Wednesday, January 13, 2010

Suburban Bridge (Ponte Suburbana)



Maidstone eh uma cidade intrigante. Gravada em sua alma existe duas cidades distintas, uncomplementares. De um lado existe uma imensa historia: cidade fundada pelos Romanos, fora muito importante na Idade Media. Do outro lado ha uma versao mais moderna, suburbana dela. Essa ponte simplifica esses dois pontos de vista:







Ela corta o rio da cidade. Esse rio eh muito importante, ou era, pois atravessa a regiao ateh londres. A ponte liga as duas avenidas mais movimentadas da cidade. Quando caminho nela, vejo duas cidades distintas:





O lado novo, com suas caixas de concreto despidas de personalidade. Ha um hotel, recem inalgurado, e um shopping center. A cidade torna-se cada vez mais parecida com um aeroporto, eh somente um ponto entre algum lugar e outro. Mas ha o outro lado:



Sao duas versoes diferentes que refletem a nossa sociedade (ou, pelo menos, essa na qual vivo hoje). No lado esquerdo dessa imagem ha uma igreja e um palacio. Ambos sao mais velhos do que o Brasil. A igreja eh um lugar de adulacao, e o palacio antes servia para hospedar importantes figuras, hoje eh um cartorio de registros. Engracado contrastar com a versao moderna de lugares de adulacao modernos. Supermercados e grandes lojas se espalham aqui como um cancer.





Friday, January 08, 2010

Thursday, January 07, 2010

Wednesday, January 06, 2010

Promessas de um ano que começa

Prometo postar aqui uma foto nova todos os dias... Nao garanto, porem, a qualidade. Escreverei de vez em quando também. Um beijo aos meus leitores, ergo Papai e Mamåe.

Foto nova de uma nova câmara

Fiz essa na segunda. So fui notar que esse casal quando baixei a foto hoje. Acho que ficou boa...

Monday, May 18, 2009

Nicolai Tesla

Uma daquelas pessoas que passaram anonimas pela historia. Inventor da corrente alternada, usina hidreletrica, transmissao de radio, laser e outras 700 patentes, Tesla eh talvez um dos maiores cientistas do seculo passado. Apesar disso, morreu solitario e pobre.

Por que nao falamos dele? Bem, para comecar, Tesla tinha teorias absurdas para epoca como a transmissao de imagens e informacao por ondas eletricas. Isso quase cem anos antes da descoberta da internet. Outra era que ele queria o aperfeicoamento humano, como a descoberta de fontes de energia de graca, para o descontentamento da elite dos EUA.

Mas uma descoberta de Tesla me intriga. Em um experimento, em que Tesla queria transmetir energia de uma estacao a outra sem a nescessidade de fios, usando uma camada na Ionosfera para tanto, ele descobriu que o ser humano e a naturesa em volta dele eh composto do mesmo pulso energetico. Imaginem o seguinte: alguns animais, antes de algumas tempestades onde a corrente magnetica eh alterada, sofrem mudanca de comportamento.

Ou seja: Ondas eletromagneticas sao capazes de influenciar o comportamento humano. Ainda mais, elas controlam a vida na terra. Imaginem o seguinte: Assim como uma estacao de radio transmite uma certa frequencia, se pudermos controlar essa frequencia que engloba toda a vida, controlariamos a vida como controlamos um radio.

Cientista doido, esse Tesla. Mas o fato eh que esse idea o assustou tanto que o fez desistir da invencao e queimar todos os seus rascunhos.

Mas por que estou falando disso?

Bem, em uma certa fase de sua vida, Tesla descobriu a religiao. Ou certos conceitos da religiao. Tesla escolheu o Budismo. Nao sabe-se ao certo o porque dessa escolha. Mas assim como o Judeu Einstein, Tesla decorria que ha uma forca que nos liga a todos.

Alias, quando morreu, a CIA invadiu seu apartamento e confiscou todos os seus papeis. Dizem que os EUA possuem um arma secreta que controla o clima. Seria essa mais uma ideia de Tesla?

Friday, March 27, 2009

Manchete do dia

Xuxa diz que tem orgasmos múltiplos e vê doendes (http://www1.folha.uol.com.br/folha/colunas/zapping/ult3954u541308.shtml)

Tuesday, March 17, 2009

Bom Conselho - Chico Buarque

Ouça um bom conselho
Que eu lhe dou de graça
Inútil dormir que a dor não passa
Espere sentado
Ou você se cansa
Está provado, quem espera nunca alcança

Venha, meu amigo
Deixe esse regaço
Brinque com meu fogo
Venha se queimar
Faça como eu digo
Faça como eu faço
Aja duas vezes antes de pensar

Corro atrás do tempo
Vim de não sei onde
Devagar é que não se vai longe
Eu semeio o vento
Na minha cidade
Vou pra rua e bebo a tempestade

Monday, March 16, 2009

Gattaca

Assisti dia desses o filme Gattaca. Ele se passa num futuro nao muito distante na qual a discriminacao passou a ser nao mais pela raca ou opcao sexual mas sim pelo codigo genetico. Nessa sociedade, os avancos da medicina permitiram que se controle a genese do bebe, e por inseminacao en vitro possibilitou-se aos cientistas a exclucao de alguns supostos defeitos geneticos (como miopia) de serem transmitidos aos descendentes.

Neste contesto se insere o protagonista, homem gerado de maneira "tradicional", jah nos seus primeiros segundos de vida fora diagnosticado uma doenca no coracao e expectativa de vida de 26 anos. Contrastada pelo seu irmao, que fora aprimorado pela genetica, os primeiros minutos do filme mostram a diferenca de tratamento que os pais deram as duas criancas; e a obstinacao de um personagem de nao se conformar a uma situacao que lhe fora estabelecida desde o nascimento.

Um filme interessante nao so pelas questoes que levanta, ou do relacionamento entre os personagens, mas tambem por ter passado desapercebido pela critica e publico. O filme eh excelente, altamente recomendavel. Consigo me relacionar com a luta e esforco do protagonista.

Thursday, March 12, 2009

Maluf, rei da semantica!

http://www.youtube.com/watch?v=URdkCO0Qqmk

Saturday, March 07, 2009

Quando criança costumava dizer que queria ser padre. Via uma certa dignidade no serviço sacerdotal, o Padre no altar com os olhares atentos dos fieis. Eu era criança, nao sabia de nada. A igreja catótica eh uma das instituicoes mais hipocritas do mundo. Digo isso com um certo rancor. Acho que todas as minhas ilusoes a respeito da igreja cairam por terra quando passei a me educar mais, quando descobri que a instituicao, que se diz divina, era regida pelos piores sentimentos humanos. E esses sao fatos historicos. A igreja eh regida por homens, da melhor e pior categoria, mas parece que a mais nefasta casta gente sempre comandou seus dominios. Como explicar a inquisicao? Como explicar o apoio ao nazismo? como explicar o apoio a escravidao? Nao soh uma instituicao falivel, mas tambem em todas as instancias historicas e importantes me parece que a igreja catolica tomou o lado errado.

Mas um fato em especifico me fez perder toda e qualquer ilusao a esta religiao. Apesar de todos os defeitos com a instituicao, ainda acreditava na religiao. Achava ela compaixonada, e sempre que precisava de consolo e alivio em situacoes que nao podia dialogar com outras pessoas, eu resava. A historia de Jesus eh basicamente uma historia de compaixao. Compaixao pela prostituta, pelo cego, pelo leproso, pelo samaritano e ateh por alguem que o trairia. Um dia, porem, descobri um dogma da igreja a qual me tocava profundamente, e discordava com todas as forcas do meu ser.

Segundo a igreja catolica, quem nao eh batisado possui dentro de si o pecado original. Se alguem morre sem ser batisado, essa pessoa nao tem direito de ir para o ceu, no maximo fica-se no limbo a espera de julgamento, ou simplismente vive-se na nao existencia. Esse dogma era para todos. Inclusive para criancas que morreram antes de nascer. Seres inocentes que nao tiveram a oportunidade de pecar ou de pedir perdao.

Daquele momento, nao conseguia mais ir a missa. Essa idiossincrasia, cretina e injusta, era a base de sustentacao dessa religiao: esses dogmas idiotas, interpretacoes imbecis de um livro escrito a maos humanas.

Recentemente, um bispo escomungou uma equipe medica que abortou gemeos de uma crianca de nove anos que fora estuprada pelo padrasto. Escomungou tambem a familia dela. Segundo a igreja o medico, a familia e os dois bebes que nao nasceram nao pertencem ao ceu. Acho que esse bispo pensa que vai ao paraiso por servicos prestados em nome de Jesus. Se assim agisse, ele ofereceria uma palavra de consolo no momento em que mais se precisa em vez de julgar como se ele mesmo fosse um bastiao da moral. Acho que a melhor qualidade de Jesus no fim foi sua humanidade para compreender a complexidade da existencia em contraponto a divindade que emparelha o homem num patamar inalcancavel.

Posso estar errado, e se estiver nao vou me importar: prefiro eternamente brincar com as minhas irmas na imensidao vazia do limbo a passar um soh minuto num paraiso cheio de hipocritas.

Tuesday, January 20, 2009

Índia


Índia seus cabelos nos ombros caídos
negros como a noite que não tem luar
seus lábios de rosa para mim sorrindo
e a doce meiguice desse seu olhar
Índia da pele morena, sua boca pequena eu quero beijar
Índia, sangue tupi, tem o cheiro da flor
Vem, que eu quero te dar
Todo meu grande amor
Quando eu for embora para bem distante
e chegar a hora de dizer adeus
Fica nos meus braços só mais um instante
deixa os meus lábios se unirem aos seus
Índia levarei saudade da felicidade que você me deu
Índia, a sua imagem
sempre comigo vai
Dentro do meu coração, flor do meu Paraguai

Friday, January 02, 2009

A história do Joao - epitáfio

Voce veja, quando decidimos ir a algum lugar, temos tres distintas possibilidades: uma linha reta que vai de tras para a frente de nos, outra que crusa essa linha ao nosso lado e a ultima que vem de cima para baixo. Sao essas tres dimensoes fisicas que determinam o nosso caminho. Porem, ainda ha uma quarta dimensao, absolutamente nescessaria, mas pouco dita: o tempo. Pois veja bem, o tempo tambem eh uma linha invisivel que se traca de algum lugar para lugar algum. Fazemos o nosso caminho em um traco de tempo, e assim relativizamos os nossos passos. Ora pois, se por um acaso resolvemos ficar parado em um unico ponto do plano fisico, a linha do tempo ainda corre. Pois entao se o tempo eh uma dimensao em um ponto cartasiano cosmico do universo, nao seria loucura pensar que todo o tempo jah passou em um unico ponto. Sei que eh complicado, mas imagine o seguinte. Um ponto no espaço em algum lugar sera sempre o mesmo ponto no espaço naquele lugar, certo. Agora imagine que o tempo seja um espaco, uma distancia, entao o tempo eh um espaco se sobrepondo a outro espaco. O que fazemos eh caminhar de um espaco a outro. Entao, nessa logica, todo o tempo jah existe. O passado, presente e futuro jah existem no espaco, soh que nos caminhamos em uma linha reta. A quarta dimensao.

Isso, claro, eh teoria, nada comprovado, tudo figurado. Mas imaginem se alguma pessoa pudesse caminhar nessa tal quarta dimensao? Ver o futuro, ver o passado, ver as ligacoes e consequencias de um ato... Pois Joao conseguira. De tao isolado, de ficar tanto tempo contenplando as estrelas Joao espandiu sua mente para alem do espaco-fisico convensional, sua mente viajava para alem da fronteira castesiana de nosso proprio tempo. E essa eh a historia do que Joao avistou:

Todo o ato e acao importa e tem consequencia. Todo insignificante acontecimento se propaga por todo o fim do tempo.

A continuar...

Thursday, May 01, 2008

dissertacao part 6

In both the pictures above there is a sense of performance from the sitter. Disguised by an anthropological and ethnographical gaze, it could be argued that the Nuba’s were the object in which both photographers could engage aesthetically. The discourse they adopted for the Nubas, a community pure and immaculate by society, allowed them to engage like that. In the case of Rodger’s, the search of this subject comes from a traumatic experience. Clearly he searched in the Nubas for signs of differences, opposite from his experience in Bergen-Belsen. Rodger used popular representations of ‘racial’ difference to reduce the cultures of black people and the Nubas to Nature. The Nubas were ‘primitive’ and not ‘civilized’. So portraying these people and their community would be no more immoral than portraying an animal. The exploitation of their image became acceptable. For Riefenstahl it was a self-confessed fascination for the beautiful, reducing the objects as a representation of naturalism where Nature and Culture coincided.


Rodger, George (1949), Kordofan, Southern Sudan, A young unmarried girl of the Messakin Tiwal tribe

When Rodger shot pictures of naked people during the war, the photos were mainly composed of rotten corpses on sidewalks or dead people being thrown at some collective grave. Arguably this would represent Rodger’s way of seen the evolution of western society, that in the end led to a mass-production of death. In his Nuba’s pictures, the naked people were portrayed as sexualised and strong well-built bodies, reassembling a natural estate that contrast with his western image of a ‘civilized’ society. The picture above, the woman was reduced to her body (sexuality) and her social condition – being unmarried and pre-disposed to being sexually active with a partner. It is the Natural and scientific gaze that allows Rodger this fetishistic approach: he relates her body with the difference of ‘races’; we can see her nakedness without being guilt because at the same time the fascination for her sexuality is being induced it is being denied by the discourse of ‘otherness’, her body was read like a text to compose a racialized analysis which associates her with the Natural order rather than to the Human culture.

This creates a connection between representation and power; a photograph creates a discourse that produces a form of racialized knowledge of the ‘Other’ deeply implicated in the operations of power. This is the core concept of Edward Said’s ‘Orientalism’ thesis:

“Within the framework of western hegemony over the Orient there emerged a new object of knowledge – a complex Orient suitable for study in the academy, for display in the museum, for reconstruction in the colonial office, for theoretical illustration in anthropological, biological, linguistic, racial and historical theses about mankind and the universe, for instances of economic and sociological theories of development, revolution, cultural personalities, national or religious character” (Said 1991: 7-8).

Said uses the same relation between knowledge and power as Foucault; the ‘primitive’, declared to be ‘different’, becomes an object of study where everything can be done under the alibi of the search of the ‘truth’. This is what Foucault called ‘regime of the truth’, under the disguise of science research, Rodger and Riefenstahl can look at, classify and dissect the Nubas, given an excuse for an unregulated voyeurism.

“Power, it seems, has to be understood here, not only in terms of economic exploitation and physical coercion, but also in broader and symbolic terms, including the power to represent someone or something in a certain way” (Hall 1997: 259).

The power to represent someone in a certain way, which Stuart Hall speaks here, is a characteristic intrinsic to the photographic enterprise. In his book Camera Lucida, Barthes argues that because every photograph is contingent and outside meaning, “it cannot signify (aim at generality) except by assuming a mask” (Barthes 2000: 34). Arguably, in every photography the mask becomes the meaning, the representation becomes the discourse. That is why the invention of photography is linked with the creation of the first anthropological society: we don’t consume photographs politically but aesthetically. This gives the possibility for those anthropological societies to use photography as a tool for an anthropological study based on biology, the stress being on observation, recording and classification. It was what Said argued as the simplification of the Orient, generating the scientifically study of culture in which it was believed that culture was biologically determinant.
So photography was important to anthropology because of its characteristic of assuming a mask: photographing reduces, naturalizes and fixes the difference. It is this game of power and knowledge, “it is always something that is represented” (Barthes 2000: 28), which constitute the material of the ethnological gaze in photography, fixing the details of a person on the difference and reducing everything about that person and that culture to that single characteristic. This ethnographical gaze ends up by stereotyping the photographic subject.

dissertacao part 5

When Riefenstahl wrote to Rodger asking him about the location of the Nuba tribe (and even offering a thousand dollars for an introduction with the wrestler), he wrote back, “knowing your background and mine I don’t really think we have much to communicate”. Riefenstahl is the author of Hitler’s documentary Triumph of the Will about Nuremberg’s 1934 rally. This film is generally recognized as a major contribution to the history of cinematography, it innovated the way of making documentaries and is an immense aesthetic accomplishment. Riefenstahl transformed an annual political rally into a larger historical and symbolic event.
The gap between Rodger and Riefenstahl’s background is not as big as the photographer claims to be. As seen before, Rodger was disturbed by the fact that when he was shooting pictures of the horrors of Bergen-Belsen he thought only about the aesthetic and composition of the image. He wanted to accomplish a beautiful image from that scene. Riefenstahl’s film is disturbing in that same aspect: “it presents as beautiful a vision of Hitler and the new Germany that is morally repugnant” (Deveraux 1992: 236). Mary Deveraux on her essay Beauty and the evil: the case of Leni Riefenstahl’s Triumph of the Will argues that Riefenstahl defended her film saying that her concerns in Triumph of the Will – as in all her movies – “were aesthetics, not political: that it was the cult of beauty and not the cult of the Führer, that Riefenstahl worshiped”.
Ironically, when Rodger’s pictures of the Nubas became well known, it brought those isolated tribes to the attention of the Sudanese government. The Islamic state of that government forced the Nubas into changing their life-style – making illegal their wrestling contests and forcing them to wear clothes. So when Riefenstahl pursued the Nuba’s myth created by Rodger, “progress and education” had finally reached them. But she was so fascinated and obsessed by Rodger’s photographs that she paid them to undress and to stage illegal fighting contests. Her pictures in that sense are a simulacrum of a myth.
If Rodger’s photographs are an identity construct of a post-colonial imagery, Riefenstahl’s are the staging of this identity. The interesting nature of this concept is that the end results of both photo-essays are very similar – both aesthetically and conceptually. Maybe because in the end every photograph is a type of simulacrum in the Platonian sense where the light is brought before the lens leaving a trace of the reality. Every photograph is a representation, making both photographers, Rodger and Riefenstahl, mythologists; they signified their representations from a social mask creating meaning and a sense of cultural identity to the Nubas. That is why this identity comes loaded with colonial imagery, because it was invented from a white European perspective. It could be argued that in that sense both photographers staged their pictures.




Left: Riefenstahl, Leni (1962), Kordofan, Southern Sudan, The only door in a Mekasin house-compound which reaches all the way to the ground is the main entrance. The wide top allows women with bulky loads to pass through easily.
Right: Rodger, George (1949), Kordofan, Southern Sudan, The keyhole entrance to a Nuba house in the Korongo Jebels. Doorways are shaped to allow admittance to people carrying loads of firewood of their heads

dissertacao part 4

The representation of the ‘Other’

After Bergen-Belsen Rodger decided to set out for Denmark and cover the German surrender. He was jubilant and celebrating the victory of the allied forces. He crossed the Belgian country in a Jeep with a Union Jack flag on his windscreen and when he finally arrived at the Danish border he found there, in his own words, “Cheering crowds. Flowers, wines, kisses. And my war was over” (Rodger 1994: 97). He then moved with his wife to Paris and lived there until 1948, when he decided to go to Africa. Financed by the severance pay from his work for Life magazine, Rodger set off with no plans and no commitments. From Johannesburg in South Africa he would cover a 13,000 mile journey before reaching the Equator. His journey ended in Kordofan, a place set in the heart of the Sudan and west to the White Nile, a region of difficult access because of the high mountains that surround the plains. It was there that Rodger found the Nubas tribes.
Rodger photographed every kind of animal and human during his journey, but it seems that it was in Kordofan that he would finally achieve a construction of the myth of the African man from a colonial imagery perspective. In the introduction for his photo-essay book The Village of The Nuba, Rodger said;

“The face of Africa is undergoing a change. Progress and education are reaching far into its darkest regions. (…) Government by fear and witchcraft is gradually being replaced by administrations whose characteristic tools are paper and ink (…)” (Rodger 1999: 9).

He argued, however, that there were places in Africa that remained inaccessible. It is in those regions, according to him, that one can find what he classified as the “real Africa”, the Africa untouched by western and white society. He goes on to say what this “real Africa” is:

“They are as primitive now as they were three centuries ago and their continuing existence forms a rare link with the Africa of time passed” (Rodger 1999: 12).

Since the nineteenth century, anthropological photography served to sate Europe’s interest for the exotic. Scientists and photographers went to Africa guided by firmly established scenarios of the “primitive” and the “savage”. Rodger clearly had an ideological filter when he shot his Nuba’s pictures. The “primitive” denomination that he used to describe the person who lives in these villages is a heritage of a post-colonial way of thinking. The term “primitive” is pejorative and is linked by the fact that white European colonialists considered themselves a greater culture (more advanced one) then the one which they were colonizing.

“At the heart of Modernism was a myth of history designed to justify colonialism through an idea of progress. The west, as self-appointed vanguard, was to lead the rest of the world toward a hypothetical utopian future” (McEvilley 1992: 85)

Everything that wasn’t part of this ideal of the exotic primitive African men was filtered out by Rodger in his Nuba’s pictures. The photographs from this photo-essay consisted mainly of naked black men and women exercising some kind of ritual. Arguably, Rodger would embrace and construct the myth of the Nuba’s identity, drawing special attention to the traditional wrestling rituals. The myth here refers to what Barthes would classify as a type of speech – not an object, or concept or an idea but a mode of signification – because cultural identity, gender and sexuality exist as cultural constructs, therefore the truth of identity as essential is put to question. The construction of the Nuba’s identity in that sense is ideological: Rodger as a representation of the white man seen as a sign of the norm and the Nuba black African men seen as a sign of difference “the marking of difference is thus the basis of that symbolic order which we call culture” (Hall 1997: 238).
This form of stereotype is a crude mental set meant to represent the world. It is an imaginary line between the self and the object, which becomes the ‘Other’. Stereotype in that sense is similar to the myth: the mental representation of the ‘Other’ shifts with the paradigms of our world. Emblematic to this argument is the photograph Rodger took of the champion of a korongo wrestler being carried shoulder high by the defeated fighter. The background is composed by black men holding huge spears. Everything in this picture is phallic, it is vertical and powerful and dialogs with manhood and power. This image is fetishist; it represents the exotic black man, the image of the ‘black’ savagery. It plays with the stereotypic white man ideal of the prowess of the black man. It could be argued that this man, the phallic champion, would represent the white western fantasy of the big black penis. The fact that the genitals of the champion are hidden by a black man’s face makes this notion more iconic.
Leni Riefenstahl, the former Nazi filmmaker, was so fascinated by this picture that she appended it in the back cover of her book The last of the Nuba with this caption;

“The author was so fascinated by this photograph, taken by the famous English photographer George Rodger, that for years she tried to find the Nuba in order to study the life of this primitive people” (Riefenstahl 1995: 208).

It is interesting that her interest in photographing the Nubas started not from a cultural interest but rather from this Rodger’s photograph. As argued by Kobena Mercer, “In this sense her anthropological alibi for an ethnographic voyerims is nothing more than the secondary elaboration, and rationalization, of the primal wish to see this lost image again and again” (Mercer 1994: 187).

dissertacao part 3

In any area of photography it is hard to avoid the influence of the aesthetic composition derived from the bourgeoisie paintings that preceded the photographic medium. War paintings specifically, where even the dead bodies serve to help the composition elements of the battle.

“Apart from some Goya pictures, there isn't a painting about war, before the invention of photography, that doesn't glorify it” (Verissimo, 2008).

What photography did is change the perception of war, it brought the dirt and the rotten corpses into the equation: it gave colour, proportion and horror to the notion of war but, conflictive as it is, coded within the bourgeoisie aesthetics. It was from that ironic element, the mix of horrors and misery of a Nazi concentration camp with a bourgeoisie aesthetic, that Rodger changed his conception of his photographic practice.

“It wasn't even a matter of what I was photographing, as what had happened to me in the process. When I discovered that I could look at the horror of Belsen – 4,000 dead and starving lying around – and think only of a nice photographic composition, I knew something had happened to me and it had to stop. I felt I was like the people running the camp – it didn't mean a thing” (Hill and Cooper, 2005: 53).

Rodger photographed the people that used to run the camp while they were waiting for trial for war crimes. Arguably, the most interesting images are a series of portraits of the camp supervisors: it consists of six pictures, each one of them with a different young woman between 20 and 25 years old. They are removed from the background, which is out of focus. This was a very intriguing choice made by Rodger: by detaching those women from any context the subject is isolated from any meaning outside their bodies. That highlights the focus on the analysis of the social mask and causes the viewer’s gaze to be initially seduced by a young dynamic-looking woman. This whole process makes this picture much more horrific: because Rodger doesn’t give any clues in the image about the narrative of events, the reading of the picture becomes more shocking and surprising when the viewer reads the caption with the real context of these women.


Rodger, George (1945), Camp Superintendent, Annalese Kholmann, Belsen

It could be argued that an analogy with the photographic process could be made from the series of pictures that Rodger took of the camp supervisors. On those pictures the “face of evil” is surprising not for being the stereotypical rude, cruel, dirty, sadistic men with some kind of disorder but quite the opposite. The camp supervisors were composed of young girls in their late twenties, and if it were not for the caption explaining their previous status in the concentration camps, it would be hard to guess that they participated in one of the biggest mass genocides of modern history. The girls are apparently untroubled and untouched by the acts they had perpetrated during their work in the camp as if they were not guilty for what happened there. They were machines, obeying orders, only an engine to be commanded by someone else. However, even alleging they were just following command, they were witnesses of that process.
The detached approach from which Rodger decided to deal with these subjects is metalinguistic with the notion of obeying orders: the subjects are outside their context and the focus is on the body and the social mask of the individual. Their personality is presented in the manner of their normal social context (young, dynamic, naïve). It detaches the individual from their action: the most important feature is not a narrative of events but rather a narrative of the body. In these portraits, these women are obeying a function inside a social environment. It is a metaphor for the whole basis for the defence against allegations of war crimes: they were only complying with demands from their superiors (they were detached from any decisions or context that could make them guilty).
There are two contradictory elements in this notion of not being guilty because they were following orders: the rules of engagement from the command chain of the army and the personality of the individual. They are impartial because they have to follow orders but at the same time they are individuals who witness their own realities. Photography acts in the same way, it is objective and impartial because it traces the reality via a machine but at the same time there is a point of view from the person operating the camera. Arguably Rodger felt like those women, he was part of a machine as a witness to the reality just there to take a picture, to convey a function.
Clearly Rodger encountered a problem engaging with this type of subject. As Susan Sontag explains in her book “On Photography”, in that period European photography was guided by notions of the picturesque, the important and the beautiful, always praising or aiming at neutrality. Photography was not an argument, but a fact witnessed by the eye, a memento traced by light onto the film. Influenced by those notions, Rodger encountered a moral dilemma at Bergen-Belsen, because photography not only is the objective recording but a personal testimony as well. However, by the same premise, he shifted his photographic gaze to a picturesque society, a foreign culture in which he could work impartially and where he could explore photography under a basic social engagement; he went to Africa. Rodger made a conscious decision to change his gaze and body of work to a purer society as a reaction to the dilemma of the Bergen-Belsen experience. That is the premise of Rodger's shift. He found on the Nubas a subject worth being admired for, but he would approach it in the same way he did at the concentration camp: detached, distanced and impartial. His subjects changed, but did the complex contradictory elements that he found during his experiences of war photography change with them?

dissertacao part 2


Walking nonchalant on a road of death

It could be argued that what made Rodger’s name as a recognizable photographer was, in part, due to the World War II pictures he took, especially those at the concentration camps in Bergen-Belsen. Rodger was the only British freelancer to travel to various battlegrounds covering the wars for the American Life magazine. In 1940 he covered the Blitz when the Germans finally attacked Britain. He then was sent to Africa and stayed for two years reporting the combats in that area. In 1944 Rodger followed the armies on to the liberation of Paris. After that, he pressed to Belgium until a he came across a small village called Belsen where he photographed the liberation of the Bergen-Belsen concentration camp. Those are shocking and horrible pictures, and despite having photographed dead people during his trips around Africa and Europe, the experience at that concentration camp in Belgium would have an enormous impact on Rodger.

“Under the pine trees the scattered dead were lying not in their twos or threes or dozens, but in thousands. The living tore ragged clothing from the corpse to build fires, over which they boiled pine needles and roots for soup. Little children rested their heads against the stinking corpse of their mothers, too nearly dead themselves to cry” (Rodger, 1994: 96).

One of the most emblematic pictures of that event shows a child walking on a road unaware of the bodies in an advanced state of decomposition sidelined on the pavement. His face looks in the opposite direction of the corpses, as if in some way he is trying to ignore the human degradation that he has to live with every day. Everyday life, the trees and an innocent child walking becomes highlighted by the image composition of this road of death. This photograph is dispassionate and bucolic, bringing the disturbing aesthetics of normal life to the foreground? in a small village surrounded by the horrors of war. Those trees, the road, the boy and all other bucolic aspects are distressed by the corpses on the floor. Arguably, one of the reasons for which there is a constant demand for shocking elements in war pictures is the factor that these pictures help sell papers.

“The hunt for more dramatic (as they’re often described) images drives the photographic enterprise, and is part of the normality of a culture in which shock has become a leading stimulus of consumption and source of value” (Sontag 2004: 20).

This photograph accomplishes that because it grabs the attention of the viewer for its juxtaposition of a calm boy walking among a road full of rotten corpses. It is the undisturbed expression of the boy that is so shocking. The fact that in the caption is stated that this boy is Jewish makes this more horrific: the notion that he could have been among those dead bodies, or that his parents probably are.
Rodger, George (1956), Dutch Jewish boy walks through the camp, Belsen

Would it be possible to describe this scene with words and cause the same emotions as this picture? It is the juxtaposition of the nonchalant boy with the aligned corpses, the normal with the insane, and the notion that the photograph is the exact reproduction of a moment in time that redefines the memento value of this image and summons an abominable reality that cannot be described by words with such effect. This picture not only is a record of a moment in history but it also can be used to define that moment.
Its brutality and shock value are contrasted by the beautiful and pastoral scenario that merges all the components of the picture together, resulting in a very plastic, odd composition as a result of the competent craft of Rodger’s photography. Its nature is disquieting because the events that lead to this image are disquieting; our own knowledge of events that brought the holocaust. This photograph is evil and seductive, and for that characteristic is corruptive – it brings aesthetic accomplishment with a documentary of chaos, horror and madness on its most degenerate form.

“Photographs can and do distress. But the aestheticizing tendency of photography is such that the medium which conveys distress ends by neutralizing it” (Sontag 2002: 109).

Wednesday, April 30, 2008

dissertacao part 1

George Rodger: haunted by the light

“Poverty is no more surreal than wealth; a body clad in filthy rags is not more surreal than a principessa dressed for a ball or a pristine nude. What is surreal is the distance imposed, and bridged, by the photography: the social distance in time. Seen from the middle-class perspective of photography, celebrities are as intriguing as pariahs. Photographers need not have an ironic, intelligent attitude toward their stereotyped material. Pious, respectful fascination may do just as well, especially with the most conventional subjects”. (Sontag, 1979: 58)

In the reception of the University College for the Creative Arts in Maidstone there is an original print of Rodger’s champion of Korongo Nuba wrestling carried shoulder high. What does it mean for an institution to exhibit that picture to represent the University? This image is loaded with meaning and discourse of a problematic subject: the post-colonial imaginary of the African continent. In this essay I will discuss one photographer, George Rodger, that made a conscious decision to shift his subjective gaze from a body of work which recorded the horror and violence of war to the African continent ideal of ‘otherness’.

“Primitive it is true, but so much more hospitable, chivalrous and gracious than many of us that live in the 'dark continents' outside Africa” (Rodger, 1999: 112)

The reason Rodger changed his gaze to the Nuba tribe is partly due to the end of war. However it could be argued that the reason why he chose to undergo an anthropological trip to one of the most isolated tribes of Africa is that after his experience of the worst horrors that Western civilisation can produce during the second world war, the photographer searched for what he believed was, as he said in an interview, the “idyllic existence that you are so amazed to find” (Hill and Cooper, 2005: 62). I will textually analyse through Rodger’s images how this shift represents his ideal of ‘self’ and ‘other’, western society and oriental society, civilized people and primitive people; and how his photography approach changed between this two subjects.

Monday, March 17, 2008

A historia do Joao parte 7

Agora Joao tinha uma mae, pois todos temos mae. As vezes se nasce sem pai, outras o pai eh outro. De vez em quando o pai vai embora. Mas a mae fica. Vem do ventre, uma existencia simbiotica a outra; nao, simbiotica nao, parasital mesmo. A mae nao tem como fugir, desde cedo o filho a rouba a nutricao e saude: pois se ha a existencia do filho, eh por causa da gestacao da mae.

Pois quando disserem a mae de Joao que seu filho morrera na cruz, ela nao acreditou. Todos a aconselheram a vestir preto, a fazer luto, orar pela alma de Joao. Ela achava bobagem e dizia: "meu filho vai bem, cuide do seu". Ateh o pai havia se conformado, e ficava preocupado com a situacao de sua esposa: "ficou louca depois de velha".

A mae Nao acreditava naquela besteira de que Deus o levara, de que estaria morto mesmo que vivo. "Sua alma nao estah entre nos, aquilo eh soh uma casca vazia", diziam mas a mae nao acreditava, conhecia bem ao seu filho, e ninguem a podia enganar. "O Pai Supremo", como chamavam deus naquela sociedade, "sabe o que faz". "Pro inferno com o Pai", respondia, "eu sou a mae e sei melhor".

De fato naquela sociedade Deus representava a morte, o castigo e a danaçao. Deus via tudo, Deus sabia de tudo. Se a Deus nao respeitassem, era a morte. Se a Deus nao orassem, era a morte. Deus era a luz e a noite. Deus era o homem, era o pai. Jah a naturesa representa a vida, a flor que brota, a comida que nasce. Temos uma relacao simbiotica com a natureza; as vezes parasital. A natureza eh a mae, e a mae eh a vida.

Um belo dia os homens da igreja levaram a mae de Joao e a sentenciaram a morte. Era uma herege, vejam bem. No dia da execussao, quando lhe cortaram a cabeca, a mae chorou, e muito. Nao porque ia morrer, porque todos morrem, mais cedo ou mais tarde. Deus mata. Nem pela vergonha da excomunhao publica, jah nao ligava mais pra isso. Chorou por ser mulher, e por tantas vezes nesse mundo em que a vida chora.

Wednesday, February 27, 2008

A historia do Joao parte 6

Quando nasceu, ela teve de empurar o mundo com a cabeca, combater todas as possibilidades que a negavam a existencia. Joao, sentado a sombra de sua arvore, um dia reparou aquele pequeno brotinho que lutava pela vida, e resolveu batiza-la de Tatiana.

Por muito tempo Joao teve Tatiana por compania. Eles conversavam sobre a vida, riam sobre a verdade universal, sentiam frio e calor juntos. Joao acompanhou todas as fases de crescimento de Tatiana: o dia em que nasceu sua primeira folha, a consolou quando teve espinhos durante a adolescencia, aguentou sua ansiedade quando estava para brotar.

Um dos momentos mais felizes da vida coletiva de joao e a flor foi quando Tatiana se abriu. O dia era lindo: estranhamente fazia um lindo sol com um chuva fina e constante. As petalas de Tatiana brilhavam com o orvalho da manha, seu perfume acalmava Joao e o mundo era lindo e perfeito. Joao cantou, como nao fazia desde que tinha morrido, e fechou os olhos e sonhou que voava entre as estrelas.

Ao acordar, Tatiana estava morta. Suas folhas muchas, o caule inclinado. Joao gritava por ela, mas jah nao podia responder mais. Joao, de joelhos com o rosto inclinado postado ao lugar que Tatiana sempre ficara, pos-se, lentamente, depois de uma longa pausa, a chorar. Suas lagrimas iam escorremdo o rosto e molhavam Tatiana e a terra em volta de Tatiana. Nao sei por quanto tempo Joao chorou, mas foi o bastante para que com o sal de suas lagrimas nada mais pudesse nascer, crescer e morrer naquele lugar.

Monday, February 25, 2008

A historia de Joao parte 5

Agora o mundo gira. Nisso nao ha duvida, mas eh claro que muita gente duvida. Mas eu repito, nao importa o que aconteca, com ou sem Joao, com ou sem ninguem, o mundo gira, e nao a nada que se possa fazer sobre isso.

Mas a pergunta fica: se nao ha ninguem para ver que o mundo girou, o mundo realmente girou? Se nao ha ninguem para presenciar a existencia, sera que ela realmente existe? Um som eh som sem ninguem para ouvi-lo? Ora, o som se faz na presenca de um receptor, e o mundo soh passou a ser mundo a partir de quando alguem passou a reconhecer o mundo como o mundo. E o mundo, assim, girou.

Pois Joao via o mundo girar, e o mundo girava. Entre dia e noite, verao e inverno, Joao reconhecia sua propria existencia meramente pelo falo que ele reconhecia que o mundo girava. Vejam, isso eh um fato importante: tinha dias que ateh mesmo Joao duvidava que estava vivo. De vez em quando pensava: "Sera que nao estou mesmo morto como todo o mundo pensa que estou e soh eu estou errado?". Mas entao Joao via o mundo girar, e isso o tranquilizava. Pois veja voce: o mundo nao gira para os mortos, ele para no exato momento de seu ultimo suspiro.

A historia de Joao parte 4

Joao calejou. Um paria, um fantasma. Esquecido, nem gente nem bixo. Invisivel. Teve dias que preferia ter morrido, pois aos mortos sempre lembravam. O que era pior, quando alguem passava a sua frente, fingia nao ve-lo. Aos poucos Joao se tornava um recluso e soh saia debaixo da sombra de sua arvore para comer. Do alto de seu morro via a cidade se movimentar como uma peca de relogio aberta, seus habitantes comprindo funcao exata e sistematica para o funcionamento da maquina, e o tempo passava. Joao contemplava o ceu e o universo. Sua mente viajava entre as estrelas e o infinnito. Comecou a ter uma nocao melhor das coisas, do significado da vida.

Em um belo dia, quando olhava uma formiga que carregava um pedaco de folha para sua rainha, um estalo lhe veio: finalmente compreendera. O que? Ora, tudo. Entendera tudo. Comecou como ideia, depois virou verdade e por fim certeza. Joao riu. Melhor: gargalhou. Nao que achava aquilo engracado, nem tampouco gozava da verdade universal. Joao riu nao porque a verdade era bananal, mas sim porque era obvia.

Wednesday, November 07, 2007

A historia de Joao parte 3

Ela jurou um dia casar com Joao, mas isso foi antes de joao morrer. Claro que jah sabemos que Joao nao morreu, mas para ela sim: se vestiu de preto, fez luto. Quando avistava Joao andando pela praca, desmaiava: "vi um espirito" dizia. Dineide morava com sua irma mais velha, Joana, numa casa de dois comodos. Vivia as custas de costuras que fazia com a irma para as damas mais ricas da cidade; fazia bordados, vestidos, lantejoulas e tinha a fama de perfeccionista. Era relativamente jovem, estava no comeco de seus vinte anos, e poderia se casar de novo. Pretentende nao lhe faltara, era bonita: loira de olhos claros, corpo esbelto, olhar sereno. Os homens sempre a lhe cortejavam nas poucas vezes em que deixava a casa: ia a igreja todos os dias, e quando era nescessario ia ao armarinho. Joana insistia a irma a aceitar um dos convites: "o tempo passa e vc vai ficar sozinha". Dineide respondia: "sempre terei a ti, irma".

Claro que no fundo do amago queria sentir o calor de alguem, um toque mais intimo. Mas nao se entregava. Dineide soh amou a um homem, e a um homem soh amaria. Amou Joao, e Joao morrera. A ela soh restava a igreja, e a esperanca de um dia reencontrar seu amado em um lugar melhor.







Dineide continuou por mais 40 anos indo todos os dias a igreja, vestida de preto, ateh o dia em que morreu. Sua irma morrera cinco anos antes dela, e a Dineide nao se restou ninguem. Solitaria, o povo da cidade, nos anos antes de morrer, a apelidou de Viuva Negra. No final, ela jah nao costurara, quase nao comia, tinha dificuldades para andar e perdera a nocao das coisas e do tempo. Confundia as pessoas, as vezes chorava no meio da rua, pensando ser aquele o dia em que Joao morrera. Nao lhe restou um centavo, e nunca suspeitou da pessoa que lhe deixava na porta algum dinheiro e um pouco de comida. No dia de sua morte, estava voltando devagar da igreja quando sentiu seu coracao doer. Caiu de joelhos no meio da praca, mas ninguem a percebeu. Se pos de peh com dificuldade, mas a dor que sentia lhe tirava aos poucos a forca que lhe restara. Um homem entao lhe acudiu, a segurou na cintura e a acompanhou ateh a casa empoeirada de Dineide. Ele a pos na cama, a cobriu e beijou-lhe a boca.

Dineide, entre a dor e o canssaco entre o tempo e as coisas, entre a vida e a morte, consegui enxergar nas rugas e barbas daquele velho senhor o homem que um dia amava. Entao a dor o cassaco o tempo as coisas a vida jah nao existiam mais. Dineide morrera. Em seu enterro, ninguem chorou por ela, somente um morto que nao a teve em vida e nem em morte.

Tuesday, November 06, 2007

Friday, November 02, 2007

Body in moviment - by Rodrigo Ferreira

A historia de Joao parte 2

Agora um professor meu diria: "Cade a apresentaçåo do personagem? De onde ele vem? como ele eh? O leitor tem que se indentificar com ele". Ora, caro professor, que mais belo jeito de apresentar Joao do que comentar sua escolha pela arvore a plantar, uma existencia ligada a outra, tao importante para o desenvolvimento do personagem.

Nao eh coisa facil, imagine voce. Existem tantos tipos de arvore a ser. Saber o tipo de madeira que enfim o carregaria desta vida era tarefa ardua. Joao pensou em mogona, madeira fina, cor imponente. Pensou em carvalho, o carvalho eh mais facil de cuidar e carregar. Mas cresce muito rapido, pensou. Entao o figo, a macieira, o peh de laranja-limea, talvez alguma coisa que lhe traga sombra e comida. Alguma coisa doce. Ou o peh de canela, mas esse nao cresce muito. Pensou tanto, qual madeira se aplicava mais a sua ideologia, decidiu por uma coisa mais regional: monjoleiro, juqueri-guaçu, maricá, paricarana-de-espinho, casca-d'anta, castanheiro, eucalipito,magnolia e assim vai. Sao muitas, as arvores.

Joao decidiu por uma de cor especial, um vermelho profundo que mancha. Muito usada por ex nativos para colorir roupas, Joao achou essa arvore especial. Cresce no tempo certo, fica na altura ideal, da sombra e conforto que Joao vai precisar nos anos que ele ira viver. Pegou sua semente, escolheu um pedaco de terra boa e macia, abriu um pequeno buraco e plantou aquele pedaco de vida.

Wednesday, October 31, 2007

A historia de Joao parte 1

Decidi contar uma historia aqui nesse blog. Vou tentar ser o mais prolifico o possivel, mas se nao conseguir me desculpem, afinal sou um homem ocupado. Enfim, essa sera a historia de Joao. Voces vejam, Joao mora em um lugar ficticio, uma cidade levantada e construida no fundo da minha caxola, com personagens ficticios, nunca antes ateh entao imaginados. Se por um acaso vc conheca um Joao muito parecido com este aqui que eu vou escrever, e que mora numa cidade como essa que vc lera, entao sera uma grande coincidencia. Nossa odisseia comeca em uma momento decisivo na vida de Joao, quando por determinacao da Justica ele teria de ser cruxificado. Boa leitura:

A HISTORIA DE JOAO


Aconteceu naquele ano de a madeira acabar. Foi como se tivesse sumido: foram tantos cruxificados que a fonte secou. Tiveram de pedir a Joao para descer da cruz, pois a iam usar para construir uma casa, uma cadeira e uma pequena carroca. Vai ter de esperar, disseram a Joao, ateh que cresca mais. Por causa da secura mudaram o jeito de matar gente, e condenado agora era degolado. Joao seria o ultimo a ser cruxificado, mas a madeira era nescessaria. Quiseram degolar Joao, mas isso nunca havia sido feito: contrariar uma sentenca do Page seria contrariar o proprio Deus. A solucao encontrada foi oferecida por Joao mesmo: ele plantaria um arvore especialmente para sua cruxificacao, e ele mesmo se encaregaria de cuidar da planta, de regar e adubar, e se algo acontecesse com a arvore, entao isso poderia ser visto como um crime passivel da nova punicao.

...

7

Dia das Bruxas. Engracado, esse feriado veio de uma comemoracao paga, uma antiga religiao Irlandesa que acretiva em Leprecham, pequenos duendes e na Deusa naturesa. Claro, veio a religiao Catolica, os romanos, e proibirao tudo. Aquilo era pecado, e praticar aquilo era bruxaria. Especialmente hoje, homenageiam-se os mortos. Por isso a fantasia, os doces, a comunhao.

Vou sair a noite, feito um menino bobo, e pedir guloseimas por ai. Nao consigo decidir a fantasia, nao sei o que quero ser. Tem uma loja de fantasias aqui perto de casa, e eles tem de tudo. O mais impressionante era a roupa de Thor, eu tive de experimentar. Mas nao tinha nada que eu quis...

Pensei em ser um abacate. E por que nao: abacates sao garbosos, tem um formato diferente, sao dificeis de indentificar: ou fruta ou legume. Mas tambem pensei em ser uma cenoura, alem de serem laranjas, cor dificil de se ver por ai, cenouras vivem debaixo da terra, sao raizes. Acabei decidindo por nao ser um vegetal, nao sou uma pessoa vegetal, simplesmente nao eh quem eu sou...

O que ser entao? Talvez Thor, filho de Odim, Deus do trovao e das tempestades. Nao, nao sou loiro nem nordico. Talvez outro Deus entao; poderia ser Deus, pq nao? Deuses sao divertidos, tem poderes e poucas inibicoes, mandam enchentes por diversao, pedem para matar o filho de alguem para provar o amor por eles. Sim, poderia ser Baco, Deus do vinho! Bacanais a noite inteira, multiplicaria peixes e transformaria agua em vinho.

Bah, sem graca. Deus nao eh pra mim, acho que funciona como quem quer ser um politico: sempre as pessoas que querem sao as menos indicadas a serem. Alias, essa frase foi bem filosofica: quem sabe nao sou hoje um filosofo. Seria simples, nao teria de me fantasiar, ficaria em casa pensando sobre a vida e o sentido de tudo mais, escreveria minhas teorias e no fim me mataria por ter compreendido demais... Hurgh, nao. Muita sujeira.

Acho que terei de me contentar por ser o que eu sou, assim que descobrir exatamente o que sou. Soh espero que com a minha fantasia de Rodrigo eu ainda possa sair pela rua a pedir docinhos.

Saturday, October 27, 2007

6

Quando o meu irmao saiu do armario, meu pai nao se conformava. Primeiro, tentou convenser o meu irmao de que era anormal aquilo "vc tem certeza? pode ser soh fase...". Mas o meu irmao batia o pe: "Eh isso o que eu sou agora. Vc pode nao gostar, nao concordar, nao me importa". Papai o xingava de ovelha-negra, ameacava-o de lhe cortar a heranca. Apontava pra mim e dizia pro Dudu: "Pq vc nao pode ser igual ao seu irmao". Dudu, aos prantos, clamava que nao tinha nada de errado ser o que ele era. A situacao chegou ao ponto de minha mae ter de interferir: "Durval, vc nao pode tratar o seu filho assim. Nao importa o que ele seja". Mas nao adiantava. Mamae ateh vestia a camisa de meu irmao, mas nao era a mesma coisa.

Meu Pai acusou um amigo de Dudu: "eh por causa daquele moleque. Eu vi vcs dois juntos..." "ele nao tem nada a ver" meu irmao gritava. "Eu eh que quis". Meu pai baixa a cabeca: "O que eu fiz de errado?".

Isso foi ha alguns anos atras. A situacao, de lah pra ca melhorou. Meu pai convive bem com o meu irmao, aceita melhor o que ele eh. Enquanto a mim, eu jah vi homem trocar de namorada, esposa, religiao, emprego, cidade. Mas eu nunca vi ninguem trocar de time de futebol, e por mais que meu pai tentasse, meu irmao era o que era: Palmeirense.

Wednesday, October 24, 2007

Thursday, October 11, 2007

5

O que se estuda e discute aqui eh completamente diferente do que no Brasil. O engracado eh que as referencias sao quase as mesmas, Baudeliare, Barthes, Socretes e ai vai. Mas o enfoque eh outro. Os Europeus nao tem que se preocupar, por exemplo, se vai levar um tiro na cabeca toda vez que vai sair de casa, ou fechar os vidros do carro quando num semaforo vermelho. Isso falando numa perspectiva de classe media.

Um fato curioso, tb, eh que eu tenho mais medo do Brasil estando na Inglaterra. Quando em Sao Paulo, a violencia nao parecia tanta, ou melhor: talvez fosse normal. Minha indignacao nao era tanta, um ladrao matar ou um policial torturar era o cotidiano, nao chocava. Mas alem tambem, ha uma cultura do medo maior aqui fora. Toda vez que falo que venho do Brasil, as pessoas arregalam os olhos, prendem a respiracao. Acham curioso eu ser vivo, perguntam se eu sofro muito, ou pior: nao perguntam nada. Mas eu sei. De uma maneira, Cidade de Deus eh a realidade. Um preto revoltado com a vida e policial corrupto. Causa e consequencia, uma realidade branco-e-preto propagada por nos mesmos. Bunda e samba.

Eu digo que o pior do Brasil eh o Brasileiro. Jah fui pra Africa, e nao vi violencia. Jah fui pra Europa Ocidental, e nao se cometem crimes a tordo e a direito. O Brasil eh um paiz lindo com pessoas boas, eu vim de lah e eu posso dizer que eu amo tudo aquilo. Mas de um jeito ou de outro, sempre me traz maneiras de me deixar extremamente depressivo e triste.

Thursday, October 04, 2007

4

De alguma maneira eu sou o membro da minha familia que jah foi mais longe nesse mundo. Bem, ao menos em se tratando de lugar. Jah visitei a Africa, Europa, America do Norte. Jah fui na cidade mais ao sul do mundo, e pretendo ir para a mais norte em breve, se bem que jah fui para a escocia tb. No Brasil jah fui de norte a sul. Conheco meu estado, Sao paulo, de ponta a ponta, literalmente jah fui ateh o pontal do paranapanema. Meu litoral jah fiz todinho, fui de sao paulo ao nordeste de onibus, acampei numa ilha de pescadores. Pra baixo jah fui de onibus ateh o Rio Grande tb. Conheco mais cidades inglesas que muito ingles, mais paizes Europeus que muitos nesse continente. Jah vi o mediterraneo, Pacifico e Atlantico.

Sei que parece auto-promocao ou coisa assim, e de certa maneira eh. Vejo meu passaporte como uma conquista: nao soh dos lugares que eu jah visitei, mas principalmente do lugar de onde eu vim.

Monday, October 01, 2007

O ataque dos maldinavios sabatinos

Se fosse um lugar, seria como outro lugar qualquer: abaixo do ceu, acima da terra. Mas nao era, e por nao se saber o que era classificou-se por Ephemero. Os sabatinos, sabidos como passageiros reinantes daquele nao-lugar, quando em quando em orgiaticas refeicoes dominicais, se atracavam num combate fulgas e melodramatico.
Maldinavios, diziam sem falar.
"Except for the pink nose, he was white as a white squirrel can be. He was apparently playing with other grey blackish squirrels with pink noses. They were on a green grass of a hillside park, near a not-so-high-not-that-small tree full of brown nuts. The sun was shining bright on the blue sky illuminating those high spirited animals jumping from one place to another, their white and grey blackish tails floating on the air, squishing to one another and rubbing their heads. It was, indeed, a very beautiful scene, a ballet of very precise moves, but I disturbed everything with my look and curiosity when I came close and all the squirrels started to run away leaving me forever alone."

Thursday, September 06, 2007

3

Eu vi em um noticiario aqui da Inglaterra que recentemente foram descobertos documentos que comprovavam que la pelos anos 20 o MI5, a CIA do Reino Unido, costumava a vigiar George Orwell. Pra quem nao sabe, George Orwell cunhou o termo Big Brother (grande irmao) no livro 1984, e pros que pensam que isso eh soh um nome de um programa esdruxulo de TV, na verdade eh uma metafora de uma sociedade de controle, extremamente vigiada.

O engracado disso tudo eh que, fora o 1984, os livros de George eram sempre carregados por uma extrema paranoia. Os personagens dos romences desse escritor sempre achavam que alguem os olhava, e sempre com medo do estado. Isso era um reflexo do proprio escritor e oitenta anos depois descrobrimos que ele tinha razao. Na sociedade que imaginou e na paranoia que tinha.

2




Uma ilustracao que eu fiz...

Monday, August 27, 2007

1

Voltei... Porque se a gente continua indo, sempre dá a volta.

Eu tive a infeliz idéia, na minha despedida do Brasil, de jogar futebol com os amigos. Torci meu tornozelo três dias antes de partir. Aparentemente, nao se viaja engessado, entao comprei uma tala removivel, bem moderninha. Cheguei no aeroporto, com meus pais, meu irmao e a tia Fatima. Por causa da tala, eu furei a fila das bagagens, e me arranjaram uma cadeira de rodas. No aviao, nao dormi. Por onze horas. Cheguei a França, me arranjaram uma cadeira de rodas pro translado. Porem, aqueles malditos franceses. Ai que raiva.

Uma mulher veio me buscar, na porta do aviao, com a cadeira e me levou ateh uma parte do terminal. Ai apareceu um novo cara, num carro, pra me levar pra outro terminal. Chegando nesse outro terminal, fui deixado numa sala, e me pediram para esperar que outra pessoa iria me buscar. Meu voo era as 12:20. Eu esperei quarenta minutos por esse filho da puta, que nao apareceu. 12:50, me desesperei e fui, andando, para o portao. Porem, vc mesmo no translado, na porra da França, eh revistado. Entao uma mulher, outra grandessissima filha de uma puta, me fez tirar tudo da minha mala de mao, e tambem me fez tirar a tala, e nao bastasse isso, me fez andar no detector de metais. Passado isso, eh logico, meu aviao decolou sem mim. Indignido, eu fui informado, educadamente pela mulher da Air France, que a culpa era minha, que nao esperei.

Bom, remarquei outro aviao pra duas horas depois. Cheguei em Londres, cadeira de rodas me esperava, imigraçao e essa coisa toda. Na hora de coletar a bagagem, eis que descubro outra peripecia dessa merda de compania aerea: eles haviam esquecido a minha bagagem. Fui ao balcao proprio para isso, preenchi o formulario, e me avisaram que eu nao precisava me preocupar, a minha bagagem estaria em casa no mesmo dia. Caso ao contrario, a Air France teria de dar um dinheiro, ou um kit, pra escova de dente, desodorante, shampoo, sabonete e uma troca de roupa. Mas como era no mesmo dia que eu teria a minha bagagem, nao precisavam.

Eu soh fui ver a minha bagagem dois dias depois. DOIS DIAS DEPOIS.

E em um cartaz escrito: "Welcome back Rodrigo. We missed you"

Monday, March 19, 2007

Hoje eu vou pro aeroporto, dormirei lah, jah que o meu voo sai de manha, e amanha estarei no Brasil. Por sorte achei uma conexao de internet, entao posso me despedir desse blog apropriadamente. Gostaria de ir embora e mandar um aceno quando olhar pra traz, eh mais facil e indolor, mas nao eh proprio. Afinal foram dois anos de contos e nao se vai assim, com um aceno. Queira primeiro, meu blog, pedir-lhe desculpas pelas mentiras verdadeiras e verdades duvidosas, vc sabe que foram todas sinceras. E mais ainda pelos omissos, nunca se sabe quem vai ler, e sempre eh bom guardar um misterio. Pelos tempos em que o esqueci, estava ocupado, ou mesmo com preguica. Obrigado pela compania.

E com um abraco (e um sussurro no ouvido) nos vamos.


Te vejo em breve.



Adeus.

Thursday, February 22, 2007

Elenor Rigby

Um amigo um dia me falou que nesse vida eh preciso ter prasos. Nao importa o quanto, ao menos que vc cumpra aquilo que vc quer no tempo que se deu. Determine o que vc quer, ele me disse, e quanto tempo vc se dah pra chegar naquilo. E se esse tempo passou e vc nao conseguiu, azar.

Sete meses e eu me dei mais um ano. Vim com algumas coisas em mente. Queria uma pos, mas isso eu joguei pra cima. Era muito caro, mais do que eu esperava. Mas tentei. Queria ir ao maximo de shows que pudesse: fui nos do U2 (argh), kings of Leon (duas vezes), Iron Maiden, Foo Fighters, Pixies, Iggy Pop, Mark Knofner, Paul Maccarteney, White Stripes, Audioslave, Strokes, Frans Ferdinand, The Killers, Kaiser Chiefs, Buzzcocks e varios outros que nao me lembro mais. Eu comprei um skate e andei com ele por uns bons tres meses, ia pra todo lugar, atropelava pedestres e era atropelado por carros (duas vezes) e caia muito, muito.

Comprei uma bicicleta tambem, mas essa eu soh usei por um mes. Me lembro uma vez de quase ter morrido com ela: estava andando de calca jeans numa via expressa quando a barra enganchou no pedal. A bicicleta trepidou, eu nao conseguia pedalar e meu equilibrio foi dificultado jah que o meu corpo teve de se inclinar um pouco mais pra direita. Nao cai por desespero, quando vi um enorme onibus de dois andares, um juggernaut vermelho atras de mim, forcei a calca ateh rasgala completamente. Recuperado o equilibrio parei na calcada e calmamente andei de volta pra casa.

Queria viajar: conheci Paris, Bruxelas, Liverpoll (piscina de figado), Dublin, Berlin (ah!), Auschwits, Krakovia, Amsterdan, Edingburgh, Oxford, Cardiff, Hannover e estou indo pra Marrakesh. Ainda queria ver mais, fiquei devendo a sicilia, Praga e Turquia, mas fica pro proximo ano (novo praso).

Aprendi ingles, desaprendi portugues. Conheci amigos novos e pessoas que dificilmente reverei nessa minha vida. Mas nunca se sabe. Conversei com gente de paises dos quais nunca ouvi falar: do leste europeu, alguns africanos, um monte de arabes e alguns asiaticos. Um de uma ilha no sul da Africa dominada pela Franca. Eu esqueci o nome da ilha, mas o ser parecia saido de algum elo perdido. Meus amigos da Costa do Marfin, nos quais prometi visitar-los.

Tive de me virar e agora eu sei cosinhar, lavar e passar, o que de fato nao eh tao dificil. Queria poder dizer que estou mais organisado, mas chegeui a conclusao que isso estah no meu gene, eh incuravel. Nao me incomodo porem: me acho na minha bagunca. Alem do mais, uma gaveta em ordem eh uma gaveta vazia.

Me dei esse praso, e eh com satisfacao que estou indo embora. Sinto que conquistei o que queria. Agora me dou novos prasos, coisa minha. Alias, passei num exame e comeco em setembro minha pos-graduacao, mestrado na area de fotografia pela Kent University of Arts. E quero passar o ano novo desse ano na Polonia, nas montanhas e no meio de muita neve. E o natal em Praga!!! No ano que vem quero jogar bola na Costa do Marfin, e nadar pelado nas ilhas Gregas e conhecer as piramides no Egito. Uma amiga me convidou pra visita-la no japao, e eu quero subir o monte Fuji. E definitivamente eu quero voltar a fazer alpinismo, comprar uma camera digital nova, arranjar um emprego num estudio, ler crime e castigo, dancar no casamento do meu irmao, comer uma bela feijoada, abracar minha querida mae, rever os meus amigos e familia e comer um petit gateau com o meu pai no Frans cafeh.

Eu faria uma lista completa com tudo que eu quero, com datas e praso e custo e coisa e tal. Mas eu nao sou disso. Ademais, me acho na minha bagunca.


Faltam 26 dias...

Eu vou pra minha ultima semana no emprego, depois viajo pro Marrocos. Eh claro, ainda nao tenho hotel pra ficar, nem sei quais cidades eu vou ver, mas isso deixa tudo um pouco mais interessante. Dia 15 eu volto pra Inglaterra e cinco dias depois eu estou no Brasil.


Adios

Tuesday, February 06, 2007

and if I have to go will you remember me
or will you find someone else while i'm away?
there's nothing for me in this world full of strangers
it's all somebody else's idea, i don't belong here
and you can't go with me, you'll only slow me down
until i send for you, don't wear your hair that way
and if you cannot be true i will understand
tell all the others you hold in your arms
that i said i would come back for you
i'll leave my jacket to keep you warm
that's all that i can do
anf if i have to go will you remember me
or will you find someone else while i'm away...

Tom Waits (denovo e sempre)

Quem tem estilo pode ateh ler de ponta-cabeca

Agnieszka (consegue dizer tres vezes bem rapido?)

Muro de Berlin e Londres



Frio. Aquecimento global uma ova. Aqui neva (nevou uma vez, pelo menos).

The Long Way Home

Well I stumbled in the darkness
I'm lost and alone
Thought I said I'd go before us
to show the way back home
Is there a light up ahead
I can't hold on very long
Forgive me pretty baby
I always take the long way home

Money's just something you throw
off the a back of a train
I got a head full of lightning
And a hat full of rain
And I know that I said
That I'd never do it again
I love you pretty baby
But I always take the long way home

I put food on the table
And a roof over our head
But I'd trade all tomorow
For the higway instead
Watch your back
Keep your eyes shut tight
Your love is the only thing I've ever know
But one thing's for sure pretty baby
I'll always take the long way home

I love you baby
More than the whole wide world
you are my woman you know
You are my pearl
Let's go out
Past the party lights
Where we can finally be alone
Come with me and together we
Can take the long way home

Tom Waits

Monday, January 08, 2007

Andre vai ser pai, Dudu vai casar, adriana tah de 3 meses, Glauco tah de namorada nova e Guga tambem vai casar. Talvez Noel case, nao sei, e Arturo ainda tah com a Priscila, eu acho, com a qual comecou a namorar um mes depois que sai do Brasil, e ele ainda tenta mudar o mundo, se possivel, pra melhor. O Garavelli ainda tenta Barro Branco, o Teta tah pra voltar da Australia, a Julia tah na Globo, e o Barca tb... Joana estava em Cuba, depois de pasar por Mexico, e diz que sente a minha falta. O Pedro trampa com o Ioshi, acabou de comprar uma camera nova, e faz um dinheirinho rasoavel com videos, que o Ioshi gasta com entorpecentes, tenho certeza. Guilherme continua nervoso, e com a mesma namorada, acho que quer casar tb. Delissimo trampa bastante, nao fala mais com os amigos. Dudu tambem, tem muitas responsabilidades, quer casar. Assim como Guga, que nao ve Dudu tao frequente como gostaria. Em breve os dois serao pais, como Andre, e terao motivo pra se reunir. Poderiam assistir futebol juntos, mas Guga eh corintians e Dudu palmeiras, mesmo time que Teta, Guilherme e Glauco. Eles costumavam assistir o Palmeiras juntos, mas Teta tah na Australia e Glauco foi promovido, ganha melhor, mas nao tanto quanto Barca, que mudou a pouco tempo de emisora, agora estah na mesma que a Julia, mas ele quase nunca a ve, pois tem muito trabalho. Julia se econtrou com a sua melhor amiga Adriana semana passada pra falar de gravidez, emprego, casamento e como quase todo mundo quase nunca se encontra porque estao muito ocupados entre casamento, trabalho e filhos.

Ah, e o Leandro casou.

Tuesday, November 28, 2006

Todo mundo pastou

No chao que um pasta, dois pastaram, dez pastaram e eu tambem pastei.

"Ninguem, eu penso, estah na minha arvore
Eu acho que deve ser alta ou baixa
Isto eh voce sabe que nao se pode medir isto
Mas estah tudo bem
Isto eh eu acho que nao eh tao mal..."

Um pasta e dois pastam e todo mundo pasta no chao que eu pastei.

Um pombo perneta voa e agradece nao ser maneta. Mas tem medo de aterrisar, o coitado. Um dia desses uma manifestante jogou sangue na vitrine de uma loja de vestidos de pele. Eu me pergunto onde ela arranjou esse sangue. Um ex-espiao russo morreu envenenado, aparentemente, por outro ex-espiao russo. Isso ocoreu num restaurante ao lado do meu, num dia normal de trabalho, na hora do almoco. Radiacao, disseram. Um spray radiotivo jogado na comida do cara. Todos que almocaram naquele restaurante naquele dia tiveram de ir ao hospital para ver se nao estavam contaminados por radiacao. O motivo eh que esse cara era contra o atual regime ex-cominista ex-ditatorial. Mas se perguntarem, nao fui eu quem contou.

It's very nice pra xuxu!

Eu posso ter esbarrado nesse cara. No dia eu andava, esbarrei em algumas pessoas como sempre. Nao me recordo dos rostos porem. Posso ter me encontrado com esse cara, o ex-espiao que morreu. Ou ateh mesmo com o ex-espiao que matou. Se ao menos eu me recordasse. Talves eu vah pro hospital verificar se nao estou radioativo.

Alias, quem descobriu a radiacao foi uma polonesa. Ela foi a primeira mulher a entrar na faculdade de Soborne (eh assim que escreve?) em Fisica e Quimica. Casou com um frances, co-descobridor. O casal morreu contaminado por radiacao, um tempo depois de descobrirem que o que descobriram era perigoso.

Agora botaram isso numa latinha de spray. Aqui na inglaterra tem um dito sobre as lebres de marco. Aparentemente esse bixo fica doido nesse mes. As lebres de marco. E tem a vaca louca tambem. O primeiro caso de vaca louca na Europa aconteceu em um Macdonald's. Um Crasy Mac. hehehe. Mas nao eh marco, nao eh? E quem nao eh louco nesse mundo? Quem acho que tudo estah certo, que a vida encontrou um equilibrio, levanta a cabeca em um dia de trabalho, quer aproveitar o fim de semana merecido.

Nossas noites de ilusao.

"Sempre sei as vezes penso que sou eu
mas voce sabe eu sei quando eh um sonho
Eu acho que um "Nao" vai significar um "Sim"
Mas estah tudo errado
Isto eh eu acho que discordo"

E continuamos pastando no mesmo chao que eu pastei amanha. Talvez. Ou nao.

Monday, October 02, 2006

Sunday, September 10, 2006

Celito foi embora

Chegou por aqui passional. Encontrou no carnaval um rabo-de-saia daqueles de largar a familia, e fez: largou. Deixou tudo pra traz, todos os planos, nao fez a prova da OAB, deixou o emprego no dia seguinte. Era esse tipo de rabo-de-saia. Veio as pressas, nao quis saber de esperar visto, estava apaixonado. Chegou ilegal, teve que suportar a amargura dos piores empregos, de advogado virou limpador de pratos. E a mulher a que veio, o que eh pior, o largou logo no primeiro mes. Triste, e foi assim que o encontrei, triste. Moramos juntos numa casa, e a principel nao fui com a cara dele, devo confessar. Se lamentava muito: pelo emprego, a mulher e a mae que o pario. Mas o tempo foi passando, as amarguras foram se acabando, se esgotaram.

Celito eh um bom rapas. Religioso, de vez em quando ia a missa aqui perto, e sempre contava com a Mother Mary pra levar seus problemas embora. O doctor Robert da casa, eu costumava dizer, pois fornecia aos outros a palavra. Trocou o rabo-de-saia pelo objetivo de viajar o mundo. E hoje a noite ele partiu, destino a Paris, e depois quem sabe.

Engracado, a partida. Eh emocional, o inicio e o fim, a dualidade que todas as vidas se encernam. Eu e celito tinhamos feitos planos pra essa viagem, iriamos juntos. Apostamos quantas mulheres de paises diferentes seriamos capazes de pegar. Planejamos rota, vimos precos. Mas nao foi assim. Ele partiu soh... Celito entende, um rabo-de-saia deixa o homem bobo, faz ele mudar os planos.

Cada um tem sua estrada. Cada pessoa constroe sua trilha. Um dia o pai do meu pai se despedio dele quando seu filho veio pra Sao Paulo, tentar a vida. Eu me despedi de meus pais no Aeroporto e vim pra Londres. E por mais que a gente queira estar com todos os que amam o tempo todo, nao dah. O que fica eh a lembranca de as estradas terem se encontrado, mesmo que por breve. E quem sabe o que tem depois, o que vai surgir na curva? Um dia os caminhos pode se encontrar de novo, o mundo eh pequeno. E nao importa que caminho se tome, o destino e o mesmo pra todos. E eu vou estar lah, no fim do caminho: eh soh me procurar. Eu vestirei uma camisa do AC/DC, carequinha carequinha, cantarolando Elis Regina, encostado num poste. Vc tem todo o tempo do mundo pra me achar, e eu vou estar sem pressa, prometo.

Tuesday, August 22, 2006

Comprei um computador. Isso deveria me deixar mais prolixo, eu deveria escrever mais. E se deixou foi para mim soh, e nao houve espaco para internet, mais ainda para um diario virtual. Escrevo sim, confesso, mas nao publico. Nao que tenho algum misterio, faco grandes coisas, penso alto: um romance ou o inferno que seja. Nao publico pq nao acho que valha a pena publicar. Mas escrevo pq me viciei na coisa, eh uma terapia, me relaxa. Saio do mundo e deixo fluir as horas.

O mundo estah cheio de merda. Coisas estranhas. As ruas de Sao Paulo, um exemplo, eh um campo minado. Se tem de olhar pra baixo o tempo todo naquela cidade. Se pensa que no velho continente eh mais civilizado, que as pessoas limpam a merda feita pelos devidos animais, mas nao. A diferenca eh que aqui se tem mais dinheiro, entao se manda limpar. Se tem um carrinho que anda todo o dia aqui em Londres, e que aspira essas coisas. O dia inteiro um carinha dirige esse carro. Eu nao me importaria de fazer isso da vida. Vc poem uns oculos escuros e um fone de ouvido e manda o mundo pro inferno. Vc pode pensar que nao eh dignificante, ser motorista de carros anti-merda. Que ser um advogado ou um escritor seja melhor. Mas eu digo: Olha Sao Paulo. Se tem advogado e escritores lah, talvez ateh mais do que aqui, mas nao se pode andar em paz naquela cidade sem que se pise numa merda. Se me perguntarem eu prefiro um carrinho anti-merda.

Friday, August 04, 2006

Dudududududududududududududududududududududududududududududududududududududududududu
dudududududududududududududududududududududududududududududududududududududududududu
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dudududududududududududududududududududududududududududududududududududududududududu
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dudududududududududududududududududududududududududududududududududududududududududu
dudududududududududududududududududududududududududududududududududududududududududu
dududududududududududududu. Espero que tenha sido o suficiente...

Tuesday, July 25, 2006

Rotterdam e Amsterdam

Eu estou aqui na internet cafe, e acabei de reservar voo pra Holanda, pro mes que vem. Vai ter um feriado aqui, do dia 25 ao dia 28 de agosto, e eh nessa data que eu vou. Visitar os museus que tem lah, e nada mais. Prometo

Thursday, June 29, 2006

Berlim

Fui pra copa. Sim, fui pra copa. Eu jah disse que fui pra copa? Pois eh, fui pra copa. Acabei de voltar da Alemanha, passei bem. Depois de duas semanas na Polonia, eu fui pra inimiga mortal deles. Mas me surpreendi, ao menos em Berlin, jah que a cidade eh uma das melhores que jah conheci, e pra quem pensa que eu nao vi grandes cidades o suficiente, ae vai a lista de algumas:

Liverpool;
Londres;
Edinburough;
Krakovia;
Paris;
Bruxelas;
Buenos Aires;
Sao Paulo...

Mas Berlin, sei lah, tem muito charme. Tem um predio no lado comunista da cidade que a parede de fora foi toda destruida pela guerra. Esse predio foi habitado, lah pelos anos setenta, pela comunidade artistica da cidade, e ateh hoje a galera que curte arte mora lah. Porra, que selissimo! E as mulheres, meu deus, sao muito fodas. Todas sao loiras de dois metros e bem fartas de peito e bunda. Todas! E a cerveja eh boa e barata... O unico defeito eh soh se falaa alemao lah (daaaaahhhhh) entao desistimula todo um projeto de me mudar praquela cidade...
Mas continuando, Berlim: pra quem nao sabe na guerra fria a cidade foi dividida por um muro. De um lado o socialista Russo e do outro o capitalismo americano. Adivinhem qual lado eu gostei mais? Quase nao fiquei no lado Ocidental, nao que nao seja bonito, ao contrario, era o mais bonito na concepcao exata de beleza: limpo e organizado. Mas era tb parecido com outra cidade qualquer, e como todo o produto capitalista, sem alma. Jah no lodo comuna, sei lah, os predios ainda tinham buracos de balas. Tem sangue ali, acreditem em mim. Mas soh tando lah pra sentir isso.

Alo alo marciano

London Calling do Brazil: Tem alguem ai? Faz tempo, nesse interim esqueci e fui esquecido. Naum que eu reclame jah que eu estou bem aqui, e espero a felicidade de todos dai. Fiquei sabendo que a Julia apareceu no Jo Soares, minha mae contou, numa especie de estagio com o Caco Barcelos. Acreditem ou naum mais eu fico muito feliz com noticias como estas... Eu soh queria estar ai para abracar a Julinha pessoalmente, e quem conhece a Julia sabe que o prazer seria todo meu. Abraco tb quero dar pro Guga, que estah noivo. Noivo! Eu estava lah no primeiro beijo na Ju, e o casal havia me prometido ser padrinho (se a irma do Guga ainda estivesse solteira). E se eu conheco o Guga, a festa vai ser com tudo do bom e do melhor. Meu irmao foi promovido no emprego, tah ganhando mais aquele capitalista. O meu playbissimo predileto agora tah fazendo cu doce pra ver se vem pra Europa ou nao... Vem logo moleque, aproveita que agora tah passando bem e visita esse pobre coitado que tah feliz, eh verdade, mas que no dia de finados morre nao consegue evitar que uma lagrima escorra do olho esquerdo. "Corre menino, lavo o rosto, engole a seco a dor nos teus olhos e pinta um sorriso na cara, nao deixa o mundo ter o prazer de ver o que faz com o teu tempo..."

Tuesday, June 06, 2006

Moja Kochana

Mais longe que um Boro jamais ousou a ir. E pra onde, meu deus: Polonia! E fazer o que? Fui num casamento. Pois eh, uma guria aqui, doida soh pode ser, me convidou pra ir com ela. Me obrigou! E que festa, comida e bebida, Wodika, a noite inteira. E danca! Eu que nao danco, dancei. Me obrigou, senao dancava com outro, disse. Entao dancei. E me diverti como nunca, devo confessar. Vcs que imaginem, eu que nao dancava, dancei! A noite inteira. Eh claro que a Wodika ajuda e a falta de talento dos Polacos tb. Mas as musicas eram muito divertidas. Todos formavam um circulo e pulavam o tempo inteiro, e cada casal ia pro meio e dancava um pouco. Eu tb fui, senao ela ia com outro, e estava bebado. Pulei feito doido. De meia em meia hora havia intervalo da banda, e todos voltavam a mesa pra comer e beber mais. Dasdrovia! Sete diferentes pratos quentes e tradicionais polacos, chucrute, croquete, strognofre, porco, e uns nomes que eu nao me lembro. Como comi! E sempre regados com Wodika, Dasdrovia! Fui a Auchwitz tambem. Triste, muito triste. Ha um salao cheio de cabelos coletados de mulheres e criancas para servirem de tecido. Uma sala cheia! Uma sala cheia de roupa de criancas que os Nazistas coletavam quando elas iam pra fornalha. Num painel estava escrito: "Em Auchwitz, de 232 mil criancas que entraram soh 625 sairam vivas". Eu vi as fornalhas tb. Era um banker grande, com uma porta de ferro que levava a uma sala escura com um unico cano. Desse cano saia um gas que paralizava todos os musculos das pessoas, que morriam sufocadas. entao os Nazis entravam e recoliam aneis e dentes de ouro. o que sobrava ia pras fornalhas, que ficavam numa sala adjacente. O corpo entao cozinhava durante 40 minutos, e das cinzas eram feitos materias de construcao. Tiveram outras historias, mas eu nao quero falar sobre isso, nao agora, pelo menos...