Agora Joao tinha uma mae, pois todos temos mae. As vezes se nasce sem pai, outras o pai eh outro. De vez em quando o pai vai embora. Mas a mae fica. Vem do ventre, uma existencia simbiotica a outra; nao, simbiotica nao, parasital mesmo. A mae nao tem como fugir, desde cedo o filho a rouba a nutricao e saude: pois se ha a existencia do filho, eh por causa da gestacao da mae.
Pois quando disserem a mae de Joao que seu filho morrera na cruz, ela nao acreditou. Todos a aconselheram a vestir preto, a fazer luto, orar pela alma de Joao. Ela achava bobagem e dizia: "meu filho vai bem, cuide do seu". Ateh o pai havia se conformado, e ficava preocupado com a situacao de sua esposa: "ficou louca depois de velha".
A mae Nao acreditava naquela besteira de que Deus o levara, de que estaria morto mesmo que vivo. "Sua alma nao estah entre nos, aquilo eh soh uma casca vazia", diziam mas a mae nao acreditava, conhecia bem ao seu filho, e ninguem a podia enganar. "O Pai Supremo", como chamavam deus naquela sociedade, "sabe o que faz". "Pro inferno com o Pai", respondia, "eu sou a mae e sei melhor".
De fato naquela sociedade Deus representava a morte, o castigo e a danaçao. Deus via tudo, Deus sabia de tudo. Se a Deus nao respeitassem, era a morte. Se a Deus nao orassem, era a morte. Deus era a luz e a noite. Deus era o homem, era o pai. Jah a naturesa representa a vida, a flor que brota, a comida que nasce. Temos uma relacao simbiotica com a natureza; as vezes parasital. A natureza eh a mae, e a mae eh a vida.
Um belo dia os homens da igreja levaram a mae de Joao e a sentenciaram a morte. Era uma herege, vejam bem. No dia da execussao, quando lhe cortaram a cabeca, a mae chorou, e muito. Nao porque ia morrer, porque todos morrem, mais cedo ou mais tarde. Deus mata. Nem pela vergonha da excomunhao publica, jah nao ligava mais pra isso. Chorou por ser mulher, e por tantas vezes nesse mundo em que a vida chora.
Monday, March 17, 2008
Wednesday, February 27, 2008
A historia do Joao parte 6
Quando nasceu, ela teve de empurar o mundo com a cabeca, combater todas as possibilidades que a negavam a existencia. Joao, sentado a sombra de sua arvore, um dia reparou aquele pequeno brotinho que lutava pela vida, e resolveu batiza-la de Tatiana.
Por muito tempo Joao teve Tatiana por compania. Eles conversavam sobre a vida, riam sobre a verdade universal, sentiam frio e calor juntos. Joao acompanhou todas as fases de crescimento de Tatiana: o dia em que nasceu sua primeira folha, a consolou quando teve espinhos durante a adolescencia, aguentou sua ansiedade quando estava para brotar.
Um dos momentos mais felizes da vida coletiva de joao e a flor foi quando Tatiana se abriu. O dia era lindo: estranhamente fazia um lindo sol com um chuva fina e constante. As petalas de Tatiana brilhavam com o orvalho da manha, seu perfume acalmava Joao e o mundo era lindo e perfeito. Joao cantou, como nao fazia desde que tinha morrido, e fechou os olhos e sonhou que voava entre as estrelas.
Ao acordar, Tatiana estava morta. Suas folhas muchas, o caule inclinado. Joao gritava por ela, mas jah nao podia responder mais. Joao, de joelhos com o rosto inclinado postado ao lugar que Tatiana sempre ficara, pos-se, lentamente, depois de uma longa pausa, a chorar. Suas lagrimas iam escorremdo o rosto e molhavam Tatiana e a terra em volta de Tatiana. Nao sei por quanto tempo Joao chorou, mas foi o bastante para que com o sal de suas lagrimas nada mais pudesse nascer, crescer e morrer naquele lugar.
Por muito tempo Joao teve Tatiana por compania. Eles conversavam sobre a vida, riam sobre a verdade universal, sentiam frio e calor juntos. Joao acompanhou todas as fases de crescimento de Tatiana: o dia em que nasceu sua primeira folha, a consolou quando teve espinhos durante a adolescencia, aguentou sua ansiedade quando estava para brotar.
Um dos momentos mais felizes da vida coletiva de joao e a flor foi quando Tatiana se abriu. O dia era lindo: estranhamente fazia um lindo sol com um chuva fina e constante. As petalas de Tatiana brilhavam com o orvalho da manha, seu perfume acalmava Joao e o mundo era lindo e perfeito. Joao cantou, como nao fazia desde que tinha morrido, e fechou os olhos e sonhou que voava entre as estrelas.
Ao acordar, Tatiana estava morta. Suas folhas muchas, o caule inclinado. Joao gritava por ela, mas jah nao podia responder mais. Joao, de joelhos com o rosto inclinado postado ao lugar que Tatiana sempre ficara, pos-se, lentamente, depois de uma longa pausa, a chorar. Suas lagrimas iam escorremdo o rosto e molhavam Tatiana e a terra em volta de Tatiana. Nao sei por quanto tempo Joao chorou, mas foi o bastante para que com o sal de suas lagrimas nada mais pudesse nascer, crescer e morrer naquele lugar.
Monday, February 25, 2008
A historia de Joao parte 5
Agora o mundo gira. Nisso nao ha duvida, mas eh claro que muita gente duvida. Mas eu repito, nao importa o que aconteca, com ou sem Joao, com ou sem ninguem, o mundo gira, e nao a nada que se possa fazer sobre isso.
Mas a pergunta fica: se nao ha ninguem para ver que o mundo girou, o mundo realmente girou? Se nao ha ninguem para presenciar a existencia, sera que ela realmente existe? Um som eh som sem ninguem para ouvi-lo? Ora, o som se faz na presenca de um receptor, e o mundo soh passou a ser mundo a partir de quando alguem passou a reconhecer o mundo como o mundo. E o mundo, assim, girou.
Pois Joao via o mundo girar, e o mundo girava. Entre dia e noite, verao e inverno, Joao reconhecia sua propria existencia meramente pelo falo que ele reconhecia que o mundo girava. Vejam, isso eh um fato importante: tinha dias que ateh mesmo Joao duvidava que estava vivo. De vez em quando pensava: "Sera que nao estou mesmo morto como todo o mundo pensa que estou e soh eu estou errado?". Mas entao Joao via o mundo girar, e isso o tranquilizava. Pois veja voce: o mundo nao gira para os mortos, ele para no exato momento de seu ultimo suspiro.
Mas a pergunta fica: se nao ha ninguem para ver que o mundo girou, o mundo realmente girou? Se nao ha ninguem para presenciar a existencia, sera que ela realmente existe? Um som eh som sem ninguem para ouvi-lo? Ora, o som se faz na presenca de um receptor, e o mundo soh passou a ser mundo a partir de quando alguem passou a reconhecer o mundo como o mundo. E o mundo, assim, girou.
Pois Joao via o mundo girar, e o mundo girava. Entre dia e noite, verao e inverno, Joao reconhecia sua propria existencia meramente pelo falo que ele reconhecia que o mundo girava. Vejam, isso eh um fato importante: tinha dias que ateh mesmo Joao duvidava que estava vivo. De vez em quando pensava: "Sera que nao estou mesmo morto como todo o mundo pensa que estou e soh eu estou errado?". Mas entao Joao via o mundo girar, e isso o tranquilizava. Pois veja voce: o mundo nao gira para os mortos, ele para no exato momento de seu ultimo suspiro.
A historia de Joao parte 4
Joao calejou. Um paria, um fantasma. Esquecido, nem gente nem bixo. Invisivel. Teve dias que preferia ter morrido, pois aos mortos sempre lembravam. O que era pior, quando alguem passava a sua frente, fingia nao ve-lo. Aos poucos Joao se tornava um recluso e soh saia debaixo da sombra de sua arvore para comer. Do alto de seu morro via a cidade se movimentar como uma peca de relogio aberta, seus habitantes comprindo funcao exata e sistematica para o funcionamento da maquina, e o tempo passava. Joao contemplava o ceu e o universo. Sua mente viajava entre as estrelas e o infinnito. Comecou a ter uma nocao melhor das coisas, do significado da vida.
Em um belo dia, quando olhava uma formiga que carregava um pedaco de folha para sua rainha, um estalo lhe veio: finalmente compreendera. O que? Ora, tudo. Entendera tudo. Comecou como ideia, depois virou verdade e por fim certeza. Joao riu. Melhor: gargalhou. Nao que achava aquilo engracado, nem tampouco gozava da verdade universal. Joao riu nao porque a verdade era bananal, mas sim porque era obvia.
Em um belo dia, quando olhava uma formiga que carregava um pedaco de folha para sua rainha, um estalo lhe veio: finalmente compreendera. O que? Ora, tudo. Entendera tudo. Comecou como ideia, depois virou verdade e por fim certeza. Joao riu. Melhor: gargalhou. Nao que achava aquilo engracado, nem tampouco gozava da verdade universal. Joao riu nao porque a verdade era bananal, mas sim porque era obvia.
Wednesday, November 07, 2007
A historia de Joao parte 3
Ela jurou um dia casar com Joao, mas isso foi antes de joao morrer. Claro que jah sabemos que Joao nao morreu, mas para ela sim: se vestiu de preto, fez luto. Quando avistava Joao andando pela praca, desmaiava: "vi um espirito" dizia. Dineide morava com sua irma mais velha, Joana, numa casa de dois comodos. Vivia as custas de costuras que fazia com a irma para as damas mais ricas da cidade; fazia bordados, vestidos, lantejoulas e tinha a fama de perfeccionista. Era relativamente jovem, estava no comeco de seus vinte anos, e poderia se casar de novo. Pretentende nao lhe faltara, era bonita: loira de olhos claros, corpo esbelto, olhar sereno. Os homens sempre a lhe cortejavam nas poucas vezes em que deixava a casa: ia a igreja todos os dias, e quando era nescessario ia ao armarinho. Joana insistia a irma a aceitar um dos convites: "o tempo passa e vc vai ficar sozinha". Dineide respondia: "sempre terei a ti, irma".
Claro que no fundo do amago queria sentir o calor de alguem, um toque mais intimo. Mas nao se entregava. Dineide soh amou a um homem, e a um homem soh amaria. Amou Joao, e Joao morrera. A ela soh restava a igreja, e a esperanca de um dia reencontrar seu amado em um lugar melhor.
Dineide continuou por mais 40 anos indo todos os dias a igreja, vestida de preto, ateh o dia em que morreu. Sua irma morrera cinco anos antes dela, e a Dineide nao se restou ninguem. Solitaria, o povo da cidade, nos anos antes de morrer, a apelidou de Viuva Negra. No final, ela jah nao costurara, quase nao comia, tinha dificuldades para andar e perdera a nocao das coisas e do tempo. Confundia as pessoas, as vezes chorava no meio da rua, pensando ser aquele o dia em que Joao morrera. Nao lhe restou um centavo, e nunca suspeitou da pessoa que lhe deixava na porta algum dinheiro e um pouco de comida. No dia de sua morte, estava voltando devagar da igreja quando sentiu seu coracao doer. Caiu de joelhos no meio da praca, mas ninguem a percebeu. Se pos de peh com dificuldade, mas a dor que sentia lhe tirava aos poucos a forca que lhe restara. Um homem entao lhe acudiu, a segurou na cintura e a acompanhou ateh a casa empoeirada de Dineide. Ele a pos na cama, a cobriu e beijou-lhe a boca.
Dineide, entre a dor e o canssaco entre o tempo e as coisas, entre a vida e a morte, consegui enxergar nas rugas e barbas daquele velho senhor o homem que um dia amava. Entao a dor o cassaco o tempo as coisas a vida jah nao existiam mais. Dineide morrera. Em seu enterro, ninguem chorou por ela, somente um morto que nao a teve em vida e nem em morte.
Claro que no fundo do amago queria sentir o calor de alguem, um toque mais intimo. Mas nao se entregava. Dineide soh amou a um homem, e a um homem soh amaria. Amou Joao, e Joao morrera. A ela soh restava a igreja, e a esperanca de um dia reencontrar seu amado em um lugar melhor.
Dineide continuou por mais 40 anos indo todos os dias a igreja, vestida de preto, ateh o dia em que morreu. Sua irma morrera cinco anos antes dela, e a Dineide nao se restou ninguem. Solitaria, o povo da cidade, nos anos antes de morrer, a apelidou de Viuva Negra. No final, ela jah nao costurara, quase nao comia, tinha dificuldades para andar e perdera a nocao das coisas e do tempo. Confundia as pessoas, as vezes chorava no meio da rua, pensando ser aquele o dia em que Joao morrera. Nao lhe restou um centavo, e nunca suspeitou da pessoa que lhe deixava na porta algum dinheiro e um pouco de comida. No dia de sua morte, estava voltando devagar da igreja quando sentiu seu coracao doer. Caiu de joelhos no meio da praca, mas ninguem a percebeu. Se pos de peh com dificuldade, mas a dor que sentia lhe tirava aos poucos a forca que lhe restara. Um homem entao lhe acudiu, a segurou na cintura e a acompanhou ateh a casa empoeirada de Dineide. Ele a pos na cama, a cobriu e beijou-lhe a boca.
Dineide, entre a dor e o canssaco entre o tempo e as coisas, entre a vida e a morte, consegui enxergar nas rugas e barbas daquele velho senhor o homem que um dia amava. Entao a dor o cassaco o tempo as coisas a vida jah nao existiam mais. Dineide morrera. Em seu enterro, ninguem chorou por ela, somente um morto que nao a teve em vida e nem em morte.
Tuesday, November 06, 2007
Friday, November 02, 2007
A historia de Joao parte 2
Agora um professor meu diria: "Cade a apresentaçåo do personagem? De onde ele vem? como ele eh? O leitor tem que se indentificar com ele". Ora, caro professor, que mais belo jeito de apresentar Joao do que comentar sua escolha pela arvore a plantar, uma existencia ligada a outra, tao importante para o desenvolvimento do personagem.
Nao eh coisa facil, imagine voce. Existem tantos tipos de arvore a ser. Saber o tipo de madeira que enfim o carregaria desta vida era tarefa ardua. Joao pensou em mogona, madeira fina, cor imponente. Pensou em carvalho, o carvalho eh mais facil de cuidar e carregar. Mas cresce muito rapido, pensou. Entao o figo, a macieira, o peh de laranja-limea, talvez alguma coisa que lhe traga sombra e comida. Alguma coisa doce. Ou o peh de canela, mas esse nao cresce muito. Pensou tanto, qual madeira se aplicava mais a sua ideologia, decidiu por uma coisa mais regional: monjoleiro, juqueri-guaçu, maricá, paricarana-de-espinho, casca-d'anta, castanheiro, eucalipito,magnolia e assim vai. Sao muitas, as arvores.
Joao decidiu por uma de cor especial, um vermelho profundo que mancha. Muito usada por ex nativos para colorir roupas, Joao achou essa arvore especial. Cresce no tempo certo, fica na altura ideal, da sombra e conforto que Joao vai precisar nos anos que ele ira viver. Pegou sua semente, escolheu um pedaco de terra boa e macia, abriu um pequeno buraco e plantou aquele pedaco de vida.
Nao eh coisa facil, imagine voce. Existem tantos tipos de arvore a ser. Saber o tipo de madeira que enfim o carregaria desta vida era tarefa ardua. Joao pensou em mogona, madeira fina, cor imponente. Pensou em carvalho, o carvalho eh mais facil de cuidar e carregar. Mas cresce muito rapido, pensou. Entao o figo, a macieira, o peh de laranja-limea, talvez alguma coisa que lhe traga sombra e comida. Alguma coisa doce. Ou o peh de canela, mas esse nao cresce muito. Pensou tanto, qual madeira se aplicava mais a sua ideologia, decidiu por uma coisa mais regional: monjoleiro, juqueri-guaçu, maricá, paricarana-de-espinho, casca-d'anta, castanheiro, eucalipito,magnolia e assim vai. Sao muitas, as arvores.
Joao decidiu por uma de cor especial, um vermelho profundo que mancha. Muito usada por ex nativos para colorir roupas, Joao achou essa arvore especial. Cresce no tempo certo, fica na altura ideal, da sombra e conforto que Joao vai precisar nos anos que ele ira viver. Pegou sua semente, escolheu um pedaco de terra boa e macia, abriu um pequeno buraco e plantou aquele pedaco de vida.
Wednesday, October 31, 2007
A historia de Joao parte 1
Decidi contar uma historia aqui nesse blog. Vou tentar ser o mais prolifico o possivel, mas se nao conseguir me desculpem, afinal sou um homem ocupado. Enfim, essa sera a historia de Joao. Voces vejam, Joao mora em um lugar ficticio, uma cidade levantada e construida no fundo da minha caxola, com personagens ficticios, nunca antes ateh entao imaginados. Se por um acaso vc conheca um Joao muito parecido com este aqui que eu vou escrever, e que mora numa cidade como essa que vc lera, entao sera uma grande coincidencia. Nossa odisseia comeca em uma momento decisivo na vida de Joao, quando por determinacao da Justica ele teria de ser cruxificado. Boa leitura:
A HISTORIA DE JOAO
Aconteceu naquele ano de a madeira acabar. Foi como se tivesse sumido: foram tantos cruxificados que a fonte secou. Tiveram de pedir a Joao para descer da cruz, pois a iam usar para construir uma casa, uma cadeira e uma pequena carroca. Vai ter de esperar, disseram a Joao, ateh que cresca mais. Por causa da secura mudaram o jeito de matar gente, e condenado agora era degolado. Joao seria o ultimo a ser cruxificado, mas a madeira era nescessaria. Quiseram degolar Joao, mas isso nunca havia sido feito: contrariar uma sentenca do Page seria contrariar o proprio Deus. A solucao encontrada foi oferecida por Joao mesmo: ele plantaria um arvore especialmente para sua cruxificacao, e ele mesmo se encaregaria de cuidar da planta, de regar e adubar, e se algo acontecesse com a arvore, entao isso poderia ser visto como um crime passivel da nova punicao.
...
A HISTORIA DE JOAO
Aconteceu naquele ano de a madeira acabar. Foi como se tivesse sumido: foram tantos cruxificados que a fonte secou. Tiveram de pedir a Joao para descer da cruz, pois a iam usar para construir uma casa, uma cadeira e uma pequena carroca. Vai ter de esperar, disseram a Joao, ateh que cresca mais. Por causa da secura mudaram o jeito de matar gente, e condenado agora era degolado. Joao seria o ultimo a ser cruxificado, mas a madeira era nescessaria. Quiseram degolar Joao, mas isso nunca havia sido feito: contrariar uma sentenca do Page seria contrariar o proprio Deus. A solucao encontrada foi oferecida por Joao mesmo: ele plantaria um arvore especialmente para sua cruxificacao, e ele mesmo se encaregaria de cuidar da planta, de regar e adubar, e se algo acontecesse com a arvore, entao isso poderia ser visto como um crime passivel da nova punicao.
...
7
Dia das Bruxas. Engracado, esse feriado veio de uma comemoracao paga, uma antiga religiao Irlandesa que acretiva em Leprecham, pequenos duendes e na Deusa naturesa. Claro, veio a religiao Catolica, os romanos, e proibirao tudo. Aquilo era pecado, e praticar aquilo era bruxaria. Especialmente hoje, homenageiam-se os mortos. Por isso a fantasia, os doces, a comunhao.
Vou sair a noite, feito um menino bobo, e pedir guloseimas por ai. Nao consigo decidir a fantasia, nao sei o que quero ser. Tem uma loja de fantasias aqui perto de casa, e eles tem de tudo. O mais impressionante era a roupa de Thor, eu tive de experimentar. Mas nao tinha nada que eu quis...
Pensei em ser um abacate. E por que nao: abacates sao garbosos, tem um formato diferente, sao dificeis de indentificar: ou fruta ou legume. Mas tambem pensei em ser uma cenoura, alem de serem laranjas, cor dificil de se ver por ai, cenouras vivem debaixo da terra, sao raizes. Acabei decidindo por nao ser um vegetal, nao sou uma pessoa vegetal, simplesmente nao eh quem eu sou...
O que ser entao? Talvez Thor, filho de Odim, Deus do trovao e das tempestades. Nao, nao sou loiro nem nordico. Talvez outro Deus entao; poderia ser Deus, pq nao? Deuses sao divertidos, tem poderes e poucas inibicoes, mandam enchentes por diversao, pedem para matar o filho de alguem para provar o amor por eles. Sim, poderia ser Baco, Deus do vinho! Bacanais a noite inteira, multiplicaria peixes e transformaria agua em vinho.
Bah, sem graca. Deus nao eh pra mim, acho que funciona como quem quer ser um politico: sempre as pessoas que querem sao as menos indicadas a serem. Alias, essa frase foi bem filosofica: quem sabe nao sou hoje um filosofo. Seria simples, nao teria de me fantasiar, ficaria em casa pensando sobre a vida e o sentido de tudo mais, escreveria minhas teorias e no fim me mataria por ter compreendido demais... Hurgh, nao. Muita sujeira.
Acho que terei de me contentar por ser o que eu sou, assim que descobrir exatamente o que sou. Soh espero que com a minha fantasia de Rodrigo eu ainda possa sair pela rua a pedir docinhos.
Vou sair a noite, feito um menino bobo, e pedir guloseimas por ai. Nao consigo decidir a fantasia, nao sei o que quero ser. Tem uma loja de fantasias aqui perto de casa, e eles tem de tudo. O mais impressionante era a roupa de Thor, eu tive de experimentar. Mas nao tinha nada que eu quis...
Pensei em ser um abacate. E por que nao: abacates sao garbosos, tem um formato diferente, sao dificeis de indentificar: ou fruta ou legume. Mas tambem pensei em ser uma cenoura, alem de serem laranjas, cor dificil de se ver por ai, cenouras vivem debaixo da terra, sao raizes. Acabei decidindo por nao ser um vegetal, nao sou uma pessoa vegetal, simplesmente nao eh quem eu sou...
O que ser entao? Talvez Thor, filho de Odim, Deus do trovao e das tempestades. Nao, nao sou loiro nem nordico. Talvez outro Deus entao; poderia ser Deus, pq nao? Deuses sao divertidos, tem poderes e poucas inibicoes, mandam enchentes por diversao, pedem para matar o filho de alguem para provar o amor por eles. Sim, poderia ser Baco, Deus do vinho! Bacanais a noite inteira, multiplicaria peixes e transformaria agua em vinho.
Bah, sem graca. Deus nao eh pra mim, acho que funciona como quem quer ser um politico: sempre as pessoas que querem sao as menos indicadas a serem. Alias, essa frase foi bem filosofica: quem sabe nao sou hoje um filosofo. Seria simples, nao teria de me fantasiar, ficaria em casa pensando sobre a vida e o sentido de tudo mais, escreveria minhas teorias e no fim me mataria por ter compreendido demais... Hurgh, nao. Muita sujeira.
Acho que terei de me contentar por ser o que eu sou, assim que descobrir exatamente o que sou. Soh espero que com a minha fantasia de Rodrigo eu ainda possa sair pela rua a pedir docinhos.
Saturday, October 27, 2007
6
Quando o meu irmao saiu do armario, meu pai nao se conformava. Primeiro, tentou convenser o meu irmao de que era anormal aquilo "vc tem certeza? pode ser soh fase...". Mas o meu irmao batia o pe: "Eh isso o que eu sou agora. Vc pode nao gostar, nao concordar, nao me importa". Papai o xingava de ovelha-negra, ameacava-o de lhe cortar a heranca. Apontava pra mim e dizia pro Dudu: "Pq vc nao pode ser igual ao seu irmao". Dudu, aos prantos, clamava que nao tinha nada de errado ser o que ele era. A situacao chegou ao ponto de minha mae ter de interferir: "Durval, vc nao pode tratar o seu filho assim. Nao importa o que ele seja". Mas nao adiantava. Mamae ateh vestia a camisa de meu irmao, mas nao era a mesma coisa.
Meu Pai acusou um amigo de Dudu: "eh por causa daquele moleque. Eu vi vcs dois juntos..." "ele nao tem nada a ver" meu irmao gritava. "Eu eh que quis". Meu pai baixa a cabeca: "O que eu fiz de errado?".
Isso foi ha alguns anos atras. A situacao, de lah pra ca melhorou. Meu pai convive bem com o meu irmao, aceita melhor o que ele eh. Enquanto a mim, eu jah vi homem trocar de namorada, esposa, religiao, emprego, cidade. Mas eu nunca vi ninguem trocar de time de futebol, e por mais que meu pai tentasse, meu irmao era o que era: Palmeirense.
Meu Pai acusou um amigo de Dudu: "eh por causa daquele moleque. Eu vi vcs dois juntos..." "ele nao tem nada a ver" meu irmao gritava. "Eu eh que quis". Meu pai baixa a cabeca: "O que eu fiz de errado?".
Isso foi ha alguns anos atras. A situacao, de lah pra ca melhorou. Meu pai convive bem com o meu irmao, aceita melhor o que ele eh. Enquanto a mim, eu jah vi homem trocar de namorada, esposa, religiao, emprego, cidade. Mas eu nunca vi ninguem trocar de time de futebol, e por mais que meu pai tentasse, meu irmao era o que era: Palmeirense.
Wednesday, October 24, 2007
Thursday, October 11, 2007
5
O que se estuda e discute aqui eh completamente diferente do que no Brasil. O engracado eh que as referencias sao quase as mesmas, Baudeliare, Barthes, Socretes e ai vai. Mas o enfoque eh outro. Os Europeus nao tem que se preocupar, por exemplo, se vai levar um tiro na cabeca toda vez que vai sair de casa, ou fechar os vidros do carro quando num semaforo vermelho. Isso falando numa perspectiva de classe media.
Um fato curioso, tb, eh que eu tenho mais medo do Brasil estando na Inglaterra. Quando em Sao Paulo, a violencia nao parecia tanta, ou melhor: talvez fosse normal. Minha indignacao nao era tanta, um ladrao matar ou um policial torturar era o cotidiano, nao chocava. Mas alem tambem, ha uma cultura do medo maior aqui fora. Toda vez que falo que venho do Brasil, as pessoas arregalam os olhos, prendem a respiracao. Acham curioso eu ser vivo, perguntam se eu sofro muito, ou pior: nao perguntam nada. Mas eu sei. De uma maneira, Cidade de Deus eh a realidade. Um preto revoltado com a vida e policial corrupto. Causa e consequencia, uma realidade branco-e-preto propagada por nos mesmos. Bunda e samba.
Eu digo que o pior do Brasil eh o Brasileiro. Jah fui pra Africa, e nao vi violencia. Jah fui pra Europa Ocidental, e nao se cometem crimes a tordo e a direito. O Brasil eh um paiz lindo com pessoas boas, eu vim de lah e eu posso dizer que eu amo tudo aquilo. Mas de um jeito ou de outro, sempre me traz maneiras de me deixar extremamente depressivo e triste.
Um fato curioso, tb, eh que eu tenho mais medo do Brasil estando na Inglaterra. Quando em Sao Paulo, a violencia nao parecia tanta, ou melhor: talvez fosse normal. Minha indignacao nao era tanta, um ladrao matar ou um policial torturar era o cotidiano, nao chocava. Mas alem tambem, ha uma cultura do medo maior aqui fora. Toda vez que falo que venho do Brasil, as pessoas arregalam os olhos, prendem a respiracao. Acham curioso eu ser vivo, perguntam se eu sofro muito, ou pior: nao perguntam nada. Mas eu sei. De uma maneira, Cidade de Deus eh a realidade. Um preto revoltado com a vida e policial corrupto. Causa e consequencia, uma realidade branco-e-preto propagada por nos mesmos. Bunda e samba.
Eu digo que o pior do Brasil eh o Brasileiro. Jah fui pra Africa, e nao vi violencia. Jah fui pra Europa Ocidental, e nao se cometem crimes a tordo e a direito. O Brasil eh um paiz lindo com pessoas boas, eu vim de lah e eu posso dizer que eu amo tudo aquilo. Mas de um jeito ou de outro, sempre me traz maneiras de me deixar extremamente depressivo e triste.
Thursday, October 04, 2007
4
De alguma maneira eu sou o membro da minha familia que jah foi mais longe nesse mundo. Bem, ao menos em se tratando de lugar. Jah visitei a Africa, Europa, America do Norte. Jah fui na cidade mais ao sul do mundo, e pretendo ir para a mais norte em breve, se bem que jah fui para a escocia tb. No Brasil jah fui de norte a sul. Conheco meu estado, Sao paulo, de ponta a ponta, literalmente jah fui ateh o pontal do paranapanema. Meu litoral jah fiz todinho, fui de sao paulo ao nordeste de onibus, acampei numa ilha de pescadores. Pra baixo jah fui de onibus ateh o Rio Grande tb. Conheco mais cidades inglesas que muito ingles, mais paizes Europeus que muitos nesse continente. Jah vi o mediterraneo, Pacifico e Atlantico.
Sei que parece auto-promocao ou coisa assim, e de certa maneira eh. Vejo meu passaporte como uma conquista: nao soh dos lugares que eu jah visitei, mas principalmente do lugar de onde eu vim.
Sei que parece auto-promocao ou coisa assim, e de certa maneira eh. Vejo meu passaporte como uma conquista: nao soh dos lugares que eu jah visitei, mas principalmente do lugar de onde eu vim.
Monday, October 01, 2007
O ataque dos maldinavios sabatinos
Se fosse um lugar, seria como outro lugar qualquer: abaixo do ceu, acima da terra. Mas nao era, e por nao se saber o que era classificou-se por Ephemero. Os sabatinos, sabidos como passageiros reinantes daquele nao-lugar, quando em quando em orgiaticas refeicoes dominicais, se atracavam num combate fulgas e melodramatico.
Maldinavios, diziam sem falar.
Maldinavios, diziam sem falar.
"Except for the pink nose, he was white as a white squirrel can be. He was apparently playing with other grey blackish squirrels with pink noses. They were on a green grass of a hillside park, near a not-so-high-not-that-small tree full of brown nuts. The sun was shining bright on the blue sky illuminating those high spirited animals jumping from one place to another, their white and grey blackish tails floating on the air, squishing to one another and rubbing their heads. It was, indeed, a very beautiful scene, a ballet of very precise moves, but I disturbed everything with my look and curiosity when I came close and all the squirrels started to run away leaving me forever alone."
Thursday, September 06, 2007
3
Eu vi em um noticiario aqui da Inglaterra que recentemente foram descobertos documentos que comprovavam que la pelos anos 20 o MI5, a CIA do Reino Unido, costumava a vigiar George Orwell. Pra quem nao sabe, George Orwell cunhou o termo Big Brother (grande irmao) no livro 1984, e pros que pensam que isso eh soh um nome de um programa esdruxulo de TV, na verdade eh uma metafora de uma sociedade de controle, extremamente vigiada.
O engracado disso tudo eh que, fora o 1984, os livros de George eram sempre carregados por uma extrema paranoia. Os personagens dos romences desse escritor sempre achavam que alguem os olhava, e sempre com medo do estado. Isso era um reflexo do proprio escritor e oitenta anos depois descrobrimos que ele tinha razao. Na sociedade que imaginou e na paranoia que tinha.
O engracado disso tudo eh que, fora o 1984, os livros de George eram sempre carregados por uma extrema paranoia. Os personagens dos romences desse escritor sempre achavam que alguem os olhava, e sempre com medo do estado. Isso era um reflexo do proprio escritor e oitenta anos depois descrobrimos que ele tinha razao. Na sociedade que imaginou e na paranoia que tinha.
Monday, August 27, 2007
1
Voltei... Porque se a gente continua indo, sempre dá a volta.
Eu tive a infeliz idéia, na minha despedida do Brasil, de jogar futebol com os amigos. Torci meu tornozelo três dias antes de partir. Aparentemente, nao se viaja engessado, entao comprei uma tala removivel, bem moderninha. Cheguei no aeroporto, com meus pais, meu irmao e a tia Fatima. Por causa da tala, eu furei a fila das bagagens, e me arranjaram uma cadeira de rodas. No aviao, nao dormi. Por onze horas. Cheguei a França, me arranjaram uma cadeira de rodas pro translado. Porem, aqueles malditos franceses. Ai que raiva.
Uma mulher veio me buscar, na porta do aviao, com a cadeira e me levou ateh uma parte do terminal. Ai apareceu um novo cara, num carro, pra me levar pra outro terminal. Chegando nesse outro terminal, fui deixado numa sala, e me pediram para esperar que outra pessoa iria me buscar. Meu voo era as 12:20. Eu esperei quarenta minutos por esse filho da puta, que nao apareceu. 12:50, me desesperei e fui, andando, para o portao. Porem, vc mesmo no translado, na porra da França, eh revistado. Entao uma mulher, outra grandessissima filha de uma puta, me fez tirar tudo da minha mala de mao, e tambem me fez tirar a tala, e nao bastasse isso, me fez andar no detector de metais. Passado isso, eh logico, meu aviao decolou sem mim. Indignido, eu fui informado, educadamente pela mulher da Air France, que a culpa era minha, que nao esperei.
Bom, remarquei outro aviao pra duas horas depois. Cheguei em Londres, cadeira de rodas me esperava, imigraçao e essa coisa toda. Na hora de coletar a bagagem, eis que descubro outra peripecia dessa merda de compania aerea: eles haviam esquecido a minha bagagem. Fui ao balcao proprio para isso, preenchi o formulario, e me avisaram que eu nao precisava me preocupar, a minha bagagem estaria em casa no mesmo dia. Caso ao contrario, a Air France teria de dar um dinheiro, ou um kit, pra escova de dente, desodorante, shampoo, sabonete e uma troca de roupa. Mas como era no mesmo dia que eu teria a minha bagagem, nao precisavam.
Eu soh fui ver a minha bagagem dois dias depois. DOIS DIAS DEPOIS.
E em um cartaz escrito: "Welcome back Rodrigo. We missed you"
Eu tive a infeliz idéia, na minha despedida do Brasil, de jogar futebol com os amigos. Torci meu tornozelo três dias antes de partir. Aparentemente, nao se viaja engessado, entao comprei uma tala removivel, bem moderninha. Cheguei no aeroporto, com meus pais, meu irmao e a tia Fatima. Por causa da tala, eu furei a fila das bagagens, e me arranjaram uma cadeira de rodas. No aviao, nao dormi. Por onze horas. Cheguei a França, me arranjaram uma cadeira de rodas pro translado. Porem, aqueles malditos franceses. Ai que raiva.
Uma mulher veio me buscar, na porta do aviao, com a cadeira e me levou ateh uma parte do terminal. Ai apareceu um novo cara, num carro, pra me levar pra outro terminal. Chegando nesse outro terminal, fui deixado numa sala, e me pediram para esperar que outra pessoa iria me buscar. Meu voo era as 12:20. Eu esperei quarenta minutos por esse filho da puta, que nao apareceu. 12:50, me desesperei e fui, andando, para o portao. Porem, vc mesmo no translado, na porra da França, eh revistado. Entao uma mulher, outra grandessissima filha de uma puta, me fez tirar tudo da minha mala de mao, e tambem me fez tirar a tala, e nao bastasse isso, me fez andar no detector de metais. Passado isso, eh logico, meu aviao decolou sem mim. Indignido, eu fui informado, educadamente pela mulher da Air France, que a culpa era minha, que nao esperei.
Bom, remarquei outro aviao pra duas horas depois. Cheguei em Londres, cadeira de rodas me esperava, imigraçao e essa coisa toda. Na hora de coletar a bagagem, eis que descubro outra peripecia dessa merda de compania aerea: eles haviam esquecido a minha bagagem. Fui ao balcao proprio para isso, preenchi o formulario, e me avisaram que eu nao precisava me preocupar, a minha bagagem estaria em casa no mesmo dia. Caso ao contrario, a Air France teria de dar um dinheiro, ou um kit, pra escova de dente, desodorante, shampoo, sabonete e uma troca de roupa. Mas como era no mesmo dia que eu teria a minha bagagem, nao precisavam.
Eu soh fui ver a minha bagagem dois dias depois. DOIS DIAS DEPOIS.
E em um cartaz escrito: "Welcome back Rodrigo. We missed you"
Monday, March 19, 2007
Hoje eu vou pro aeroporto, dormirei lah, jah que o meu voo sai de manha, e amanha estarei no Brasil. Por sorte achei uma conexao de internet, entao posso me despedir desse blog apropriadamente. Gostaria de ir embora e mandar um aceno quando olhar pra traz, eh mais facil e indolor, mas nao eh proprio. Afinal foram dois anos de contos e nao se vai assim, com um aceno. Queira primeiro, meu blog, pedir-lhe desculpas pelas mentiras verdadeiras e verdades duvidosas, vc sabe que foram todas sinceras. E mais ainda pelos omissos, nunca se sabe quem vai ler, e sempre eh bom guardar um misterio. Pelos tempos em que o esqueci, estava ocupado, ou mesmo com preguica. Obrigado pela compania.
E com um abraco (e um sussurro no ouvido) nos vamos.
Te vejo em breve.
Adeus.
E com um abraco (e um sussurro no ouvido) nos vamos.
Te vejo em breve.
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