio, sem delongas:
- Eraser
Nao consegui me conter, e cai na gargalhada. E ri tanto, que tive de sair da sala. Acho que o pobre japones nao deve ter entendido nada, e passou a amarrar mais ainda a cara pra mim. Acho que nao estou pronto pra sabedoria milenar.
- Hei, man, what's written down here, on the eraser?
No que ele respondeu, sucinto, serio, sem delongas:
- Eraser
Nao consegui me conter, e cai na gargalhada. E ri tanto, que tive de sair da sala. Acho que o pobre japones nao deve ter entendido nada, e passou a amarrar mais ainda a cara pra mim. Acho que nao estou pronto pra sabedoria milenar.
Wednesday, May 11, 2005
Friday, May 06, 2005
Una O'Brian
Nao sei quantos anos tem, mas parece ser velha. Tem cabelos brancos, eh gorda, tem um filho que nao mora mais com ela. Tem um marido motorista. Veio da Irlanda, e deve ser a unica daquele pais que nao gosta de bebida alcoolica. Vai pra igreja todos os domingos. E eh na casa dessa mulher que eu estou morando.
Ela me disse que o "O" de O'Brian significa "son of". Se eu fosse Irlandes, imagino, me chamaria Rodrigo O'Boro. Simpatico. A casa possui dois andares. No de baixo, fica uma sala com uma tv e uma lareira aconchegante. Em baixo fica a cozinha, tb. Porem, a cozinha nao eh so cozinha: eh sala de jantar, area de servico e, claro, cozinha. Una eh dona de casa "like the old times", e prepara excelentes refeicoes. Ontem eu comi macarrao com molho de tomate e cogumelo. Viajei.
No andar de cima ha tres quartos e um banheiro. Eu fico no da direita da escada. No meio esta uma japonesinha muito simpatica, Misuki. Una e seu marido ficam no quarto do lado. E na esquerda esta o banheiro. Eh preciso puxar uma cordinha para tomar banho quente.
A casa eh aconchegante, e me sinto bem tratado. Um refugio quente de aquecedores contra o frio londrino. Alias, eu nao sei ateh hoje o nome do marido. Ele jah me disse, mas eu nao consigo entender uma palavra que ele fala. Eu so balanco a cabeca e finjo que enendi. De vez em quando dou uma risada, e ele me acompanha no riso. Deve ser um piadista. Nao o entendo pq parece que ele fala umas cinco palavras de uma vez soh. Ele eh Irlandes tb, mas esse gosta de beber. Eh claro.
Nao sei quantos anos tem, mas parece ser velha. Tem cabelos brancos, eh gorda, tem um filho que nao mora mais com ela. Tem um marido motorista. Veio da Irlanda, e deve ser a unica daquele pais que nao gosta de bebida alcoolica. Vai pra igreja todos os domingos. E eh na casa dessa mulher que eu estou morando.
Ela me disse que o "O" de O'Brian significa "son of". Se eu fosse Irlandes, imagino, me chamaria Rodrigo O'Boro. Simpatico. A casa possui dois andares. No de baixo, fica uma sala com uma tv e uma lareira aconchegante. Em baixo fica a cozinha, tb. Porem, a cozinha nao eh so cozinha: eh sala de jantar, area de servico e, claro, cozinha. Una eh dona de casa "like the old times", e prepara excelentes refeicoes. Ontem eu comi macarrao com molho de tomate e cogumelo. Viajei.
No andar de cima ha tres quartos e um banheiro. Eu fico no da direita da escada. No meio esta uma japonesinha muito simpatica, Misuki. Una e seu marido ficam no quarto do lado. E na esquerda esta o banheiro. Eh preciso puxar uma cordinha para tomar banho quente.
A casa eh aconchegante, e me sinto bem tratado. Um refugio quente de aquecedores contra o frio londrino. Alias, eu nao sei ateh hoje o nome do marido. Ele jah me disse, mas eu nao consigo entender uma palavra que ele fala. Eu so balanco a cabeca e finjo que enendi. De vez em quando dou uma risada, e ele me acompanha no riso. Deve ser um piadista. Nao o entendo pq parece que ele fala umas cinco palavras de uma vez soh. Ele eh Irlandes tb, mas esse gosta de beber. Eh claro.
Monday, May 02, 2005
Politica eh que nem fuder cu de gato
Aqui, no Reino Unido, estamos em ano eleitoral. E Blair, o atual primeiro ministro, estah em apuros: seus opositores o acusam de mentiroso, por ter justificado a guerra do Iraque sob a ameaca de "armas de destruicao em massa". Bom, pra bem da verdade, so um pouco fodido, pois o seu opositor eh pior que o Blair. Ele, o opositor, falou que iria a guerra, soh que nao mentiria. Que anta! Vc vai pra tv, chama o outro de mentiroso, e diz que faria a mesma merda que o seu adversario fez.
Na epoca da guerra mundial, a segunda, o exercito Ingles tinha conseguido decifrar o codigo que os Nazistas usavam para se comunicar. Ou seja: eles sabiam tudo que os Alemaes iriam fazer. Informacao eh poder. E com esse poder na mao, Wiston Churchill, entao primeiro ministro da epoca, soube que uma grande cidade da Inglaterra (que agora eu nao me lembro qual) iria ser bombardeada. E com essa informacao, o que foi que ele fez? Nada. Se ele evacuasse a cidade, os Alemaes descobririam que os Inglesses haviam decifrado seu codigo secreto. Uma semana antes do massacre perpetuado pelos Alemaes, Churchill visitou essa cidade. E sabendo que a maioria das pessoas que estavam ali para ve-lo morreriam, disse: "Sejam fortes. Nos venceremos", e foi ovacionado pela multidao.
Os Aliados venceram, os Alemaes perderam, Hitler foi pra infamia, Churchill virou heroi. Os que detem o poder na mao sao obrigados a mentir. E para que? Pra continuarem no poder. Eh simples assim. Eu acho que todos que tem o poder deveriam ser executados no fim do seu mandato.
Mas eu acho que o Blair ganha, ou se nao, outro pior que ele ganha, e assim vai...
Aqui, no Reino Unido, estamos em ano eleitoral. E Blair, o atual primeiro ministro, estah em apuros: seus opositores o acusam de mentiroso, por ter justificado a guerra do Iraque sob a ameaca de "armas de destruicao em massa". Bom, pra bem da verdade, so um pouco fodido, pois o seu opositor eh pior que o Blair. Ele, o opositor, falou que iria a guerra, soh que nao mentiria. Que anta! Vc vai pra tv, chama o outro de mentiroso, e diz que faria a mesma merda que o seu adversario fez.
Na epoca da guerra mundial, a segunda, o exercito Ingles tinha conseguido decifrar o codigo que os Nazistas usavam para se comunicar. Ou seja: eles sabiam tudo que os Alemaes iriam fazer. Informacao eh poder. E com esse poder na mao, Wiston Churchill, entao primeiro ministro da epoca, soube que uma grande cidade da Inglaterra (que agora eu nao me lembro qual) iria ser bombardeada. E com essa informacao, o que foi que ele fez? Nada. Se ele evacuasse a cidade, os Alemaes descobririam que os Inglesses haviam decifrado seu codigo secreto. Uma semana antes do massacre perpetuado pelos Alemaes, Churchill visitou essa cidade. E sabendo que a maioria das pessoas que estavam ali para ve-lo morreriam, disse: "Sejam fortes. Nos venceremos", e foi ovacionado pela multidao.
Os Aliados venceram, os Alemaes perderam, Hitler foi pra infamia, Churchill virou heroi. Os que detem o poder na mao sao obrigados a mentir. E para que? Pra continuarem no poder. Eh simples assim. Eu acho que todos que tem o poder deveriam ser executados no fim do seu mandato.
Mas eu acho que o Blair ganha, ou se nao, outro pior que ele ganha, e assim vai...
Meu Skate foi atropelado
Mas ta tudo bem com ele. Fora uns arranhoes aqui e ali, ele ta como sempre. Andando na calcada (me desculpem a falta de acento, til ou cedilha... mas eh que eu nao sei como por isso no estilo britanico), topei num buraco, fui pra frente e ele pra tras, na rua, e um carro passou por cima. Coitado.
Em Londres, duas pessoas morrem, todo dia, atropeladas. E olha que aqui eh muito diferente de Sao Paulo: Ninguem passa do limite de velocidade, os carros nao fazem conversao errada, respeitam os ciclistas, os pedestres, enfim. Mas mesmo assim, duas pessoas morrem atropeladas todo o dia.
Eu mesmo ja quase fui atropelado em umas tres ou quatro ocasioes. Eh essa merda de inverter a rua. O individuo ta tao acostumado a olhar primeiro pra esquerda, e depois pra direita, la de onde ele vem, que chega aqui o negocio sai quase que automatico. Esquerda e direita. E PAU! Vc vira um dois dois atropelados do dia.
O mundo eh engracado. Nos vamos na logica que ele nos dispoe, que ensina desde que somos criancinhas, quando a nossa mae fala "olhe pros dois lados antes de atravesar a rua". Esquerda direita. Penso eu que aqui ou vc comeca a olhar pro outro lado, ou vc morre. Eh diferente de se adaptar, ou se interar em outra cultura: eh mudar a sua logica, seu jeito de ver o mundo, primeiro pra direita, depois pra esquerda. Se faz a diferenca, eu acho que faz toda diferenca do mundo. Eh perceber que as regras, que o mundo, nao importa o lugar que vc esteja, guia o seu olhar. E se vc nao segue essa regra, vc morre, junto com um outro esquecido, perdido nas brumas frias de Londres.
Mas ta tudo bem com ele. Fora uns arranhoes aqui e ali, ele ta como sempre. Andando na calcada (me desculpem a falta de acento, til ou cedilha... mas eh que eu nao sei como por isso no estilo britanico), topei num buraco, fui pra frente e ele pra tras, na rua, e um carro passou por cima. Coitado.
Em Londres, duas pessoas morrem, todo dia, atropeladas. E olha que aqui eh muito diferente de Sao Paulo: Ninguem passa do limite de velocidade, os carros nao fazem conversao errada, respeitam os ciclistas, os pedestres, enfim. Mas mesmo assim, duas pessoas morrem atropeladas todo o dia.
Eu mesmo ja quase fui atropelado em umas tres ou quatro ocasioes. Eh essa merda de inverter a rua. O individuo ta tao acostumado a olhar primeiro pra esquerda, e depois pra direita, la de onde ele vem, que chega aqui o negocio sai quase que automatico. Esquerda e direita. E PAU! Vc vira um dois dois atropelados do dia.
O mundo eh engracado. Nos vamos na logica que ele nos dispoe, que ensina desde que somos criancinhas, quando a nossa mae fala "olhe pros dois lados antes de atravesar a rua". Esquerda direita. Penso eu que aqui ou vc comeca a olhar pro outro lado, ou vc morre. Eh diferente de se adaptar, ou se interar em outra cultura: eh mudar a sua logica, seu jeito de ver o mundo, primeiro pra direita, depois pra esquerda. Se faz a diferenca, eu acho que faz toda diferenca do mundo. Eh perceber que as regras, que o mundo, nao importa o lugar que vc esteja, guia o seu olhar. E se vc nao segue essa regra, vc morre, junto com um outro esquecido, perdido nas brumas frias de Londres.
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